Etiqueta: caminhadas

  • Trilhos pedestres, cuidados e normas de conduta

    Trilhos pedestres, cuidados e normas de conduta

    Praticar caminhadas, em especial por trilhos na natureza, dá-nos algumas responsabilidades e cuidados especiais que devemos ter em conta:

     

    • Em percursos longos, planifique-o. Reúna previamente a informação disponível e necessária e certifique-se que termina a caminhada antes do anoitecer.
    • Não faça fogo;
    • Seja cortês com os habitantes locais e respeite os seus costumes e tradições;
    • Respeite a propriedade privada (feche portões e cancelas);
    • Não perturbe o gado e não danifique as culturas agrícolas;
    • Respeite a natureza, não recolha e/ou perturbe animais e plantas ou danifique formações geológicas;
    • Se encontrar um animal selvagem ferido ou debilitado, procure reencaminha-lo para um centro de recuperação de fauna selvagem;
    • Não deixe lixo ou vestígios da sua passagem;
    • Em algumas situações terá que transpor estradas asfaltadas, faça-o com atenção;
    • Circule pelos trilhos sinalizados e respeite a sinalização existente.

    Para sua segurança

    • Leve sempre água, mantimentos, protetor solar, roupa e calçado adequados e estojo básico de primeiros socorros;
    • Não caminhe sozinho, pelo menos nos trajectos maiores e desconhecidos, leve sempre companhia;
    • Recolha previamente informação sobre o trilho;
    • Se possível leve um telemóvel consigo;
    • Confirme as condições meteorológicas no local do percurso.

     

    Sinalização universal

    Sinalização de trilhos

     

    Em suma, alguém dizia: “Tire apenas fotos, deixe apenas pegadas, leve apenas as suas lembranças”.

  • Trilho do Alto do Formosinho, Arrábida

    Trilho do Alto do Formosinho, Arrábida

    A Arrábida é sem dúvida uma serra cheia de encantos e paisagens espetaculares. Percorrer a Serra a pé é a melhor forma de a sentir.

    Trilho do Alto Formosinho
    Trilho do Alto Formosinho

    O trilho para o Alto do Formosinho inicia-se em frente à entrada para o Convento da Arrábida (ponto azul no mapa).

    Mariolas
    Mariolas

    Começamos por subir pelo interior da vegetação através da qual se forma um “túnel” até sairmos num caminho de vegetação mais baixa onde, em alguns pontos, podemos ver o mar e toda a magnífica envolvência.

    Troia
    Troia visto do alto da Arrábida

    Alguns metros depois (aproximadamente 500m) entramos num bosque, onde em dias de calor é um dos locais mais frescos do percurso, aproveitamos para almoçar. As árvores dominantes nesta área são as azinheiras.

    Arrábida com vista para o oceano
    Arrábida com vista para o oceano

    Assim que se sai deste bosque começa o trajecto mais duro, o desnível é muito acentuado mas é compensado pela vista que se tem para Sul.

    Depois de chegar ao alto, pode vislumbrar-se também a vista para norte. Daqui pode ver-se toda a península de Setúbal, o Tejo, Lisboa e a serra de Sintra.

    Península de Setúbal e Lisboa
    Península de Setúbal e Lisboa

    O final do percurso é feito pela estrada que nos leva ao ponto inicial.

     


    Como chegar lá

    Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida e depois do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, vira-se à direita para Setúbal até chegar ao Convento da Arrábida. O Início do trilho fica mesmo em frente, numas escadas.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 6,2 Km
    Dificuldade: Alta
    Informações: Wikilok

    Normas de conduta

  • Revisitamos a primeira expedição científica à Serra da Estrela

    Revisitamos a primeira expedição científica à Serra da Estrela

    As caminhadas e abertura de trilhos na Serra da Estrela começaram, muito provavelmente, com pastores, desde tempos muito remotos (mesmo muito remotos). Num passado mais próximo, e com caracter mais científico, a Sociedade de Geografia de Lisboa organizou aquela que viria a ser a I Expedição científica à Serra da Estrela, em 1881. Esta revelou-se não só num feito histórico da época como permanece até hoje como a única e maior concentração multidisciplinar de cientistas e meios no nosso país.

