O que se tem em conta [afinal] para se considerar que um território seja um país?
A pergunta parece fácil de responder, no entanto, pode ser mais complexa do que parece.
De uma forma geral para ser considerado um país o território deve ser reconhecido por todos os outros países do globo e para que isso deve respeitar as seguintes condições:
Ter um território definido;
Ser permanentemente habitado (pelo menos na teoria);
Possuir instituições políticas e governo próprio;
Interagir diplomaticamente com os outros países;
Ser reconhecido pelos outros estados soberanos como país independente (essencial);
Ou seja, no fundo, o território terá de ser aceite e reconhecido como país pela Organização das Nações Unidas (ONU). A entrada de um país na ONU tem de ser aprovado pelo mínimo de 9, dos 15, países membros do Conselho de segurança, sem que nenhum dos cinco membros permanentes exerça o seu direito de veto, sendo estes o Reino Unido, França, China, Estados Unidos da América e Rússia.
A ONU foi criada em 1945 e o número de estados-membros é hoje de 193 e 2 estados observadores não-membros (podem participar e observar, mas não podem votar na Assembleia Geral), a Palestina e o Vaticano. Se considerarmos que o Vaticano é um país reconhecido o total de países é de 194.
No entanto, mesmo que não seja oficial, há países que podemos ou não considera-los como tal , são os casos do Kosovo e da Palestina.
Este ano comemoram-se 500 anos da morte de Leonardo da Vinci. Há como que um renascer das suas obras e dos seus cadernos, estudados e analisados nas várias vertentes. Não podíamos deixar de escrever sobre o mestre que nos desperta um enorme fascínio. Tal como Walter Isaccson o descreve, é “o génio mais criativo da história”.
Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, perto de Vinci na zona da Toscana, entre Florença e Pisa. Era filho ilegítimo de um notário (Ser Piero da Vinci) e de uma “camponesa”.
Em 1473, com 21 anos e um talento imenso, desenhou num dos seus cadernos uma paisagem do Vale do Arno que lhe valeu as primeiras encomendas: um retábulo para uma capela do Palazzo della Signoria e a pintura A Adoração dos Magos que, como tantos outros trabalhos, nunca chegou a ser concluída.
Desde logo Andrea del Verrochio reconheceu os seus dotes artísticos aceitando-o como aprendiz na sua oficina em Florença. Aqui teve oportunidade de começar a trabalhar para os Médicis.
O desejo do conhecimento era insaciável. Estudou áreas tão ecléticas como a pintura, latim, geometria, anatomia, engenharia, hidráulica entre tantas outras, tentando perceber as ligações entre elas. Cada uma destas áreas era por ele tratada de forma tão minuciosa que ainda hoje é admirada. A primeira descrição da arterosclerose da história da medicina, por exemplo, foi feita por ele depois de dissecar um corpo de um idoso de 100 anos.
A natureza fascinava-o. O simples movimento da água, por exemplo, é descrito ao longo de 72 páginas do Códice Leicester. Porque é que o céu é azul, ou porque a lua tem luz (ou reflete) eram algumas das perguntas ou mistérios que o inquietavam.
Para Leonardo, a ciência não era uma actividade separada da arte. Para pintar o corpo humano era importante saber a sua constituição: como se moviam os membros, os músculos, qual o comportamento dos corpos em movimento. Chegava ao pormenor de ter de saber que músculos interviam no sorriso de uma pessoa. Só esta visão justifica a perfeição nas suas obras e a transmissão de movimento e sentimento aos desenhos e quadros, perfeição esta atingida na Monalisa.
Um dos estudos que mais fascina é o do feto, não só pelas descrições que faz mas sobretudo pelos desenhos. Numa folha de um dos cadernos desenhou o útero humano com um feto e todos os pormenores anatómicos que chegou a ser descrito por Jonathan Jones (crítico de arte) como “a mais bela obra de arte do mundo”.
Feto no útero (foto Wikipedia)
É tão magnífico o seu trabalho que Calvin Coffey, chefe de cirurgia na Graduate Entry Medical School da Universidade de Limerick na Irlanda, em 2015, investigava o mesentério – uma estrutura em forma de leque que liga os intestinos grosso e delgado à parede traseira do abdómen, que se pensava serem vários órgãos – quando descobriu que Da Vinci, em 1508 já tinha confirmado essa teoria. Ficou tão impressionado com a descoberta que, na conclusão do seu trabalho atribuiu os créditos da descoberta a Leonardo da Vinci: “Sabemos agora que a interpretação de Da Vinci estava correcta”… “É simplesmente uma obra-prima”.
