A multiculturalidade em Paris vai muito para além das pessoas. As ruas, os hábitos e a arte demonstram-no muito. A cidade luz e da moda está hoje muito mais voltada para quem a visita do que no passado (assim o contam os franceses). A simpatia e disponibilidade dos franceses é cativante.
Começamos a nossa visita no histórico bairro Quartier Latin, na margem esquerda do rio Sena. Neste bairro, onde na Idade Média se falava latim (daí o nome), existem as universidades mais antigas do país. Caminhando no sentido da foz do rio (para oeste) visitamos o Panteão, monumento em estilo neoclássico, construído no século XVIII, onde estão sepultadas as figuras maiores de França: Voltaire, Dumas, Rousseau e Marie Curie. Na altura da sua construção, deste local, avistava-se toda a cidade.
Panteão de Paris
Basta descer a avenida em frente ao Panteão para chegarmos aos magníficos Jardins do Luxemburgo. O palácio e jardins foram mandados construir em 1615 por Maria de Médicis, esposa de Henrique IV, segundo as memórias de infância da sua casa em Florença.
Palácio dos jardins do Luxemburgo
Nestes jardins está o Museu do Luxemburgo, o mais antigo de Paris, inaugurado em 1715. Espalhados pelo parque estão estátuas de rainhas, artistas e escritores franceses.
Entre os Jardins e o rio passa a boulevard de Saint-Germain, uma avenida ícone da vida parisience, onde se situa a igreja mais antiga da cidade, Saint-Germain de Prés. Uma antiga abadia medieval da qual hoje apenas resta a igreja.
Já nas margens do Sena está o Museu D’Orsay, uma antiga estação ferroviária de 1900. Continuando a seguir o rio chegamos aos jardins e Palácio de les Invalides, construído para albergar inválidos. As principais figuras do exército francês, incluindo Napoleão, estão aqui sepultados na Igreja du Dôme.
Mais a sul está o símbolo da cidade e do país, a Torre Eiffel.
Torre Eifel vista das margens do Sena
Na Ile de la Cité está a espetacular catedral gótica de Notre-Dame de Paris cuja construção começou em 1163 e só terminou quase 200 anos depois, em 1345, e que infelizmente esta semana ardeu.
Notre-Dame de Paris
Atravessando a ponte para a margem direita do Sena estamos no Hotel de Ville (câmara de Paris), um magnífico palácio renascentista que alberga o governo municipal.
Hotel de Ville de Paris
O Museu do Louvre, outro símbolo de Paris e do mundo da arte, fica a poucos quarteirões de distância. Começado a construir em 1546, sob as fundações da antiga fortaleza, para residência real, hoje é um dos museus mais visitados do mundo. Alberga peças que vão desde a pré-história até aos nossos dias.
Museu do Louvre
Um dos edifícios emblemáticos de Paris é também o Grand Palais, construído para a Exposição Universal de 1900. Fazem parte do mesmo complexo o Petit Palais (mesmo em frente) e pela ponte Alexandre III, considerada por muitos a mais bela da capital francesa.
Grand Palais e ponte Alexandre III
Mesmo ao lado dos Grand e Petit Palais estão os Campos Elísios (Champs Elisé), a grande avenida que vai desde a Praça da Concórdia, com o seu obelisco de Luxor, até ao Arco do Triunfo. Aqui pulsa o estilo de vida parisience.
Arco do Triunfo visto dos Campos Elísios
A norte de Paris, o Sacré Coeur (basílica do Sagrado Coração) impõe-se no monte de Martre ou Montmartre de onde é possível ter uma panorâmica de Paris (infelizmente no dia que a visitamos estava nublado).
Sacré Coeur
Onde comer
Espalhados um pouco por toda a cidade os restaurantes Paul são uma excelente opção em conta para fazer algumas refeições. Desde as famosas baguetes até aos pratos típicos franceses.
Como ir do aeroporto de Orly para o centro da cidade
Pode apanhar o Orly Bus, com um custo de 8,70 €, que o levará até ao centro de Paris. Em alternativa pode ir pelo Tramway 7 que o levará até à estação terminal de Villejuif Louis Aragon onde poderá apanhar o Metro (linha 7) para qualquer parte do centro de Paris, com um custo total de cerca de 5 euros.
