Etiqueta: arrabida

  • Convento da Arrábida, o impressionante guardião da serra

    Convento da Arrábida, o impressionante guardião da serra

    À volta de uma lenda nasce um dos monumentos religiosos mais extraordinários do nosso país. O Convento da Arrábida, símbolo da harmonia entre a humanização da paisagem e a mãe natureza.

    Subimos a Arrábida em direcção do topo. De repente, a seguir a uma curva mais apertada, já no alto da serra, afigura-se numa das encostas um salpicado de casas brancas que se assomam no meio da vegetação. É o Convento de Nossa Senhora da Arrábida.

    Fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, religioso castelhano da Ordem de São Francisco, a quem D. João de Lencastre, primeiro duque de Aveiro, cedeu as terras da Arrábida para que aqui pudesse fazer a sua vida eremita (juntamente com outros três freires).

    A visita começa no largo mesmo em frente ao memorial a São Pedro de Alcântara (um dos freires que juntamente com Martinho de Santa Maria vieram fundar o convento). Num mote aos caminhos labirínticos que iremos percorrer, a simpática guia sugere que escolhamos um dos lados do memorial para iniciarmos a visita.

    Memorial São Pedro de Alcântara
    Memorial São Pedro de Alcântara

    Do outro lado, depois de percorrermos um pequeno caminho e descermos algumas escadas chegamos à Igreja do Convento. Na sua fachada principal uma estátua original de um franciscano com toda a simbologia que marcava a vida destes religiosos.

    Igreja do Convento da Arrabida
    Igreja do Convento

    Entramos na igreja, é pequena, tal como eram todas as da mesma ordem. Por cima do altar-mor uma pintura que simboliza a lenda de Nossa Senhora da Arrábida e que de certa forma deu origem, 300 anos depois, a este convento. Seguimos por dentro da igreja, por corredores que fazem lembrar cavernas e saímos num pequeno terraço com uma magnífica vista para o Atlântico e toda a encosta da serra.

    Terraço do Convento da Arrábida
    Um dos terraços do Convento da Arrábida

    Continuamos pela encruzilhada de caminhos, escadas e corredores do Convento. Notam-se as várias intervenções feitas ao longo de mais de 500 anos. Em 1863 o Duque de Palmela comprou o convento e fez algumas construções e restaurações. Estas são visíveis nas decorações com pequenas rochas e conchas que ornamentam os arcos, as portas e os fontanários.

    Recantos do Convento da Arrábida
    Recantos do Convento da Arrábida

    Ao longo do percurso vamos entrando em pequenas capelas de oração, nas minúsculas celas que davam abrigo e permitiam o recolhimento dos frades. É interessante ver algumas pequenas levadas que fazem parte de um discreto sistema hidráulico bastante elaborado que aproveita a água das pequenas nascentes que brotam dentro do recinto do convento e da chuva, que serviam depois para o consumo pessoal e rega dos jardins e o hortas.

    Estas águas eram também aproveitadas no lavadouro ou na cozinha onde se confeccionavam as refeições e que ainda hoje podemos visitar. Ao lado da cozinha o refeitório e mais acima a biblioteca que possuía um espólio muito importante de edições que hoje, por questões de conservação, estão na Fundação Oriente.

    Perto da biblioteca está uma das poucas peças de valor a que os frades se permitiram ter. É o relógio de corda (do século XVIII) que ainda hoje funciona.

    Do convento fazem parte também as ermidas que se vêm mais acima na serra, mais acima, o chamado convento velho. São visíveis sete ermidas ao longo do cume que desce a encosta.

    Convento velho
    Convento velho

     

    O Convento da Arrábida fica a cerca de 20 Kms de Setúbal.

  • Trilho do Calhau da Cova em Sesimbra

    Trilho do Calhau da Cova em Sesimbra

    Este trilho surpreende pela beleza enaltecida pela elevada inclinação das ravinas por onde passa. O percurso dá-nos a oportunidade de descermos às falésias onde antigamente os pescadores arriscavam a sua vida para tirarem do mar o seu sustento.

    Percurso do Calhau Cova
    Percurso do Calhau Cova

    O trajecto é linear, no entanto no regresso podem fazer-se algumas variantes no percurso sem nos perdermos. Começa-se junto à estrada de Argeis, na direcção Nascente de Sesimbra. Por entre vegetação caminha-se num percurso plano com subidas e descidas muito suaves.

