Envergonhada!
Na Caota, uma pequena aldeia piscatória a poucos quilómetros de Benguela uma rapariga fica envergonhada com a lente da máquina fotográfica.

Envergonhada!
Na Caota, uma pequena aldeia piscatória a poucos quilómetros de Benguela uma rapariga fica envergonhada com a lente da máquina fotográfica.

A 700 Km a Sul da capital do país, Benguela, parece que parou no tempo. As casas, os edifícios públicos, as ruas permanecem iguais tal como as “deixaram” há 50 anos atrás.

Nascida numa magnífica baía, entre o Atlântico e a savana, é conhecida pelas suas magníficas praias, que vão desde a praia Morena até à Baía Azul, e pelas “pescarias” (empresas de pesca instaladas junto ao mar) que fornecem peixe e seus derivados (óleo, farinha, etc.) para o resto do país.

A presença portuguesa está viva em todos os lados. Nas áreas residenciais veêm-se moradias da época colonial que mantêm a traça. Os hábitos também são mantidos e na parte de trás das casas, existe um quintal onde se fazem os almoços familiares aos sábados, conhecidos como “sentadas” familiares, que se prolongam até à noite.

Embora existam alguns palácios na cidade, estes não podem ser visitados pois albergam serviços públicos. São exemplo disso o Palácio do Governador e a sede provincial do MPLA, outrora sede da associação dos comerciantes da cidade. Visite a Sé catedral e a igreja da Senhora do Pópulo, dois exemplos de edifícios religiosos coloniais.


É interessante andar pelo centro da cidade e assistir ao decorrer da vida benguelense: o comércio, as vendedoras de rua, os “cupapatas” (uma espécie de taxis de mota), os pedicures (sim, homens que fazem as unhas) entre outros transeuntes.

O forte desta cidade (e província) são mesmo as praias e monumentos naturais.

Indo para Sul passámos pela praia de Santo António, Caotinha, Caota, Baía Azul e Baía Farta e pela mais recente indústria de extracção de sal.
O que comer?
A comida típica desta região é o calulu, um guisado de peixe, fresco ou seco, com ervas, acompanhado de pirão (no Norte é chamado de funge). Nós tivemos o privilégio de comer calulu caseiro na companhia de amigos.
Nota: Benguela é conhecida pela cidade das acácias rubras pois nas ruas existem várias destas árvores que no verão ficam cheias de flor alaranjadas e daí o nome. Infelizmente não pudemos ver as acácias floridas porque visitamos a cidade no inverno.
Como ir
A partir de Luanda, pode ir de carro, a viagem é longa (cerca de 600 Km) e as estradas não estão muito boas. Se estiver com tempo e sem crianças vale a pena ir, nas calmas.
De avião, há voos diários com a TAAG (recomendamos) e a Sonair para o aeroporto da Catumbela.
País: Angola
Idioma: Português
Moeda: Kuanza (Kz)
Cód.Telefónico: +244
Fuso horário: 0 horas

A primeira coisa que deve vir ao pensamento de quem lê este texto é: o quê? viajar em lazer para Angola?
Pois é isso mesmo, depois de alguma burocracia saíram os vistos e lá fomos nós.
A par de outros países da África Central, Angola ainda conserva muito da essência e das raízes africanas (nada exploradas pelo turismo): clima, fauna, flora, paisagem, cultura e gente genuína. Por exemplo, assim que saímos de Luanda, para Sul, na barra do rio Kwanza, passamos numa pequena floresta tropical onde pudemos ver macacos que vêm ter connosco à espera que lhe demos de comer.

O que torna o país único é também o seu clima que, embora localizado na zona tropical, tem características muito particulares, existindo apenas duas estações no ano, o verão (das chuvas) que vai de Outubro a Abril e a seca, conhecida por cacimbo, de Maio a Agosto.
As línguas bantas (um ramo linguístico do grupo benue-congolês da família nigero-congolesa), como o kimbundu (Norte e Luanda), o mbundu (no Sul) e o chokwe (Nordeste e parte central do país) ainda são faladas em diversas zonas do país, sobretudo pelos mais velhos.
O povo Chokwe por exemplo tem uma das culturas mais ricas do país e a sua arte, ligada ao culto dos antepassados e à celebração da vida, tem inspirado muitos artistas contemporâneos. A UNESCO atribuiu mesmo o título de património imaterial da humanidade às máscaras Mukishi deste povo.

Os Chokwe faziam parte do império Lunda ou de Mwata Yanvo Muatianvuas, cuja ascensão e queda na região central africana aconteceu entre os séculos XVII e XIX.
Os angolanos são pessoas afáveis, humildes e amigos de ajudar. Na sua cultura e vivência continua ainda muito enraizada (pela positiva) a presença colonial portuguesa assim como os costumes – exemplo disso é o Museu de História Militar de Angola no Forte de São Miguel (em Luanda). Existe alguma simpatia, e até afecto, pelos “tugas” ou “pulas” chegando a haver a diferenciação entre estrangeiros e portugueses.

Logo quando saímos do avião sentimos uma baforada de sensações que nos activam quase todos os sentidos, o calor, o cheiro da terra, o sotaque das pessoas, a envolvência ambiental.
Uma coisa muito importante a ter em mente, e nunca esquecer, é que estamos em Angola, tudo tem tempo para acontecer, por isso habitue-se, tudo é feito com calma (muita calma), sem stress e sem hora marcada.
Luanda é o centro da vida política e económica de Angola. A capital tem mais de oito milhões de habitantes, distribuída entre as modernas construções, os bairros mais modestos e os “musseques”.

Na linha de costa, muito mais calmo, é interessante visitar Benguela, Lobito, Sumbe e o Namibe, sem esquecer Cabinda. Mais no interior Malange, Huambo, Lubango e Dundo. Claro que o que há para visitar não se cinge apenas a estes locais, para além das cidades existe muito mais: as florestas tropicais, as quedas de Kalandula em Malange, o parque o Parque Nacional de Quiçama, o deserto do Namibe (o mais antigo do mundo), a serra da Leba, a nascente do Okavango, e muito, muito mais.

Into the Okavango – Documentário National Geographic (projecto Okavango Wilderness Project’s 2018)
Angola não é só o país onde se vai trabalhar, há muito para ver, descobrir e redescobrir neste país que renasceu há pouco mais de 40 anos.