Utilizamos o cartão Revolut nas compras e levantamentos e não pagamos nenhuma taxa.
A paisagem é simplesmente magnífica. É esta a melhor forma de descrever o percurso do trilho do Chã dos Navegantes.
Mapa Chã dos Navegantes
O inicio deste trilho começa num caminho perpendicular à estrada que dá acesso ao Cabo Espichel.
O percurso começa em terreno praticamente plano. Ao fim de aproximadamente 1 Km fizemos um desvio para contemplar a vista sobre as falésias que caem até à Praia da Baleeira, apenas acessível por caminhos a pé ou de barco.
Baleeira
Voltando ao trilho começamos a descer lentamente até chegarmos à beira das falésias onde vislumbramos o oceano Atlântico a perder de vista. Mais adiante chegamos às ruínas do Forte de São Domingos da Baralha. Este forte, que dominava a baía da Baleeira, era em pleno século XVII a primeira defesa da costa da Arrábida integrando a linha defensiva que se estendia de Albarquel a Sesimbra e que defendia o importante porto e povoação de Setúbal.
Trilho Chã dos Navegantes
Continua-se a caminhar junto ao mar e quando já estamos desviados deste, pois o trilho vai-nos encaminhando para o interior da encosta. Desviamos aproximadamente 400 metros para ver a magnífica formação rochosa do Arco da Pombeira, onde o mar entra bravio e se atira contra as paredes rochosas de uma câmara interior.
Arco da Palmeira
Regressando novamente ao trilho subimos uma encosta íngreme, com um piso muito irregular mas que felizmente é curta até atingirmos a parte do trajecto mais plana que nos encaminhará até ao final.
Lá longe, começamos a avistar o Farol do Cabo Espichel e o que resta da bataria de defesa mesmo na ponta do cabo. Seguimos em direcção ao farol.
Farol do Cabo Espichel
Um pouco mais a norte encontramos o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Este santuário é composto pela igreja, por hospedarias, Ermida da Memória, casa de Ópera, em ruína, Hortas dos Peregrinos, Casa da Água e aqueduto.
O enquadramento paisagístico deste monumento, num planalto que termina em escarpas para o mar, torna-o monumental.
Convento da Senhora do Cabo
Na fase final do percurso, já a caminho do ponto inicial vamos acompanhando o aqueduto do Santuário do Cabo Espichel que, em outros tempos, fornecia água ao convento.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 7.7 Km Dificuldade: Média Informações:C.M.Sesimbra
Mandado construir em 1790 pelo Marquês de Pombal, fazia parte de uma rede de segurança de faróis da costa portuguesa, sendo um dos mais antigos de Portugal. Ainda hoje mantém a sua função inicial.
Para quem viaja pouco de avião surgem, muitas vezes, dúvidas sobre que bagagem se pode levar numa viagem, com ou sem pagamento do transporte da mesma.
Para poder dar alguma ajuda aos nossos leitores neste sentido, na hora em que compram o bilhete de avião, resolvemos escrever este artigo que, de uma forma resumida, pode esclarecer as principais questões.
No entanto, devemos informar que, estas informações são genéricas e podem variar dependendo das companhias aéreas, convém consultar as regras de cada uma delas.
As regras básicas são:
Bagagem de mão (cabine)
Para viagens Low Cost e Classe Económica pode levar:
1 bagagem de 8kg (115 cm)
Para a Classe Executiva pode levar
2 bagagens de 8kg (115 cm) cada
Geralmente, em qualquer companhia aérea, os passageiros têm direito a levar uma pequena mala/bagagem (mala de senhora, mochila, bolsa…) pessoal a bordo, que deve caber debaixo do assento à sua frente (40cm x 20cm x 25cm).
