Etiqueta: serra da estrela

  • Do Vale do Rossim às Penhas Douradas

    Do Vale do Rossim às Penhas Douradas

    Este trilho (na boa verdade são dois trilhos) leva-nos a atravessar uma área fabulosa da Serra da Estrela que vai desde a lagoa do Vale do Rossim até aos formidáveis declives das Penhas Douradas. Atravessamos dois concelhos (Gouveia e Manteigas) mas mais do que isso uma paisagem incrível.

    Mapa do Trilho
    Mapa do Trilho

     

    Barragem do Vale do Rossim
    Barragem do Vale do Rossim

    Começamos nas margens da Lagoa do Rossim. Nesta zona o trilho não está marcado, basta seguir a margem Sudeste da lagoa até ao ponto em que viramos para o interior da floresta. Se o nível da água estiver baixo facilita a travessia, caso esteja mais cheio podemos fazer alguns troços pelo bosque não perdendo de vista a margem. Quase no final da barragem viramos a Nordeste.

     

    Vale das Éguas
    Vale das Éguas

    Passamos pelo Seixo Branco (um afloramento de quartzo róseo que representa um dos locais mais curiosos, sob o ponto de vista geológico, da Serra) ou pela pequena estrada de terra batida. Depois de subir um pouco, encontrarmos um pequeno vale onde se avista um aglomerado de árvores (pinheiros), é o Vale das Éguas. Ambos os trajectos valem a pena serem feitos (é pena não dar para fazer os dois ao mesmo tempo 🙂 ).

    Continuando em direcção às Penhas Douradas fazemos um pequeno desvio até ao miradouro do Fragão do Corvo. É um dos melhores miradouros da Estrela. Lá em baixo a pequena vila de Manteigas.

    No percurso até ao Fragão do Corvo podem admirar-se as construções típicas desta área. Há muitos anos atrás as Penhas Douradas foram procuradas por pessoas que sofriam de tuberculose e outras doenças respiratórias. Os mais abastados, aliando a saúde ao deslumbre do local, chegaram a construir casas que ainda hoje perduram.

    Casa nas Penhas Douradas
    Casa nas Penhas Douradas

    Retomando o percurso,  vamos em direcção à estrada que liga as Penhas Douradas ao Vale do Rossim. Nesse mesmo sentido e poucos metros depois avista-se a capela de Nossa Senhora da Estrela, onde podemos ver lá  dentro a imagem de Nossa Senhora a segurar uma estrela.

    Chegados à estrada, um pouco mais acima, seguimos para o Vale do Rossim. Podemos fazer ainda um desvio até ao posto de vigia para contemplar a vista.

    Prosseguindo o percurso, ao chegar à rotunda, entramos de novo no trilho que nos levará até à fonte do Rossim, um grande bloco granítico de onde jorra água fresca para uma pequena pia de pedra.

    Fonte do Vale do Rossim
    Fonte do Vale do Rossim

    Uns metros à frente e chegamos ao local de partida.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 8,5 Km
    Dificuldade: Baixa
    Informações:

    Normas de conduta

  • Vila de Manteigas, o coração da Estrela

    Vila de Manteigas, o coração da Estrela

    Se a Serra da Estrela tem alma não há dúvidas que esse legado é da vila de  Manteigas. Encravada na faldas do vale glaciário do Zêzere, em pleno coração da Serra, a sua misteriosa história perde-se com as neves que todos os invernos cobrem a serra.

    Devido à sua localização privilegiada, mesmo no centro do Parque Natural da Serra da Estrela e do Geopark Estrela é o local ideal de partida para qualquer ponto da Serra, de carro, de bicicleta ou a pé. Aqui sente-se a Estrela.

    Manteigas e o Vale do Zêzere
    Manteigas e o Vale do Zêzere

    A vila não é muito grande, mas muito simpática. Está dividida em duas freguesias marcadas pelas duas igrejas matrizes que lhes dão o nome: São Pedro e Santa Maria.

    Para além das igrejas matrizes pode ver-se ainda, no povoado, a igreja da Misericórdia, a mais antiga, e mais de uma dezena de capelas espalhadas pela vila e pela serra. Para além do património religioso há ainda a zona histórica com as suas ruas estreitas e inclinadas, a Casa das Obras ou o Largo do Chafariz.

    Igreja de São Pedro
    Igreja de São Pedro em Manteigas

    Na Fonte Santa, ou Caldas de Manteigas, onde se localiza a estância termal vale a pena visitar também o viveiro das trutas. 

    O concelho de Manteigas é um território abençoado, rico em beleza paisagística e de interesse geológico, oferece uma rede de trilhos que abrangem locais de beleza única. A Rota das Faias na serra de São Lourenço, por exemplo, é um excelente percurso para se fazer em qualquer altura do ano mas é no Outono que ganha as cores que a tornam mágica.

    Através dos trilhos ou pela estrada é visita obrigatória ao imponente vale glaciário do Zêzere, mesmo à saída da vila (em direcção à Torre, logo a seguir ao viveiro das trutas), com cerca de 13 Kms, é um dos maiores da Europa em forma de “U”. No extremo Sul do vale chegamos ao Covão D’Ametade, o local onde nasce o rio Zêzere e onde outrora existiu uma lagoa glaciar que hoje guarda, debaixo dos nossos pés, informação milenar utilizada por muitos cientistas para estudar as origens da Estrela.

