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  • Rota do vale Glaciário, Manteigas

    Rota do vale Glaciário, Manteigas

    O vale glaciário do Zêzere , na Serra da Estrela, é único e a sua grandiosidade e beleza merecem ser contemplados com todo tempo e calma ao longo de uma caminhada. Fazer a Rota do Glaciar é a melhor maneira de desfrutar a paisagem de um dos maiores vales glaciários em forma de “U” da Europa.

    O trilho começa na vila de Manteigas, percorre o vale do Zêzere e termina no Covão d’Ametade (tem continuidade para a Nave de Santo António). Tem cerca de 10,5 Kms mas para quem não quer fazer toda a distância pode ser feito em trechos mais pequenos, começando-o em um dos dois locais: ponte das Caldas (ponto 1 no mapa – perto das Termas de Manteigas ou INATEL) ou a meio do percurso em pleno vale do Zêzere (ponto 2 no mapa – na corte da ASE, sensívelmente a meio do vale).

    Começando na vila irá percorrer a área urbana de Manteigas, passando pela Senhora dos Verdes (aqui poderá também visitar umas das fábricas de burel) e pelas termas do INATEL até chegar à ponte das Caldas. Daqui (ou começando daqui) faz-se uma subida íngreme seguida de curva e uma ponte. Logo a seguir passamos pelas Lameiras, uma antiga comunidade pastoril e agrícola onde, até há poucos anos atrás, viviam alguns pastores e, em suas casas, as esposas faziam o genuíno Queijo da Serra artesanal.

    Um pouco mais acima passa-se pelo Poio da Oliveira, um aprazível local de piqueniques e onde pode aproveitar para dar um mergulho no rio.

    Vale do Zêzere
    Vale do Zêzere

    Chegando à “corte da ASE”, onde existe uma pequena ponte de cimento, pode usufruir de um dos melhores locais para se fotografar o vale em todo o seu esplendor, tanto para poente como para nascente.

    A rota continua pelo caminho de terra batida que nos trouxe até aqui, mas do lado oposto do rio. Ao longo de todo o percurso vamos passando por casas de granito com telhados de zinco, antigas cortes de pastores. Mais adiante o trilho começa a ficar mais irregular e com pedras e, dependendo da época do ano, poderá ter de atravessar alguns pequenos riachos que se atravessam no caminho.

    Trilho do Glaciar
    Trilho do Glaciar

    Já perto da estrada, que dará acesso ao Covão d’Ametade, vislumbram-se as grandes formações rochosas, que formam o planalto superior, a que se dá o nome de Cântaros.

    Cântaro Magro
    Cântaro Magro

    Finalmente chegamos ao Covão d’Ametade, local onde se pensa ter existido uma lagoa glaciária, e onde nasce o rio Zêzere. É hoje um magnífico parque de merendas, talvez o local mais fotografado da Serra da Estrela, onde se pode usufruir da natureza e de onde partem vários trilhos.

    Covão d'Ametade
    Covão d’Ametade

    Qualquer época do ano é boa para fazer este trilho, desde que não seja em época de neve ou com chuva, no entanto recomendamos faze-lo no verão.

     

      Trilho

    Tipo: Linear
    Extensão: 10,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

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  • Vale Glaciário do Zêzere, Serra da Estrela

    Vale Glaciário do Zêzere, Serra da Estrela

    Durante os períodos frios do Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos) e principalmente no Último Glaciar, o planalto superior da Serra da Estrela esteve coberto por um enorme campo de gelo. Este campo de gelo, no Último Máximo Glaciário, abrangia uma área de 66 Kms2, incluindo grande parte do planalto superior da serra. Esta massa de gelo alimentava um conjuto de sete glaciares de vale principais cujos gelos deslizavam em direcção à base da montanha arrastando com ele tudo o que se encontrava no seu caminho, moldando a paisagem e formando estes vales. Um deles é o vale do Zêzere, aquele que é o maior vale glaciário da serra da Estrela e um dos mais bem preservados desta tipologia (em “U”) a nível internacional/europeu.

    Vale Glaciário do Zêzere
    Vale Glaciário do Zêzere

    Com uma extensão de cerca de 13Kms, estende-se desde o Covão Cimeiro, a montante do Covão d’Ametade, até à vila de Manteigas.

    Em todo o vale é possível ver vestígios da última glaciação que criou impressionantes formas e depósitos glaciares, especialmente se tivermos em consideração a baixa altitude da Estrela e a sua localização geográfica no oeste da Península Ibérica. No extremo Sudoeste, no cimo da encosta, junto à Nave de Santo António, pode ver-se o “Poio do Judeu”, um bloco de granito com cerca de 150m3, o maior bloco errático da Estrela, trazido para aquele local pela força do glaciar.

    A cabeceira do Zêzere surge enquadrada pelos imponentes Cãntaros Magro, Gordo e Raso (com 1928 metros de altitude) e no seu sopé o Covão d’Ametade onde, após a fusão do gelo, poderá ter existido uma lagoa de génese de origem glaciária que foi sendo depósito de sedimentos ao longo do tempo formando o local de incrível beleza que representa um dos mais visitados e fotografados locais da serra.

    Cântaros
    Cântaros

    Hoje a presença humana funde-se na paisagem, é local de pastoreio e alguma agricultura no verão. Aqui vêm-se antigas “cortes”, casas de granito com telhados de colmo (que na maior parte foi substituída por chapas de zinco) onde os pastores guardavam o gado, que entretanto foram recuperadas e transformadas em casas de férias. No Inverno é normal verem-se fortes riachos e cascatas que rompem das vertiginosas encostas, fruto da fusão da neve no cimo das montanhas.

    Cortes no Vale do Zêzere
    Cortes no Vale do Zêzere

     

    Encosta do Zêzere
    Encosta do Zêzere

    No fundo deste vale corre o rio Zêzere que ali nasce, aos pés dos imponentes Cântaros, no belíssimo Covão d’Ametade. Vai desaguar no Tejo, já longe da Serra, em Constância.

     

    Agradecimentos a José Conde (CISE) e Gonçalo Vieira (IGOT)