Bagagem de porão
Para viagens Low Cost a bagagem de porão é paga, para as restantes viagens pode levar:
1 bagagem de 32kg (158 cm) para Classe Económica
2 bagagens de 32kg (158 cm) cada para a classe Executiva
Carrinhos de bebé
Para os carrinhos de bebé o transporte é gratuito e deverá leva-lo até à porta do avião. Depois de colocadas as etiquetas (normalmente colocadas na porta de embarque), um assistente levará o carrinho para o porão. No destino, dependendo da companhia aérea e do aeroporto, ou entregam o carrinho à saída do avião ou terá de levantar nas bagagens fora de formato.
Bagagem fora de formato
Para as bagagens fora de formato, em que as dimensões ou formato é diferente do “normal”, dependerá de cada companhia aérea e implica o pagamento de um valor adicional.
A Arrábida é sem dúvida uma serra cheia de encantos e paisagens espetaculares. Percorrer a Serra a pé é a melhor forma de a sentir.
Trilho do Alto Formosinho
O trilho para o Alto do Formosinho inicia-se em frente à entrada para o Convento da Arrábida (ponto azul no mapa).
Mariolas
Começamos por subir pelo interior da vegetação através da qual se forma um “túnel” até sairmos num caminho de vegetação mais baixa onde, em alguns pontos, podemos ver o mar e toda a magnífica envolvência.
Troia visto do alto da Arrábida
Alguns metros depois (aproximadamente 500m) entramos num bosque, onde em dias de calor é um dos locais mais frescos do percurso, aproveitamos para almoçar. As árvores dominantes nesta área são as azinheiras.
Arrábida com vista para o oceano
Assim que se sai deste bosque começa o trajecto mais duro, o desnível é muito acentuado mas é compensado pela vista que se tem para Sul.
Depois de chegar ao alto, pode vislumbrar-se também a vista para norte. Daqui pode ver-se toda a península de Setúbal, o Tejo, Lisboa e a serra de Sintra.
Península de Setúbal e Lisboa
O final do percurso é feito pela estrada que nos leva ao ponto inicial.
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida e depois do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, vira-se à direita para Setúbal até chegar ao Convento da Arrábida. O Início do trilho fica mesmo em frente, numas escadas.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 6,2 Km Dificuldade: Alta Informações: Wikilok
Vindos de Luanda em direcção ao Sul, depois de passar pela ponte na Barra do Kwanza, chegamos a Sangano, uma pequena aldeia piscatória.
Entre a estrada principal e até chegarmos à praia passamos pelo meio da aldeia. Terra batida, casas feitas em chapa de zinco ou em tijolo de barro, crianças que nos saúdam fazendo adeus e pedindo bolachas e água ou qualquer outra coisa que possamos dar.
Barcos no areal, com os quais os pescadores ainda pescam artesanalmente marisco, garoupas, pargos, linguados, kitetas (uma espécie de ameijoas) entre outros peixes e mariscos.
Aqui podemos comprar peixe e marisco às vendedoras que nos abordaram (como sempre tudo se negoceia) junto à praia, à procura de turistas. Por enquanto, e não será por muito tempo, ainda vai conservando o genuíno destas povoações.
Uma praia tranquila, banhada pelo Atlântico, que convida a passar um bom bocado.
Praia de Sangano
Crianças no caminho
Continuando viagem para Sul, aproximadamente 120Km de Luanda, chegamos a Cabo Ledo, uma estância balnear para onde os luandinos vão ao fim-de-semana fazer praia.
Praia de Cabo Ledo
Cabo Ledo perde um pouco do típico lugar de praia. A indústria do turismo já há muito que tomou conta deste lugar e os restaurantes e resorts ocupam a maior parte do espaço.
Resorts em Cabo Ledo
Mesmo ao lado dos resorts, a praia dos surfistas começa a ser concorrida e a ter alguma procura por desportistas desta modalidade.
Com mais ou menos turismo, estes locais, são pontos a visitar. Reina a calma, a tranquilidade e mesmo em altura de cacimbo (Inverno) consegue-se desfrutar de um bom momento de praia.
Poucos são os territórios em Portugal que foram tão estudados como a Serra da Arrábida, no entanto continua por ter muito a descobrir e a conhecer, é “um berçário da ciência”, como foi apelidada numa das edições da revista da National Geographic.