Todos os trabalhos , acabados ou não, são de uma minucia impar, onde todos os ângulos, sobras e traços foram estudados ao mais ínfimo pormenor de forma a permitir uma subtileza inigualável. Estudou a luz e a forma como esta entra no olho humano. Até mesmo os mais rudimentares projectos, como é o caso do fato subaquático e o escafandro, serviram de base e anteciparam a produção de equipamentos hoje utilizados. Outro grande exemplo é o helicóptero.
Obras como a Gioconda (Monalisa, retrata a mulher de um mercador de seda florentino), no Museu do Louvre em Paris, nunca conseguiram ser superadas.
Mona Lisa de Leonardo da Vinci no Museu do Louvre
Os enigmas são a imagem de marca de Da Vinci, tal como na Gioconda o sorriso causa nos especialistas alguma controvérsia também na “Virgem com a criança a rir”, a única escultura tridimensional ainda existente do artista, é encontrado esse sorriso na criança.
Estátua da Virgem com o menino Jesus a rir (Fotografia: Victoria & Albert Museum, London)
Depois de Florença passou por Milão, onde trabalhou ao serviço dos Sforza, Roma e Paris (Amboise) onde acabou por falecer ao serviço de Francisco, rei de França.
Estátua de Leonardo em Milão
Leonardo é mais do que a referência do Homem do Renascimento, sem dúvida foi um génio.
Referências
Revista National Geographic, Claudia Kalb, maio 2019
Seis séculos após a sua chegada à Península Ibérica, os sefarditas foram expulsos durante mais de 300 anos (recordando a teoria de que “tudo se repete”), período em que vigorou a Inquisição em Portugal e Espanha.
Hoje, passados os tempos conturbados, os direitos foram-lhes restituídos. Judeus que comprovem ter as suas origens em Portugal podem requerer nacionalidade portuguesa.
Os Sefardim, em hebreu, são os judeus originários de Portugal e Espanha, daí a origem da palavra Sefardita em hebraico Sefarad (ספרד) que significa Península Ibérica.
Embora possam existir hipóteses de que se tenham estabelecido na península em épocas anteriores, só existe confirmação da sua presença desde o final do Império Romano do Ocidente, por volta de 476 d.C., quando o Imperador Rómulo Augusto foi deposto.
A comunidade judaica, desenvolveu-se de tal forma no nosso país que, em pleno século X aquando da fundação do Condado Portucalense e após a conquista de Santarém aos Mouros, esta localidade tornou-se numa próspera comuna. Centrada na sua sinagoga, a mais antiga do reino, esta comuna (já referida no foral concedido em 1095 por Afonso VI de Leão), era uma das sete comarcas criadas por D. Dinis, a segunda mais importante do país a seguir a Lisboa, e reconfirmada por D. João I.
Em 1474, por morte de seu irmão Henrique IV, subia ao trono de Castela e Leão, D. Isabel. Falecido o rei de Aragão em 1479 (D. João II), Fernando de Sicília, seu filho casado com D. Isabel de Castela sucedeu ao trono aragonês permitindo a união de dois dos mais poderosos estados da Península Ibérica. A península estava assim reunida sob a mesma coroa à excepção de Portugal e o reino islâmico de Granada.
É nesta altura, que D. Fernando tem a triste ideia de implementar a Inquisição em terras espanholas. A troco de privilégios económicos, o inquisidor frei Filipe de Berbris, veio da Sicília convencer os reis católicos a estabelecerem a Inquisição, um tribunal eclesiástico cujo funcionamento era delegado directamente pelo Papa com o objectivo da condenação e expulsão dos hereges, no caso ibérico os “não católicos”. Juntando-se as vantagens que daí viriam também para a cúria romana, criada através de bula papal (Papa Sixto IV), nasce o tribunal do Santo Ofício, a Inquisição em Castela. Todos quantos fossem condenados como hereges eram expulsos do reino, ficando uma terça parte dos seus bens para os seus julgadores.
Terminada a Reconquista Cristã na Península Ibérica, que culminou com a tomada de Granada, em Janeiro de 1492, fim do Califado e consequentemente com a expulsão dos últimos muçulmanos de Al-Andaluz, os reis católicos decidem intensificar ainda mais a expulsão dos judeus de seu reino.