    Aqui é possível visitar e admirar todo o maciço central da Serra da Estrela e os seus majestosos cântaros (Cântaro Magro, Raso e Gordo), formações rochosas que atingem altitudes acima dos 1875 metros.

    Maciço Central da Serra da Estrela
    Maciço Central da Serra da Estrela e os Cântaros

    O Poço do Inferno, outro lugar icónico, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, aninhada entre penhascos e rodeada de um bosque único onde se misturam pinheiros, azinheiras e até teixo (em via de extinção em Portugal).

    Cascata do Poço do Inferno
    Cascata do Poço do Inferno

    Do lado oposto da serra e do concelho as Penhas Douradas. É um dos locais mais bonitos da Estrela. Apesar de haver construções que outrora serviam de local de férias e tratamento para quem sofria de doenças respiratórias, estas integram-se perfeitamente na paisagem polvilhada de arvoredo típico dos países nórdicos. Aqui vale a pena ir até ao Fragão do Corvo para apreciar  vista (fotografia de capa).

    Menos conhecido, outrora lugar de veraneio das gentes de Manteigas, é o Covão da Ponte (ou Castanheira, como é localmente conhecido), onde existia até à poucos anos um parque de campismo, hoje é um belo local para passar um dia em plena natureza.

    Até chegarmos ao Covão passamos pelo “vale”. Aqui existem pequenos casais (quintas) agrícolas e podem ver-se ainda alguns pastores com os seus rebanhos. São estes mesmos rebanhos que fornecem a lã para a criação do burel, tecido utilizado em outros tempos para fazer as capas dos pastores, ainda hoje é confeccionado com técnicas antigas.

    Rebanho
    Rebanho

    Aproveite e visite a Burel Factory, uma antiga fábrica de lanifícios que conta também uma parte da história de Manteigas.

    É bom visitar Manteigas em qualquer estação do ano mas de facto as melhores alturas são no Verão e no Outono quando as árvores ficam cheias de cores outonais e pintam as encostas.

     


    Onde ficar

    Mesmo à saída de Manteigas, na direcção das Penhas Douradas (estrada florestal) a Quinta de São Marcos é um lugar agradável para passar uns dias em família. Se preferir campismo o Camping Vale do Beijames é a melhor alternativa.

  • Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Longe da Torre, da neve e do alvoroço turístico, é no coração que a Serra da Estrela guarda o melhor. A poucos quilómetros de Manteigas, escondido num pequeno vale, aninha-se o Poço do Inferno, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, alimentada pela ribeira de Leandres, que surge num lugar de grande beleza e interesse geológico.

    Começámos o trilho junto ao pequeno estacionamento (vindos das Caldas de Manteigas), antes do Poço do Inferno, e no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

    Sinalização
    Sinalização

    O início do percurso é íngreme, com alguns degraus (algumas pedras soltas) e pequenas escaladas, mas nada que não se faça, sem grande esforço, aliás, fizemo-lo com os nossos 4 filhos (de 1, 6, 11 e 13 anos) e adoraram. O desnível é muito acentuado mas faz-se muito bem.

    Assim que atingimos o topo dos blocos graníticos podemos vislumbrar as formações rochosas e escarpadas, onde se juntam o granito de Seia com o as rochas endurecidas (devido ao metamorfismo de contacto) do granito de Manteigas, e uma paisagem a perder de vista onde se pode ver a serra de São Lourenço (parte integrante da Estrela), encimada com o seu posto de vigia, e o Campo Romão (junto às Penhas Douradas).

    Escarpas graníticas
    Escarpas graníticas

    O percurso atravessa a tímida ribeira de Leandres, por uma pequena ponte de madeira, que a jusante se precipita pelas escarpas graníticas até encontrar um poço, o Poço do Inferno.

    Depois de subir um pouco mais, contemplar a vista e andar por entre fragas (rochas grandes, penhascos) e árvores chegamos a um bosque de carvalhos, azinheiras, castanheiros, pinheiros e alguns exemplares de teixo (espécie em vias de extinção) que passam despercebidos (e ainda bem).

     

    Bosque na rota do Poço do Inferno
    Bosque na rota do Poço do Inferno

    No percurso vão-se vendo algumas construções que discretamente humanizam a paisagem e que outrora serviram de abrigo a pastores e gado ou, no caso dos muros, separaram culturas, de caminhos que se faziam pelo meio da Serra.

    Antigo abrigo
    Antigo abrigo

    Aqui respira-se natureza e se não fizermos muito barulho ainda conseguimos ver um ou outro esquilo-vermelho que trepa pelos castanheiros ou pinheiros tentando comer castanhas ou os “cones” das pinhas.

    A última parte do percurso (pouco menos de metade) faz-se pela estrada florestal que vai acabar na parte inferior do Poço do Inferno.

    Estrada para o Poço do Inferno
    Estrada para o Poço do Inferno

     

    Cascata do Poço do Inferno
    Cascata do Poço do Inferno (no Inverno)

    No verão é normal que a cascata esteja quase seca. A melhor época para visitar este lugar é no final do Verão e início do Outono quando as folhas das árvores ganham tonalidades alaranjadas antes de cair.

     


    Como chegar lá

    A partir de Manteigas, pelas Caldas de Manteigas em direcção à Torre, estrada N338, depois do viveiro das trutas, vira-se à esquerda e segue-se pela estrada florestal (7 km).

    A partir de Manteigas pode também ir pela estrada florestal de Leandres (6 km).

     

    PR1 MTG

    Tipo: Circular
    Estensão: 2,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

    Normas de conduta