Fizemos alguns trilhos pela Serra. Os trajectos na Arrábida, uns mais exigentes do que outros, não estão marcados e tem-se a vantagem, e o privilégio, de percorrer locais num estado muito selvagem. As poucas marcações que existem são “mariolas” (conjuntos de pedras sobrepostas) que indicam qual o trajecto a seguir.
Trilho da Brecha da Arrábida
Este trilho, muito perto da serra do Risco, é curto e pouco exigente, com menos declive incialmente, e um pouco mais desnivelado no regresso mas nem por isso inadequado a crianças (fizemos com 4 crianças dos 1 aos 13 anos :)).
A floresta não é muito densa e o caminho está definido (na sua maior parte feito pela marcação de um riacho seco), só necessitamos prestar atenção ao trajecto e dar “corda aos sapatos”.
Vegetação do trilho
Ao chegar ao final, encontramo-nos a meio de uma magnífica ravina onde vislumbramos o oceano Atlântico. No dia em que fizemos o trilho pudemos assistir à escalada desta ravina por um grupo de alpinistas que estava no local.
Ravina
No regresso pelo mesmo caminho, sensivelmente a meio do percurso, cortamos à esquerda (para Oeste) para subir a encosta do pequeno vale. A última parte do percurso é feita pela estrada que liga Sesimbra/Lisboa a Setúbal. Daqui tem-se um panorama magnífico do enquadramento da Serra com o oceano.
Vista da estrada
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida.
Depois de uma longa subida (com curvas), antes do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, do lado esquerdo, existe uma entrada para o miradouro da Brecha da Arrábida. Logo a seguir (ponto azul à esquerda no mapa) tem o início do trilho.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 3,2 Km Dificuldade: Média Informações: Não disponível
A Plaza Mayor de Madrid tem a sua origem no século XV no local onde se cruzavam os caminhos para Toledo e Atocha (na altura ficava fora da cidade) e onde existia o mercado principal no qual foi construído um edifício que servia de controlo para regular o comércio.
A cerca de 70 Km a Oeste de Fez situa-se Meknès, a mais pequena das cidades imperiais de Marrocos. Pequena em área mas grande em importância.
Foi elevada a capital de Marrocos em 1672 pelo sultão Moulay Ismail e assim permaneceu até ao final do seu reinado em 1727. Esta cidade, património da UNESCO, está cercada por muralhas de 40km, construídas há mais de 350 anos, dentro das quais estão as mesquitas que apelidam a cidade de “cidade dos cem minaretes” e o Palácio Real.
Rua da medina
O local central de Meknès é a praça El-Hedime, mesmo em frente às portas Bab Mansour Laleuj (constrídas no início do século XVIII), consideradas as mais belas de todo o país, têm características curiosas, misturam colunas jónicas romanas com arquitectura árabe.
Praça El-Hedime
As magestosas portas guardam no seu interior a zona imperial. À sua frente, mesmo ao fundo da praça El-Hedime estão as portas da velha medina.
Ao contrário da medina de Fez as ruas são mais calmas, a azáfama é menor e os comerciantes das souks menos activos o que permite desfrutar do local de uma forma diferente.
Portas da medina de Meknès
Medina de Meknès
Na zona imperial está o Museu Etnográfico regional (infelizmente estava fechado nesse dia), no Palácio Dar Jamaï, onde pode ser contemplado o jardim Andaluz. A partir daqui, andando (um bom bocado) a pé chegamos ao Palácio Real. Tal como em Fez, ou noutro qualquer palácio Real de Marrocos apenas podemos contemplar as portas.
Seis séculos após a sua chegada à Península Ibérica, os sefarditas foram expulsos durante mais de 300 anos (recordando a teoria de que “tudo se repete”), período em que vigorou a Inquisição em Portugal e Espanha.
Hoje, passados os tempos conturbados, os direitos foram-lhes restituídos. Judeus que comprovem ter as suas origens em Portugal podem requerer nacionalidade portuguesa.
Os Sefardim, em hebreu, são os judeus originários de Portugal e Espanha, daí a origem da palavra Sefardita em hebraico Sefarad (ספרד) que significa Península Ibérica.