Tomada de Granada
Nesta altura milhares de sefarditas castelhanos fogem para Portugal, juntando-se aos que já tinha fugido desde o início da Inquisição espanhola. Fixando-se em algumas comunidades judias já existentes (Porto, Santarém, Lisboa, Torre de Moncorvo e Évora) chegam a ascender as 100 judiarias em finais do século XV.
O crescimento económico do país deve-se muito ao crescimento da comunidade judaica e consequência disso o crescente comércio, actividade principal dos sefarad.
A chegada em massa destes judeus vindos do reino vizinho fez com que Portugal tivesse de se organizar para controlar as entradas em território luso. Foram designados postos fronteiriços por onde deveriam entrar, caso de Olivença, Arronches, Castelo-Rodrigo, Bragança e Melgaço. Nestes postos eram cobradas quitações de passagem. Os mais pobres entravam clandestinamente, subjugando-se a escravidão e maus tratos.
Em 1495 sobe ao trono de Portugal D. Manuel, duque de Beja. Uma das primeiras medidas tomadas após a sua posse como monarca foi dar liberdade aos judeus submetidos à condição de escravos.
O respeito e compaixão pelos sefarditas iria no entanto conhecer uma viragem. D. Manuel subiu ao trono após a morte de seu primo D. Afonso, filho de D. João II, que não tinha descendência monárquica. Ao herdar o trono, D. Manuel entendeu que deveria herdar também a viúva do primo, D. Isabel, filha mais velha dos reis católicos. Casando com ela o rei de Portugal via como interesse a união das duas coroas peninsulares.
Os reis de Castela aceitaram a proposta do rei português com duas condições: que Portugal se aliasse a Castela contra a França e por outro lado que expulsasse do reino todos os hebreus.
Em 1496 D. Manuel ordenou a saída do reino de todos os judeus não convertidos. Muitos hebreus com receio da expulsão abjuraram da sua religião convertendo-se ao cristianismo.
Haviam muitos judeus que preferiram morrer, ou mesmo matar os seus filhos, a converterem-se. Outros eram batizados voluntariamente ou à força, passando a designar-se de cristão-novos ou marranos como eram apelidados. Convertidos, pelo menos aos olhos dos cristãos-velhos, muitos continuavam a praticar o judeísmo de forma secreta (cripto-judeísmo).
Por decreto publicado pelo rei em Abril de 1499, os cristãos-novos estavam proibidos de sair do país. Durante a expulsão a maioria optou por sair do país rumo ao Brasil, Países Baixos, Médio Oriente e Norte de África. Um dos refúgios que mais judeus acolhia era o Império Otomano (actual Turquia). O imperador Bayezid II oferecia-lhes protecção. Istambul e Salónica (hoje faz parte da Grécia) eram os destinos mais procurados. Também em Marrocos, mais precisamente Fez, se formaram importantes comunidades sefarditas judaicas.
Rua do bairro judeu em Fez
A perseguição aos sefarditas, convertidos ou não, conheceu a pior face em 1506 aquando da chamada “matança da Páscoa”. Entre duas a quatro mil pessoas, a maioria cristãos-novos, morreram.
Portugal atravessava um período de seca prolongada com surtos de peste. A 19 de Abril, na igreja do convento de S. Domingos, na baixa de Lisboa, alguém jurou ter visto o rosto de Cristo iluminado sobre um dos altares, assegurando tratar-se de um sinal de misericórdia divina e de futura bonança. Outro presente, por sinal um cristão-novo, discordou e disse que se tratava do reflexo do sol. Identificado como marrano, foi agredido pela multidão e espancado até à morte.
Inflamando ainda mais os ânimos, um frade dominicano, promete 100 dias de indulgências a quem matasse os hereges. Durante três dias dessa Semana Santa, bandos de cristãos percorreram as ruas de Lisboa, pilhando, violando e matando judeus convertidos, ou não, ao cristianismo.
Relatos macabros são feitos destes acontecimentos. Pessoas queimadas vivas em fogueiras públicas no largo do Rossio, corpos mutilados em plenas ruas e jardins onde abutres depenicavam. Pessoas passeavam e brincavam com cabeças decepadas. Estes episódios só viriam a ser controlados depois da intervenção das tropas reais de D. Manuel.
