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  • Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Quando se visita Atenas não se conhece apenas uma grande cidade com monumentos e lojas de lembranças, entra-se num museu que nos dá a conhecer uma grande parte da história da humanidade. Caminhar pelas ruas de Atenas é fazer os mesmos caminhos de grandes filósofos, poetas, guerreiros e arquitectos visionários que moldaram o curso da civilização e transformaram esta cidade no principal centro cultural e intelectual do Velho Mundo. É sentir uma das cidades mais antigas do mundo, habitada há mais de 3000 anos.

    Durante o período clássico da Grécia Antiga, entre os séculos VI a.C. e IV a.C., Atenas celebrava todos os anos a procissão Panatenaica (fazia parte das festas realizadas em homenagem à deusa grega Atena) que atravessava a via com o mesmo nome. Esta artéria ía da porta de Dipilon, na muralha da cidade, até à Acrópole (culminando no templo de Erecteion ou no Parthenon, dependendo do ano) passando pela Ágora, uma ampla praça rodeada de edifícios públicos, entre eles as Estoas, grandes edifícios onde comerciantes vendiam os seus produtos, artistas expunham as suas obras e pensadores, como Sócrates ou Platão, debatiam ideias. Hoje, na Ágora grega, podemos visitar a Estoa de Átalo, reconstruída no século XX, e à sua frente, numa pequena colina o Templo de Hefesto (Deus do Fogo) [fotografia de capa], considerado o templo grego melhor conservado.

    Com a ascensão do poderio marítimo, Atenas transformava-se numa importante potência naval do Mediterrâneo, com uma frota de cerca de 900 barcos, estabelecendo na península de Piréu uma base naval fortificada. Para assegurar o acesso de Atenas a este porto, Péricles construiu uma via muralhada que ligava a base naval diretamente à cidade de Atenas. Atualmente a via muralhada já não existe e do Porto de Piréu já não saem navios de guerra, mas funciona como ponto de partida para as ilhas gregas e é paragem obrigatória dos cruzeiros que percorrem o Mar Egeu.

    Península de Piréu, Grécia
    Península de Piréu

    No início do século I a.C., já no Império Romano, Atenas continuou a crescer graças à vontade de alguns imperadores de Roma, principalmente Adriano qua a visitava várias vezes, e é nessa altura que foi criada a Ágora Romana. Aqui, num dos extremos, pode-se ainda ver a Torre dos Ventos, também conhecida pela Torre do Horológio, pois tem um relógio de água no interior e um relógio de sol no exterior, e o resto do que ficou de uma das entradas da Ágora.

    Torre dos Ventos, Atenas
    Torre dos Ventos

    O Imperador Adriano resolveu acabar as obras do Templo de Zeus Olímpico, que tinha começado a ser construído sete séculos antes, durante o governo grego. Um dos maiores templos gregos, com mais de 4000 metros quadrados, tinha 104 colunas coríntias das quais apenas restam 16 que podem ser visitadas.

    Templo de Zeus Olímpico
    Templo de Zeus Olímpico

    Fora das muralhas, hoje centro da Atenas, foi reconstruído por Heródes Ático, o Estádio Panatenaico – originalmente construído no século IV a.C. para os jogos Panatenaicos (que também faziam parte das festas da deusa Atena) – para receber provas de atletismo. Durante a Idade Média foi desmantelado para aproveitar pedra para outras construções na cidade e finalmente em 1896 voltou a ser reconstruído para receber os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna.

    Estádio Panatenaico, Atenas
    Estádio Panatenaico

     

    Acrópole, Atenas
    Acrópole e Odeon de Heródes (em primeiro plano), Atenas

    Logo abaixo da Acrópole pode visitar-se o Odeon de Heródes que em 1950 foi restaurado e desde esse ano é palco do Festival de Atenas (entre maio e outubro).

    Mas é na Acrópole (do grego akros, o ponto mais alto e polis, cidade) que fica o expoente máximo de Atenas e da Grécia, a Acrópole de Atenas. Uma obra prima sem igual, mandada construir por Péricles, em 447 a.C., representa o esplendor de Atenas, a primeira democracia do mundo.

    Inicialmente uma fortaleza e santuário religioso, destruído pelos persas aquando da invasão de Atenas, foi projectado por Fídeas, totalmente construído em mármore, concentra arte, religião e política num só lugar. Ainda hoje continua a inspirar arquitectos de todo o mundo e isso espelha-se na Assembleia Nacional de França em Paris, a Câmara Municipal de Verona, o Panteão de Roma e até mesmo o logotipo da UNESCO.

    Ao lado do Parthenon foi erigido o Erecteion, um centro de culto dos atenienses onde há 2500 anos se planta uma oliveira (ainda hoje é possível ver essa oliveira), a árvore emblemática da cidade, para recordar o mito fundador de Atenas que opôs Poseidon e Atena.