Embora possam existir hipóteses de que se tenham estabelecido na península em épocas anteriores, só existe confirmação da sua presença desde o final do Império Romano do Ocidente, por volta de 476 d.C., quando o Imperador Rómulo Augusto foi deposto.
A comunidade judaica, desenvolveu-se de tal forma no nosso país que, em pleno século X aquando da fundação do Condado Portucalense e após a conquista de Santarém aos Mouros, esta localidade tornou-se numa próspera comuna. Centrada na sua sinagoga, a mais antiga do reino, esta comuna (já referida no foral concedido em 1095 por Afonso VI de Leão), era uma das sete comarcas criadas por D. Dinis, a segunda mais importante do país a seguir a Lisboa, e reconfirmada por D. João I.
Em 1474, por morte de seu irmão Henrique IV, subia ao trono de Castela e Leão, D. Isabel. Falecido o rei de Aragão em 1479 (D. João II), Fernando de Sicília, seu filho casado com D. Isabel de Castela sucedeu ao trono aragonês permitindo a união de dois dos mais poderosos estados da Península Ibérica. A península estava assim reunida sob a mesma coroa à excepção de Portugal e o reino islâmico de Granada.
É nesta altura, que D. Fernando tem a triste ideia de implementar a Inquisição em terras espanholas. A troco de privilégios económicos, o inquisidor frei Filipe de Berbris, veio da Sicília convencer os reis católicos a estabelecerem a Inquisição, um tribunal eclesiástico cujo funcionamento era delegado directamente pelo Papa com o objectivo da condenação e expulsão dos hereges, no caso ibérico os “não católicos”. Juntando-se as vantagens que daí viriam também para a cúria romana, criada através de bula papal (Papa Sixto IV), nasce o tribunal do Santo Ofício, a Inquisição em Castela. Todos quantos fossem condenados como hereges eram expulsos do reino, ficando uma terça parte dos seus bens para os seus julgadores.
Terminada a Reconquista Cristã na Península Ibérica, que culminou com a tomada de Granada, em Janeiro de 1492, fim do Califado e consequentemente com a expulsão dos últimos muçulmanos de Al-Andaluz, os reis católicos decidem intensificar ainda mais a expulsão dos judeus de seu reino.
Tomada de Granada
Nesta altura milhares de sefarditas castelhanos fogem para Portugal, juntando-se aos que já tinha fugido desde o início da Inquisição espanhola. Fixando-se em algumas comunidades judias já existentes (Porto, Santarém, Lisboa, Torre de Moncorvo e Évora) chegam a ascender as 100 judiarias em finais do século XV.
O crescimento económico do país deve-se muito ao crescimento da comunidade judaica e consequência disso o crescente comércio, actividade principal dos sefarad.
A chegada em massa destes judeus vindos do reino vizinho fez com que Portugal tivesse de se organizar para controlar as entradas em território luso. Foram designados postos fronteiriços por onde deveriam entrar, caso de Olivença, Arronches, Castelo-Rodrigo, Bragança e Melgaço. Nestes postos eram cobradas quitações de passagem. Os mais pobres entravam clandestinamente, subjugando-se a escravidão e maus tratos.
Em 1495 sobe ao trono de Portugal D. Manuel, duque de Beja. Uma das primeiras medidas tomadas após a sua posse como monarca foi dar liberdade aos judeus submetidos à condição de escravos.
O respeito e compaixão pelos sefarditas iria no entanto conhecer uma viragem. D. Manuel subiu ao trono após a morte de seu primo D. Afonso, filho de D. João II, que não tinha descendência monárquica. Ao herdar o trono, D. Manuel entendeu que deveria herdar também a viúva do primo, D. Isabel, filha mais velha dos reis católicos. Casando com ela o rei de Portugal via como interesse a união das duas coroas peninsulares.
Os reis de Castela aceitaram a proposta do rei português com duas condições: que Portugal se aliasse a Castela contra a França e por outro lado que expulsasse do reino todos os hebreus.
Em 1496 D. Manuel ordenou a saída do reino de todos os judeus não convertidos. Muitos hebreus com receio da expulsão abjuraram da sua religião convertendo-se ao cristianismo.