    Paisagem do trilho do Calhau da Cova
    Paisagem do trilho do Calhau da Cova

    A meio do trajeto de ída, encontramos ruínas de casas que contam histórias de gentes que outrora as habitaram.

    Ruínas
    Ruínas

    Depois de passar as ruínas o caminho começa a estreitar até chegarmos a uma zona de cascalho. As ravinas impressionam e, embora seja seguro, deve caminhar-se com algum cuidado. Ao olhar para o horizonte o Atlântico perde-s de vista.

    Por do sol na Arrábida
    Por do sol na Arrábida

     

    Chegamos ao ponto em que começamos a descida até ao mar. Aqui a paisagens prende-nos a respiração. Avistamos a espantosa falésia da Serra do Risco, há quem diga que é a mais alta da Europa continental. É também a partir daqui que o trajecto se torna mais duro, uma descida muito inclinada, com pedras soltas. Há que ter muito cuidado.

    Paisagem do trilho Calhau da Cova
    Paisagem do trilho Calhau da Cova

    Descemos muitas (muitas mesmo) escadas (há quem lhe chame trilho dos 120 degraus) até chegarmos à pequena baía chamada Calhau da Cova. Esta pequena baía servia de abrigo aos barcos dos pescadores que outrora frequentavam este local para largar as armações.

    Este trilho, embora curto, vale a pena, pela magnífica paisagem!


    Como chegar lá

    Vindos de Sesimbra ou Lisboa (pela EN 379) na rotunda em Sampaio seguimos em direcção às pedreiras, Sesimbra Nascente.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Linear
    Estensão: 6 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: 

    Normas de conduta

  • Trilho do Chã dos Navegantes, Cabo Espichel

    Trilho do Chã dos Navegantes, Cabo Espichel

    A paisagem é simplesmente magnífica. É esta a melhor forma de descrever o percurso do trilho do Chã dos Navegantes.

    Mapa Chã dos Navegantes
    Mapa Chã dos Navegantes

    O inicio deste trilho começa num caminho perpendicular à estrada que dá acesso ao Cabo Espichel.

    O percurso começa em terreno praticamente plano. Ao fim de aproximadamente 1 Km fizemos um desvio para contemplar a vista sobre as falésias que caem até à Praia da Baleeira, apenas acessível por caminhos a pé ou de barco.

    Baleeira
    Baleeira

    Voltando ao trilho começamos a descer lentamente até chegarmos à beira das falésias onde vislumbramos o oceano Atlântico a perder de vista. Mais adiante chegamos às ruínas do Forte de São Domingos da Baralha. Este forte, que dominava a baía da Baleeira, era em pleno século XVII a primeira defesa da costa da Arrábida integrando a linha defensiva que se estendia de Albarquel a Sesimbra e que defendia o importante porto e povoação de Setúbal.

    Trilho Chã dos Navegantes
    Trilho Chã dos Navegantes

    Continua-se a caminhar junto ao mar e quando já estamos desviados deste, pois o trilho vai-nos encaminhando para o interior da encosta. Desviamos aproximadamente 400 metros para ver a magnífica formação rochosa do Arco da Pombeira, onde o mar entra bravio e se atira contra as paredes rochosas de uma câmara interior.

    Arco da Palmeira
    Arco da Palmeira

    Regressando novamente ao trilho subimos uma encosta íngreme, com um piso muito irregular mas que felizmente é curta até atingirmos a parte do trajecto mais plana que nos encaminhará até ao final.

    Lá longe, começamos a avistar o Farol do Cabo Espichel e o que resta da bataria de defesa mesmo na ponta do cabo. Seguimos em direcção ao farol.

    Farol do Cabo Espichel
    Farol do Cabo Espichel

    Um pouco mais a norte encontramos o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Este santuário é composto pela igreja, por hospedarias, Ermida da Memória, casa de Ópera, em ruína, Hortas dos Peregrinos, Casa da Água e aqueduto.

    O enquadramento paisagístico deste monumento, num planalto que termina em escarpas para o mar, torna-o monumental.

    Convento da Senhora do Cabo
    Convento da Senhora do Cabo

    Na fase final do percurso, já a caminho do ponto inicial vamos acompanhando o aqueduto do Santuário do Cabo Espichel que, em outros tempos, fornecia água ao convento.

     

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 7.7 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: C.M.Sesimbra

    Normas de conduta

  • Trilho do Alto do Formosinho, Arrábida

    Trilho do Alto do Formosinho, Arrábida

    A Arrábida é sem dúvida uma serra cheia de encantos e paisagens espetaculares. Percorrer a Serra a pé é a melhor forma de a sentir.