    À entrada da Acrópole está a escultura de Nice, ou Atena Nice (ou Nike), a deusa da Vitória. As estátuas desta deusa eram usadas para comemorar as vitórias nas batalhas. Uma das mais famosas é da vitória de Samotrácia que está no Museu do Louvre, destacada no cimo de uma escadaria.

  • Atenas, do antigo esplendor à beleza romântica

    Atenas, do antigo esplendor à beleza romântica

    Com mais de 2000 anos, a Acrópole de Atenas continua a fascinar a humanidade. Hoje, é um dos monumentos mais visitados em todo o mundo. Para uns é a glória e o esplendor do passado, o berço da democracia, para outros, é uma fonte de inspiração e visão romântica da arquitetura clássica que continua a influenciar artistas e arquitetos.

    Na Acrópole, o Parthenon, dedicado à Deusa Atena, convertido em igreja cristã no tempo do Império Bizantino e mais tarde convertida em mesquita quando tomada pelo império Otomano é colossal. Daqui, avista-se a imensidão da cidade,  lá em baixo há uma infinidade de história e atrações à espera de serem explorados.

    Da praça Monastiraki, uma espécie de ponto central, partem ruas e ruelas que nos levam em todas as direções. Percorrer o centro de Atenas é como virar páginas de história que vai da Antiga Grécia à era moderna passando pelos Impérios Romano, Bizantino e Otomano, todas as épocas estão presentes.

    Por toda a cidade estão espalhadas igrejas e capelas. Um desses exemplos é a bela Panagia Kapnikarea ou Igreja Universitária Sagrada da Apresentação da Virgem Maria, muito próximo da Monastiraki.

    Praça Monastiraky, Atenas
    Santa Igreja da Virgem Maria Pantanassa na praça Monastiraky, Atenas

     

    Catedral Metropolitana de Atenas
    Catedral Metropolitana de Atenas

    Ali perto, no bairro de Plaka, um dos mais antigos e genuínos da cidade, há antiquários, tabernas tradicionais e restaurantes modernos que celebram a rica herança cultural e gastronómica do país. Provar pratos locais como moussaka, souvlaki e baklava são uma degustação obrigatória para quem visita a cidade. Seja dia ou noite,  durante a semana ou fim-de-semana as ruas estão sempre animadas com muito movimento. A não perder um jantar típico numa esplanada, com musica grega ao vivo.

    A influência árabe e turca dos souks é notória no comércio de rua e o mercado Municipal Central de Varvakios é exemplo disso. Aqui há peixe fresco, carne e produtos agrícolas frescos.

    Municipal Central de Varvakios, Atenas
    Municipal Central de Varvakios

    Continuando a mergulhar na história, na Ágora de Atenas, o coração político, comercial e social da antiga cidade, onde filósofos como Sócrates e Platão discutiam ideias que moldariam o mundo ocidental é possível, visitar a restaurada Estoa de Átalo, um dos maiores edifícios da antiga Atenas. No mesmo complexo museológico visite o impressionante Templo de Hefesto (homenagem ao filho de Hera e de Zeus) que, embora menos conhecido do que o Parthenon, impõe a sua importância e é considerado um dos templos gregos melhor conservados do mundo.

    Templo de Hefesto em Atenas
    Templo de Hefesto

    O estádio de Panatenaico é o Berço das Olimpíadas da época moderna, restaurado para receber os Jogos Olímpicos de 2004, 100 anos depois dos primeiros Jogos.

    O Museu Arqueológico Nacional é outro tesouro imperdível, abrigando uma vasta coleção de artefatos e esculturas que contam a história fascinante da Grécia Antiga.

    Ponto de passagem obrigatória é a praça Syntagma, onde está o Parlamento Helénico e o Túmulo do Soldado Desconhecido, onde se pode assistir ao render da guarda.

    Praça Syntagma, Atenas
    Parlamento Helenico na praça Syntagma

    Atenas, banhada pelo Mediterrâneo, também é mar e praia. Em frente à marginal de Poseidonos, a praia de Bati é frequentada durante todo o ano, nem que seja para jogar xadrez ou gamão, dois jogos muito populares entre gregos. Continuando para ocidente encontramos o Porto de Pireu (ligado na Grécia Antiga, à Acrópole por uma via amuralhada) de onde partiam as armadas gregas para combater no Mediterrâneo.

    Mar Mediterânico
    Mar Mediterânico

    Há muito mais para visitar na cidade, a Ágora Romana, o monumento a Dionísio (estátua do touro) no Sítio Arqueológico de Kerameikos, a prisão de Sócrates entre outros. Vale a pena subir ao monte Philopappos de onde se avista a costa mediterrânica e a Acrópole em todo o seu esplendor.

    Atenas é muito mais do que apenas um destino turístico, é uma jornada através do tempo, onde os vestígios do passado se fundem harmoniosamente com o presente, criando uma experiência verdadeiramente inesquecível para todos os que a visitam.