Em 1536 a falta controversa de uma visão histórica por parte de D. João III, e graças ao domínio dos poderes religiosos retrógrados acabaram com o pouco que tínhamos, com consequências sociais desastrosas e fuga de capitais e inteligência para o estrangeiro
Grandes feitos históricos tiveram colaboração de judeus portugueses ou que viviam em Portugal. Alguns exemplos disso são Abraham Zacuto, matemático e astrónomo, veio para Portugal expulso de Castela. Foi autor das primeiras tábuas quadrienais do Sol para a navegação ou Tábuas Afonsinas. Após a expulsão de Portugal, foi para o Norte de África e daí para Damasco. Outro exemplo foi Mestre Jaime de Maiorca (acredita-se que fosse o célebre cartógrafo maiorquino Jafuda Cresques). Devido à perseguição em Maiorca converteu‑se ao cristianismo mudando seu nome para Jaime Ribes. Na década de 20 do século XV mudou‑se para Portugal ficando ao serviço de D. Henrique e dos descobrimentos.
Marquês de Pombal consegue, de certa forma, transformar a Inquisição submetendo-a à autoridade da coroa. Por decreto pombalino em 1773, terminou com a distinção e designação, profundamente segregacionista, de “cristão-novo” e “cristão-velho”. Esta medida teve um grande impacto, de tal forma que, juntamente com outras medidas, a Inquisição é extinta em Portugal a 31 de Março de 1821.
Com o enfraquecimento e posterior extinção da Inquisição, no início do século XIX, assistiu-se gradualmente, ao regresso de muitos judeus a Portugal.
Hoje os judeus sefarditas são aproximadamente 3 milhões e meio, representando desta forma cerca de 18 por cento dos judeus de todo o mundo.
As caminhadas e abertura de trilhos na Serra da Estrela começaram, muito provavelmente, com pastores, desde tempos muito remotos (mesmo muito remotos). Num passado mais próximo, e com caracter mais científico, a Sociedade de Geografia de Lisboa organizou aquela que viria a ser a I Expedição científica à Serra da Estrela, em 1881. Esta revelou-se não só num feito histórico da época como permanece até hoje como a única e maior concentração multidisciplinar de cientistas e meios no nosso país.
Quatro séculos antes, Portugal tinha começado a descobrir mundo além mar. Tornara-se um vasto império que ia de Ocidente a Oriente, no entanto, territórios do berço da nação permaneciam desconhecidos, representando a Estrela o maior reduto por descobrir.
A 1 de Agosto começava, na estação de Santa Apolónia, a expedição idealizada um ano antes, em sessão de 5 de Julho, por Luís Marrecas Ferreira, Luciano Cordeiro e o médico José de Sousa Martins (estes dois últimos fundadores da Sociedade), que pretendia promover uma estância sanatorial para a cura da tuberculose (que no século XIX, se tornou numa das doenças mais prevalecentes na Europa) em plena Serra da Estrela e a edificação de uma estação meteorológica. A Sociedade de Geografia de Lisboa convidaria também para esta aventura Hermenegildo Capelo, capitão-tenente da Armada Portuguesa e experiente explorador de terras africanas. Embora a Estrela, até então também chamada de Hermínio, não comportasse os perigos de África, representava um território desconhecido e selvagem, cheio de mitos e histórias, a sua experiência seria importante.
Alguns dos expedicionários – Dr. Sousa Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento
As grandes viagens de exploração marítima empreendidas desde o século XV e subsequentes conquistas de novos territórios, sobretudo em África, levaram à fundação, a par de outros países europeus, da Sociedade de Geografia de Lisboa cujo objectivo principal era a exploração e pesquisa desses novos territórios ultramarinos, sendo este interesse crescente com o receio de perda destas colónias (principalmente para a Grã-Bretanha).
De Lisboa partiam 42 membros, aos quais se juntaram outros tantos vindos de Coimbra, Porto, Mealhada, Guimarães e até de algumas localidades serranas. Ao todo eram cerca de 100 pessoas, entre cientistas, especialistas, médicos e pessoal de apoio, que durante duas semanas iriam percorrer a Estrela, desenhar mapas, observar espécies, recolher amostras, desmistificar histórias e conhecer as gentes serranas.