    Trilho do Alto Formosinho
    Trilho do Alto Formosinho

    O trilho para o Alto do Formosinho inicia-se em frente à entrada para o Convento da Arrábida (ponto azul no mapa).

    Mariolas
    Mariolas

    Começamos por subir pelo interior da vegetação através da qual se forma um “túnel” até sairmos num caminho de vegetação mais baixa onde, em alguns pontos, podemos ver o mar e toda a magnífica envolvência.

    Troia
    Troia visto do alto da Arrábida

    Alguns metros depois (aproximadamente 500m) entramos num bosque, onde em dias de calor é um dos locais mais frescos do percurso, aproveitamos para almoçar. As árvores dominantes nesta área são as azinheiras.

    Arrábida com vista para o oceano
    Arrábida com vista para o oceano

    Assim que se sai deste bosque começa o trajecto mais duro, o desnível é muito acentuado mas é compensado pela vista que se tem para Sul.

    Depois de chegar ao alto, pode vislumbrar-se também a vista para norte. Daqui pode ver-se toda a península de Setúbal, o Tejo, Lisboa e a serra de Sintra.

    Península de Setúbal e Lisboa
    Península de Setúbal e Lisboa

    O final do percurso é feito pela estrada que nos leva ao ponto inicial.

     


    Como chegar lá

    Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida e depois do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, vira-se à direita para Setúbal até chegar ao Convento da Arrábida. O Início do trilho fica mesmo em frente, numas escadas.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 6,2 Km
    Dificuldade: Alta
    Informações: Wikilok

    Normas de conduta

  • Trilho Serra do Risco na Serra da Arrábida

    Trilho Serra do Risco na Serra da Arrábida

    Poucos são os territórios em Portugal que foram tão estudados como a Serra da Arrábida, no entanto continua por ter muito a descobrir e a conhecer, é “um berçário da ciência”, como foi apelidada numa das edições da revista da National Geographic.

    Fizemos alguns trilhos pela Serra. Os trajectos na Arrábida, uns mais exigentes do que outros, não estão marcados e tem-se a vantagem, e o privilégio, de percorrer locais num estado muito selvagem. As poucas marcações que existem são “mariolas” (conjuntos de pedras sobrepostas) que indicam qual o trajecto a seguir.

    Trilho da Brecha da Arrábida
    Trilho da Brecha da Arrábida

    Este trilho, muito perto da serra do Risco, é curto e pouco exigente, com menos declive incialmente, e um pouco mais desnivelado no regresso mas nem por isso inadequado a crianças (fizemos com 4 crianças dos 1 aos 13 anos :)).

    A floresta não é muito densa e o caminho está definido (na sua maior parte feito pela marcação de um riacho seco), só necessitamos prestar atenção ao trajecto e dar “corda aos sapatos”.

    Vegetação do trilho
    Vegetação do trilho

    Ao chegar ao final, encontramo-nos a meio de uma magnífica ravina onde vislumbramos o oceano Atlântico. No dia em que fizemos o trilho pudemos assistir à escalada desta ravina por um grupo de alpinistas que estava no local.

    Ravina
    Ravina

    No regresso pelo mesmo caminho, sensivelmente a meio do percurso, cortamos à esquerda (para Oeste) para subir a encosta do pequeno vale.  A última parte do percurso é feita pela estrada que liga Sesimbra/Lisboa a Setúbal. Daqui tem-se um panorama magnífico do enquadramento da Serra com o oceano.

    Vista da estrada
    Vista da estrada

     


    Como chegar lá

    Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida.

    Depois de uma longa subida (com curvas), antes do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, do lado esquerdo, existe uma entrada para o miradouro da Brecha da Arrábida. Logo a seguir (ponto azul à esquerda no mapa) tem o início do trilho.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 3,2 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Não disponível

    Normas de conduta

  • Uma visita por Setúbal, entre o rio e a serra

    Uma visita por Setúbal, entre o rio e a serra

    A poucos quilómetros de Lisboa, Setúbal tem o poder de harmoniosamente unir a imponência da Serra da Arrábida e o esplendor do rio Sado.

    Numa das mais belas baías do mundo, onde se juntam as águas do Atlântico com as do rio (que dá nome aos habitantes da cidade, os sadinos) e nas faldas da frondosa Arrábida nasceu a cidade adoptada como filha por estas duas belezas naturais.

