Em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, por entre os arrozais e sapais do rio, este trilho é ideal para aproveitar o melhor que a natureza nos dá: ar puro, silêncio, que apenas é interrompido pelo chilrear das aves.
Qualquer lugar é bom para começar o percurso. Um deles é o cais palafítico da Carrasqueira. A poucos quilómetros da Comporta, na aldeia da Carrasqueira fica o pequeno porto piscatório tradicional, onde gerações de pescadores foram construindo passadiços sobre estacas, que se estendem pelo rio adentro, como tentáculos de um polvo, resolvendo assim o problema do acesso dos barcos durante a maré baixa. Este é um exemplo perfeito de como a arquitectura humana se pode integrar com a natureza.
Cais palafítico da Carrasqueira
A paisagem do estuário vai mudando. A “estranha” beleza dos sapais (imagem de capa) vai dando lugar aos arrozais, alguns já desactivados.
Aves nos arrozais
Para além dos arrozais, o trilho passa por pequenas lagoas, terras de cultivo e pastagens onde é habitual ver aves de várias espécies (dependendo da altura do ano), que se alimentam. Em algumas alturas do ano é possível ver flamingos.
Trilho da Carrasqueira
Barco na Carrasqueira
Ali perto aproveite para ir às praias da Comporta, Carvalhal ou Tróia, onde os areais se estendem a perder de vista.
Trilho
Tipo: Circular Extensão: 7,2 Km Dificuldade: Fácil Informações:ICNF
À volta de uma lenda nasce um dos monumentos religiosos mais extraordinários do nosso país. O Convento da Arrábida, símbolo da harmonia entre a humanização da paisagem e a mãe natureza.
Subimos a Arrábida em direcção do topo. De repente, a seguir a uma curva mais apertada, já no alto da serra, afigura-se numa das encostas um salpicado de casas brancas que se assomam no meio da vegetação. É o Convento de Nossa Senhora da Arrábida.
Fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, religioso castelhano da Ordem de São Francisco, a quem D. João de Lencastre, primeiro duque de Aveiro, cedeu as terras da Arrábida para que aqui pudesse fazer a sua vida eremita (juntamente com outros três freires).
A visita começa no largo mesmo em frente ao memorial a São Pedro de Alcântara (um dos freires que juntamente com Martinho de Santa Maria vieram fundar o convento). Num mote aos caminhos labirínticos que iremos percorrer, a simpática guia sugere que escolhamos um dos lados do memorial para iniciarmos a visita.
Memorial São Pedro de Alcântara
Do outro lado, depois de percorrermos um pequeno caminho e descermos algumas escadas chegamos à Igreja do Convento. Na sua fachada principal uma estátua original de um franciscano com toda a simbologia que marcava a vida destes religiosos.
Igreja do Convento
Entramos na igreja, é pequena, tal como eram todas as da mesma ordem. Por cima do altar-mor uma pintura que simboliza a lenda de Nossa Senhora da Arrábida e que de certa forma deu origem, 300 anos depois, a este convento. Seguimos por dentro da igreja, por corredores que fazem lembrar cavernas e saímos num pequeno terraço com uma magnífica vista para o Atlântico e toda a encosta da serra.
Um dos terraços do Convento da Arrábida
Continuamos pela encruzilhada de caminhos, escadas e corredores do Convento. Notam-se as várias intervenções feitas ao longo de mais de 500 anos. Em 1863 o Duque de Palmela comprou o convento e fez algumas construções e restaurações. Estas são visíveis nas decorações com pequenas rochas e conchas que ornamentam os arcos, as portas e os fontanários.
Recantos do Convento da Arrábida
Ao longo do percurso vamos entrando em pequenas capelas de oração, nas minúsculas celas que davam abrigo e permitiam o recolhimento dos frades. É interessante ver algumas pequenas levadas que fazem parte de um discreto sistema hidráulico bastante elaborado que aproveita a água das pequenas nascentes que brotam dentro do recinto do convento e da chuva, que serviam depois para o consumo pessoal e rega dos jardins e o hortas.