Haviam muitos judeus que preferiram morrer, ou mesmo matar os seus filhos, a converterem-se. Outros eram batizados voluntariamente ou à força, passando a designar-se de cristão-novos ou marranos como eram apelidados. Convertidos, pelo menos aos olhos dos cristãos-velhos, muitos continuavam a praticar o judeísmo de forma secreta (cripto-judeísmo).
Por decreto publicado pelo rei em Abril de 1499, os cristãos-novos estavam proibidos de sair do país. Durante a expulsão a maioria optou por sair do país rumo ao Brasil, Países Baixos, Médio Oriente e Norte de África. Um dos refúgios que mais judeus acolhia era o Império Otomano (actual Turquia). O imperador Bayezid II oferecia-lhes protecção. Istambul e Salónica (hoje faz parte da Grécia) eram os destinos mais procurados. Também em Marrocos, mais precisamente Fez, se formaram importantes comunidades sefarditas judaicas.
Rua do bairro judeu em Fez
A perseguição aos sefarditas, convertidos ou não, conheceu a pior face em 1506 aquando da chamada “matança da Páscoa”. Entre duas a quatro mil pessoas, a maioria cristãos-novos, morreram.
Portugal atravessava um período de seca prolongada com surtos de peste. A 19 de Abril, na igreja do convento de S. Domingos, na baixa de Lisboa, alguém jurou ter visto o rosto de Cristo iluminado sobre um dos altares, assegurando tratar-se de um sinal de misericórdia divina e de futura bonança. Outro presente, por sinal um cristão-novo, discordou e disse que se tratava do reflexo do sol. Identificado como marrano, foi agredido pela multidão e espancado até à morte.
Inflamando ainda mais os ânimos, um frade dominicano, promete 100 dias de indulgências a quem matasse os hereges. Durante três dias dessa Semana Santa, bandos de cristãos percorreram as ruas de Lisboa, pilhando, violando e matando judeus convertidos, ou não, ao cristianismo.
Relatos macabros são feitos destes acontecimentos. Pessoas queimadas vivas em fogueiras públicas no largo do Rossio, corpos mutilados em plenas ruas e jardins onde abutres depenicavam. Pessoas passeavam e brincavam com cabeças decepadas. Estes episódios só viriam a ser controlados depois da intervenção das tropas reais de D. Manuel.
Em 1536 a falta controversa de uma visão histórica por parte de D. João III, e graças ao domínio dos poderes religiosos retrógrados acabaram com o pouco que tínhamos, com consequências sociais desastrosas e fuga de capitais e inteligência para o estrangeiro
Grandes feitos históricos tiveram colaboração de judeus portugueses ou que viviam em Portugal. Alguns exemplos disso são Abraham Zacuto, matemático e astrónomo, veio para Portugal expulso de Castela. Foi autor das primeiras tábuas quadrienais do Sol para a navegação ou Tábuas Afonsinas. Após a expulsão de Portugal, foi para o Norte de África e daí para Damasco. Outro exemplo foi Mestre Jaime de Maiorca (acredita-se que fosse o célebre cartógrafo maiorquino Jafuda Cresques). Devido à perseguição em Maiorca converteu‑se ao cristianismo mudando seu nome para Jaime Ribes. Na década de 20 do século XV mudou‑se para Portugal ficando ao serviço de D. Henrique e dos descobrimentos.
Marquês de Pombal consegue, de certa forma, transformar a Inquisição submetendo-a à autoridade da coroa. Por decreto pombalino em 1773, terminou com a distinção e designação, profundamente segregacionista, de “cristão-novo” e “cristão-velho”. Esta medida teve um grande impacto, de tal forma que, juntamente com outras medidas, a Inquisição é extinta em Portugal a 31 de Março de 1821.
Com o enfraquecimento e posterior extinção da Inquisição, no início do século XIX, assistiu-se gradualmente, ao regresso de muitos judeus a Portugal.
Hoje os judeus sefarditas são aproximadamente 3 milhões e meio, representando desta forma cerca de 18 por cento dos judeus de todo o mundo.