    Inicialmente designada por Cetóbriga, ocupada por fenícios e romanos há mais de 2000 anos, chegou a ser considerada um dos maiores portos do país e o maior complexo de salga de peixe do Império Romano.

    Aqui nasceram Bocage, poeta conhecido pela sua ironia e sátira à sociedade, Luísa Todi, importante cantora lírica e Sebastião da Gama, escritor e defensor da Arrábida,  entre outros.

    Longe vão os tempos áureos da cidade quando a sua economia representava muito no país e que infelizmente acabou há pouco mais de 30 anos com a indústria conserveira.

    Doca de Pesca
    Doca de Pesca

    Hoje cidade do peixe renasce para uma nova indústria: o turismo.

    Conhecida pela cidade da sardinha assada e do choco frito, também o vinho, o moscatel e o queijo são produtos de destaque a degustar.

    Começamos a visita na principal artéria da cidade, a avenida Luísa Todi. Atravessa a cidade de Este a Oeste e junto a ela podemos visitar a praça do Bocage onde se localiza o edifício da câmara municipal e a igreja de São Julião, um magnífico templo do século XVI. Daqui podemos visitar a Casa da Cultura e percorrer a baixa da cidade onde, no edifício do turismo, podemos ver salgadeiras de peixe do período romano.

    Praça do Bocage
    Praça do Bocage (e estátua de Bocage) com o edifício da Câmara Minucipal ao fundo

     

    Na baixa da cidade podemos ainda ver a Sé Catedral, uma igreja do século XVI, e mesmo ao lado a casa do Corpo Santo. Subindo da baixa em direcção à porta de São Sebastião chegamos ao miradouro do mesmo nome, e muito perto, numa espécie de labirinto de ruas, onde nasceu Bocage, chegamos à igreja de São Sebastião.

    Sé Catedral de Setúbal
    Sé Catedral de Setúbal

    Muito perto daqui e colocando-nos de volta à avenida Luísa Todi temos o edifício da Biblioteca Municipal e percorrendo esta artéria podemos visitar a Casa da Baía, a Galeria Municipal (no antigo edifício do Banco de Portugal) e o Mercado do Livramento considerado um dos melhores mercados de peixe do mundo.

    Um dos símbolos de Setúbal é sem sombra de dúvida o Convento de Jesus. Essa importância deve-se a vários aspectos: ao facto de ter marcado a expansão de Setúbal (na altura vila) para fora das primeiras muralhas; ter sido a primeira construção do país no Estilo Manuelino (ainda nem reinava D.Manuel I); e de aqui se ter assinado a ratificação ao Tratado de Tordesilhas, tendo ficado desta forma o nome de Setúbal ligado a um dos momentos mais importantes da história universal de Portugal.

    Convento de Jesus, Setúbal
    Convento de Jesus, Setúbal

    Continuando pela história subimos uma das colinas junto à cidade e chegamos ao Forte de São Filipe. Inspirado no Castelo de Sant’Elmo, em Nápoles – Itália, esta fortaleza é um belíssimo exemplar de arquitetura militar maneirista.

    Forte de São Filipe
    Forte de São Filipe

    Na frente ribeirinha podemos contemplar o rio no ponto em que se junta ao mar, Tróia mesmo em frente (pode atravessar de barco para lá – ferry ou catamaran), a doca dos pescadores, os jardins à beira mar, entre outras atracções.

    Mas Setúbal não é só a cidade, é também a Serra da Arrábida onde “nasceu”, em harmonia com a montanha, o Convento da Arrábida, onde podemos aproveitar as magníficas praias, visitar a gruta da Lapa de Santa Margarida no Portinho da Arrábida ou fazer uns trilhos pedestres. Setúbal é também o Estuário do Sado onde se podem observar os golfinhos em estado selvagem.

     


    O quê e onde comer

    Setúbal é a terra do peixe e por isso mesmo recomenda-se a caldeirada de peixe, a sardinha e carapaus  assados, o salmonete à setubalense e obviamente o choco frito.

    Para comer todas estas especialidades recomendamos o Forno da Lotta, um restaurante típico, no bairro da Fonte Nova.

    Para o choco frito o melhor é mesmo o “Leo do petisco“, no final da avenida Luísa Todi, na direcção das praias.

    Se pretende um espaço diferente com música ambiente e com óptimo atendimento onde poderá petiscar a qualquer hora, o Sem horas é uma boa opção.

     

  • Estuário do Sado

    Estuário do Sado

    Pôr do sol no Estuário do Sado, mesmo em frente à Baía de Setúbal.