Estas águas eram também aproveitadas no lavadouro ou na cozinha onde se confeccionavam as refeições e que ainda hoje podemos visitar. Ao lado da cozinha o refeitório e mais acima a biblioteca que possuía um espólio muito importante de edições que hoje, por questões de conservação, estão na Fundação Oriente.
Perto da biblioteca está uma das poucas peças de valor a que os frades se permitiram ter. É o relógio de corda (do século XVIII) que ainda hoje funciona.
Do convento fazem parte também as ermidas que se vêm mais acima na serra, mais acima, o chamado convento velho. São visíveis sete ermidas ao longo do cume que desce a encosta.
Convento velho
O Convento da Arrábida fica a cerca de 20 Kms de Setúbal.
Fala-se na gastronomia de Setúbal e inevitavelmente vem-nos à memória o choco frito e o peixe assado. Mas no “Forno da Lotta” comem-se outras iguarias, Setúbal é muito mais do que peixe e choco frito.
A poucos metros da doca dos pescadores (na rua Guilherme Gomes Fernandes, paralela à avenida da doca) fica o Forno da Lotta. Um acolhedor restaurante, gerido pela Sónia (na sala) e pelo Paulo (chefe de cozinha), que contrariaram a tendência dos pratos locais de peixe e juntaram à carta iguarias nacionais com um toque pessoal.
Cozinha
O projecto começou há mais de 4 anos com o “Só Sónia”, um restaurante de peixe assado em plena Avenida Todi. Os dois resolveram juntar a paixão pela gastronomia e pelo bem servir e abriram este novo espaço.
A decoração interior leva-nos aos tempos passados da cidade, com fotografias e objetos antigos que nos mostram as tradições e o quotidiano dos sadinos.
Forno da Lotta
Neste restaurante somos sempre bem recebidos, não só pela simpatia dos donos mas também pelos colaboradores que, muito amavelmente, nos fazem sentir à vontade e em casa.
No Forno da Lotta somos surpreendidos por uma experiência gastronómica diferente. A par das boas pizzas romanas, de massa fina e bordas tostadas, este restaurante oferece-nos excelentes pratos de comida tradicional portuguesa.
Para além dos tradicionais pratos de porco preto, arroz de marisco ou choco frito setubalense (sim, aqui também há!) vale a pena comer o excelente e delicioso Polvo à Lagareiro com batatas a murro ou a Massinha de Garoupa, é de comer e querer repetir.
Polvo à Lagareiro
Os pratos de carne também são bem representados pela Costeleta de vitela do Açores, a Posta de vitela à Lagareiro e a posta de vitela à Forno. Prepare-se porque as quantidade são sempre generosas!
Bife
Não esquecendo as pizzas, estas também são excelentes, não ficando atrás das originais italianas. A Pizza Alentejana, é a nossa preferida. É romana mas os sabores são do Alentejo, com bom presunto nacional e rúcula.
Aqui a gastronomia é saboreada num ambiente familiar, onde nos sentimos bem e o prazer de comer aumenta.
Este espaço cumpre as regras de segurança e distanciamento.
Na margem sul do Tejo, no lado oposto ao rebuliço de Lisboa, situam-se as salinas do Samouco, outrora principais produtoras de sal da região e do país, que apesar de serem atravessadas pela ponte Vasco da Gama, dão-nos o prazer de poder desfrutar da calmaria do campo.
Percurso das Salinas
Existem dois percursos que se iniciam na entrada das salinas, o trilho do Flamingo (mais pequeno) e o trilho do Pernilongo. Nós fizemos o maior.
Logo no início do percurso já se avistam flamingos nas salinas (fizemos o trilho em abril). É preciso não fazer barulho para não os afugentar.
