Medina de Fez, um regresso às origens

by Nós por aí | 2018-11-28 | Marrocos

Na medina de Fez (a mais antiga do mundo) cruzam-se, nas labirínticas ruas, berberes e árabes numa azáfama diária que tão caracteristicamente lhe dão vida. Cruzar as muralhas e entrar na medina é como recuar no tempo e chegar à Idade Média.

Porta Azul

Porta Azul

Aqui a cultura e as tradições mantêm-se praticamente inalteradas. A religião fervilha lado-a-lado com as actividades, ainda artesanais. É frequente ver os transeuntes com os trajes típicos, as senhoras com hijabe ( lenço a cobrir o cabelo e o pescoço) e até mesmo com o rosto coberto.

Porta árabe

Porta árabe

Com mais de 1200 anos, a medina de Fez, a maior área urbana pedestre do mundo, é património mundial da UNESCO desde 1981. Dizem os locais, com algum orgulho, que tem mais de nove mil ruas. Cada uma delas tem uma história para contar, uma fonte, uma mesquita ou uma madrassa para ver.

Para os mais afoitos andar pela medina é um desafio constante, não vale a pena utilizar GPS pois muito raramente vai funcionar, assim como o nosso sentido de orientação. Para quem não tem tanta coragem ou sofre de alguma “claustrofobia” o melhor é mesmo andar com um guia.

Rua da medina

Rua da medina

Com alguma coragem, embrenhamo-nos sozinhos na medina e na vida local. Conseguimos sentir as tradições ainda vivas de algumas actividades, que em outro qualquer lugar já se extinguiram (pelo menos de uma forma tão artesanal).

Padeiro

Padeiro

As ruas estreitas estão cheias de pessoas, de bancas de venda dos produtos, de turistas e de comerciantes que passam e transportam as suas mercadorias, muitos ainda utilizam os burros como meio de carga.

Medina de Fez

Rua da Medina de Fez

Por todo o lado se avistam minaretes das mesquitas espalhadas por toda a medina. Uma das mais importantes é sem dúvida a al Quaraouiyine integrada na universidade do mesmo nome, que é a mais antiga do mundo (fundada em 859), ainda em actividade.

Minarete

Minarete

Tal como as mesquitas também as madrassas encontram-se com facilidade. A mais importante é a Bu Inania.

Bu Inania

Sala de oração da madrassa Bu Inania

Mesmo em frente fica o relógio Dar al-Magana (de 1357), uma casa que é ao mesmo tempo um relógio hidráulico. Na verdade a forma como funcionava ainda se mantém um mistério. O relógio tem 13 janelas e plataformas de madeira que sustentavam taças de latão.

Relógio hidráulico

Relógio hidráulico

Ainda é possível ver-se no exterior estas características estando o seu mecanismo interior numa fase de intervenções de restauro.

Os mercados ou souks (em árabe), são as actividades mais frequentes nas ruas. Estes estão divididos em sectores, isto é, cada zona ou rua tem um tipo de mercado: alimentar, vestuário, artesanato, artigos de pele, entre outros. Regatear o preço é uma obrigação.

Nos sectores alimentares podem ver-se, para além das guloseimas típicas, as mais variadas especiarias que enchem as bancas de cores.

Especiarias

Especiarias

As tinturarias e curtições (tanarias) de peles são uma das actividades mais procuradas por quem visita Fez. De forma artesanal as peles de cordeiro, cabra, vaca e camelo são tratadas. O primeiro tratamento da pele é feito com sal, secas ao sol e removidos os pêlos. Em seguida utiliza-se a cal, juntamente com excrementos de animais e são colocadas novamente a secar. Só depois seguem para  os tanques onde são tingidas com cores resultantes de pigmentos naturais e postas novamente a secar. Depois da secagem são raspadas e amaciadas, até ficarem prontas para serem utilizadas em malas, carteiras, puffs, babouches e até mesmo instrumentos musicais.

Tinturarias de peles

Tinturarias de peles

Existem três tinturarias na medina sendo a de Chouara a maior e mais conhecida.

Também famosas são as peças de olaria azuis cobalto e brancas tão características de Fez. Vêm-se à venda em muitos locais. Antigamente as olarias estavam dentro da medina mas devido à poluição que faziam foram obrigadas a instalar-se fora das muralhas e da cidade.

O artesanato não se fica pela olaria, a latoaria também tem grande tradição e é na praça Seffarine, muito próximo da porta e praça Rcif, que se podem ver os artesão a trabalhar o latão e o bronze que transformam nos mais variados utensílios da vida quotidiana ou para decoração como são o caso das ornamentadas lanternas.

Artesão

Artesão a moldar peça de latão

 

Porta e praça Rcif

Porta e praça Rcif

É frequente verem-se também as farmácias berberes onde se vendem todo tipo de ervas, óleos, unguentos e especiarias.

Muitos locais existem para visitar dentro da medina, há que planear bem.

 

Se encontrou alguma incorreção neste artigo, por favor, diga-nos.


Partilhar artigo:      

 

    #fez  #marrocos  #medina  #mesquita