    Quatro séculos antes, Portugal tinha começado a descobrir mundo além mar. Tornara-se um vasto império que ia de Ocidente a Oriente, no entanto, territórios do berço da nação permaneciam desconhecidos, representando a Estrela o maior reduto por descobrir.

    A 1 de Agosto começava, na estação de Santa Apolónia, a expedição idealizada um ano antes, em sessão de 5 de Julho, por Luís Marrecas Ferreira, Luciano Cordeiro e o médico José de Sousa Martins (estes dois últimos fundadores da Sociedade), que pretendia promover uma estância sanatorial para a cura da tuberculose (que no século XIX, se tornou numa das doenças mais prevalecentes na Europa) em plena Serra da Estrela e a edificação de uma estação meteorológica. A Sociedade de Geografia de Lisboa convidaria também para esta aventura Hermenegildo Capelo, capitão-tenente da Armada Portuguesa e experiente explorador de terras africanas. Embora a Estrela, até então também chamada de Hermínio, não comportasse os perigos de África, representava um território desconhecido e selvagem, cheio de mitos e histórias, a sua experiência seria importante.

    Alguns dos expedicionários - Gentil Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento
    Alguns dos expedicionários – Dr. Sousa Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento

    As grandes viagens de exploração marítima empreendidas desde o século XV e subsequentes conquistas de novos territórios, sobretudo em África, levaram à fundação, a par de outros países europeus, da Sociedade de Geografia de Lisboa cujo objectivo principal era a exploração e pesquisa desses novos territórios ultramarinos, sendo este interesse crescente com o receio de perda destas colónias (principalmente para a Grã-Bretanha).

    De Lisboa partiam 42 membros, aos quais se juntaram outros tantos vindos de Coimbra, Porto, Mealhada, Guimarães e até de algumas localidades serranas. Ao todo eram cerca de 100 pessoas, entre cientistas, especialistas, médicos e pessoal de apoio, que durante duas semanas iriam percorrer a Estrela, desenhar mapas, observar espécies, recolher amostras, desmistificar histórias e conhecer as gentes serranas.

    O grupo expedicionário propôs-se divulgar o conhecimento adquirido, publicando relatórios e documentos que ficariam depois disponíveis em arquivos, bibliotecas, museus e universidades. Nestes relatórios deveriam constar as dificuldades encontradas, a recolha e classificação das amostras e espécimens assim como a descrição das espécies e tradições. Cartografar, sondar, observar e curar, desenhar e fotografar, prestar serviço público, consultando, examinando, operando e dando medicamentos à população local (especialmente aos doentes), apontar mudanças e dar soluções, certificar e divulgar o conhecimento.

    A campanha na serra começou a 4 de Agosto. O acampamento base situava-se na área do Cume, a curta distância da fonte dos Perus a 1850 metros de altitude. Durante a campanha os pastores (senhores da serra) foram guias incansáveis, desbravando caminhos, transmitindo saberes e ensinando a sobreviver nas árduas condições da montanha.

    Torre, em 1881
    Torre, em 1881

    Num regime tipicamente militar, em que havia alvorada e silêncio a toque de corneta, as várias disciplinas do conhecimento trabalharam durante 15 dias.

    A maior parte dos dados e acervos recolhidos pelas diferentes secções de investigadores (não chegando a ser publicados metade dos relatórios previstos), estão atualmente preservados em arquivos públicos e centros de investigação de algumas universidades.

    Os expedicionários da Sociedade de Geografia de Lisboa deveriam ter regressado à Serra da Estrela em 1883, pois a expedição fora planeada como plurianual. O mesmo não veio a acontecer, no entanto esta expedição abriu portas a outras explorações programadas, que embora não chegassem de perto à dimensão da primeira, revelaram-se de grande importância. É disso exemplo a grande descoberta feita em 1883 pelo geólogo Vasconcelos Pereira Cabral que publicou a primeira prova de uma glaciação na Península Ibérica depois de ter encontrado sulcos de glaciares, rochas aborregadas, blocos erráticos e moreias.

    Muito ficou por descobrir, mas esta expedição talvez tenha despertado o início das investigações e conhecimento, mas também das caminhadas nesta que é a maior serra de Portugal continental.