O grupo expedicionário propôs-se divulgar o conhecimento adquirido, publicando relatórios e documentos que ficariam depois disponíveis em arquivos, bibliotecas, museus e universidades. Nestes relatórios deveriam constar as dificuldades encontradas, a recolha e classificação das amostras e espécimens assim como a descrição das espécies e tradições. Cartografar, sondar, observar e curar, desenhar e fotografar, prestar serviço público, consultando, examinando, operando e dando medicamentos à população local (especialmente aos doentes), apontar mudanças e dar soluções, certificar e divulgar o conhecimento.
A campanha na serra começou a 4 de Agosto. O acampamento base situava-se na área do Cume, a curta distância da fonte dos Perus a 1850 metros de altitude. Durante a campanha os pastores (senhores da serra) foram guias incansáveis, desbravando caminhos, transmitindo saberes e ensinando a sobreviver nas árduas condições da montanha.
Torre, em 1881
Num regime tipicamente militar, em que havia alvorada e silêncio a toque de corneta, as várias disciplinas do conhecimento trabalharam durante 15 dias.
A maior parte dos dados e acervos recolhidos pelas diferentes secções de investigadores (não chegando a ser publicados metade dos relatórios previstos), estão atualmente preservados em arquivos públicos e centros de investigação de algumas universidades.
Os expedicionários da Sociedade de Geografia de Lisboa deveriam ter regressado à Serra da Estrela em 1883, pois a expedição fora planeada como plurianual. O mesmo não veio a acontecer, no entanto esta expedição abriu portas a outras explorações programadas, que embora não chegassem de perto à dimensão da primeira, revelaram-se de grande importância. É disso exemplo a grande descoberta feita em 1883 pelo geólogo Vasconcelos Pereira Cabral que publicou a primeira prova de uma glaciação na Península Ibérica depois de ter encontrado sulcos de glaciares, rochas aborregadas, blocos erráticos e moreias.
Muito ficou por descobrir, mas esta expedição talvez tenha despertado o início das investigações e conhecimento, mas também das caminhadas nesta que é a maior serra de Portugal continental.
Quem visita Roma deve conhecer, obrigatoriamente, o Panteão, uma das maiores e mais incríveis maravilhas da arquitectura romana. É um dos edifícios romanos (há quem diga “o”) mais bem preservados, devendo-se este facto à sua prolongada utilização como basílica católica, ajudando por isso na sua manutenção e evitando a deteriorização.
A sua importância arquitectónica é tal que é um dos edifícios que mais tem influenciado na história, tendo sido imitado em diversas épocas e lugares. Especialistas em arquitectura acreditam que este edifício é uma das obras-prima mais impressionantes que o mundo alguma vez viu.
O atual Panteão foi mandado construir/reconstruir pelo imperador Adriano, em 126 d.C., no local do edifício original construído por Marco Vispâncio Agripa durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C.-14 d.C.).
Este monumento, dedicado inicialmente a todos os Deuses (pan – de todos, theon – deuses), foi convertido em 609, pelo papa Bonifácio IV, na primeira igreja cristã do mundo. É consagrada a Santa Maria dos Mártires.
Panteão de Roma
O Panteão é magnífico. Um edifício circular em que a altura e o diâmetro da circunferência interior (esfera) são uns impressionantes 43,3 metros.
Representação esférica (imagem Wikimedia Commons)
No centro da cúpula está um óculo, uma abertura circular de 9 metros de diâmetro por onde entra a luz do sol que vai iluminar todo o espaço interior e onde se concentra o peso de 5000 toneladas de cimento romano (opus caementicium) que, dependendo da força exercida sobre a estrutura, continha um determinado tipo de rocha para tornar o seu peso menor. Por exemplo na cúpula era utilizada pedra vulcânica (pedra pomes) que por um lado fazia volume e por outro tornava a mistura mais leve.
Ainda hoje é a maior cúpula, em betão não-armado, do mundo.
Em volta, ladeados por colunas de mármore, destacando-se o que fica de frente para a entrada, o altar-mor.
Existem várias estátuas e pinturas alusivas a Santo Anastácio, Santa Ana e a Virgem, a Assunção, entre outros.
Pormenor do tecto no Panteão
Estão também aqui sepultadas várias figuras importantes da história de Roma e Itália e destacando-se os túmulos do rei Vitorio Emanuele II e o artista Rafael, mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento.
Na nossa opinião é um dos monumentos mais impressionantes de Roma.