Ponte
Durante o percurso é possível avistarem-se diversas espécies de aves uma vez que a maior parte das espécies do Tejo utiliza as salinas como local de repouso. Podem ver-se flamingos, garça-real, garça-branca-pequena, andorinha-do-mar-anã, pernilongo, entre outras espécies. A vegetação é um pouco menos diversificada e pelo meio das salinas é possível ver-se a Salicornia ou sal verde, como é popularmente conhecida, uma planta tolerante ao sal com um sabor muito salgado que por isso mesmo é utilizada na gastronomia.
Existem locais e abrigos apropriados para a observação de aves onde, sem perturbar a fauna, se podem tirar fotografias mais próximas a algumas espécies mais esquivas.
Sensivelmente a meio do trajecto somos acompanhados durante alguns metros por burros que vagueiam por entre as salinas. Não se assuste pois são amigáveis.
Burros durante o percurso das salinas
O percurso, entre salinas, estreitas passagens e pequenas pontes é agradável. Ainda é possível ver algumas salinas em actividade e mesmo ao lado é possível molhar os pés na praia ribeirinha.
Salinas do Samouco
A associação faz saídas de campo e visitas guiadas
Como chegar
Vindos de Alcochete, seguindo a Estrada Nacional 119 em direcção ao Montijo, vire na rotunda que indica Samouco e praia. Chegará à entrada das salinas.
A Arrábida é sem dúvida uma serra cheia de encantos e paisagens espetaculares. Percorrer a Serra a pé é a melhor forma de a sentir.
Trilho do Alto Formosinho
O trilho para o Alto do Formosinho inicia-se em frente à entrada para o Convento da Arrábida (ponto azul no mapa).
Mariolas
Começamos por subir pelo interior da vegetação através da qual se forma um “túnel” até sairmos num caminho de vegetação mais baixa onde, em alguns pontos, podemos ver o mar e toda a magnífica envolvência.
Troia visto do alto da Arrábida
Alguns metros depois (aproximadamente 500m) entramos num bosque, onde em dias de calor é um dos locais mais frescos do percurso, aproveitamos para almoçar. As árvores dominantes nesta área são as azinheiras.
Arrábida com vista para o oceano
Assim que se sai deste bosque começa o trajecto mais duro, o desnível é muito acentuado mas é compensado pela vista que se tem para Sul.
Depois de chegar ao alto, pode vislumbrar-se também a vista para norte. Daqui pode ver-se toda a península de Setúbal, o Tejo, Lisboa e a serra de Sintra.
Península de Setúbal e Lisboa
O final do percurso é feito pela estrada que nos leva ao ponto inicial.
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida e depois do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, vira-se à direita para Setúbal até chegar ao Convento da Arrábida. O Início do trilho fica mesmo em frente, numas escadas.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 6,2 Km Dificuldade: Alta Informações: Wikilok
Poucos são os territórios em Portugal que foram tão estudados como a Serra da Arrábida, no entanto continua por ter muito a descobrir e a conhecer, é “um berçário da ciência”, como foi apelidada numa das edições da revista da National Geographic.
Fizemos alguns trilhos pela Serra. Os trajectos na Arrábida, uns mais exigentes do que outros, não estão marcados e tem-se a vantagem, e o privilégio, de percorrer locais num estado muito selvagem. As poucas marcações que existem são “mariolas” (conjuntos de pedras sobrepostas) que indicam qual o trajecto a seguir.
Trilho da Brecha da Arrábida
Este trilho, muito perto da serra do Risco, é curto e pouco exigente, com menos declive incialmente, e um pouco mais desnivelado no regresso mas nem por isso inadequado a crianças (fizemos com 4 crianças dos 1 aos 13 anos :)).
A floresta não é muito densa e o caminho está definido (na sua maior parte feito pela marcação de um riacho seco), só necessitamos prestar atenção ao trajecto e dar “corda aos sapatos”.
Vegetação do trilho
Ao chegar ao final, encontramo-nos a meio de uma magnífica ravina onde vislumbramos o oceano Atlântico. No dia em que fizemos o trilho pudemos assistir à escalada desta ravina por um grupo de alpinistas que estava no local.
Ravina
No regresso pelo mesmo caminho, sensivelmente a meio do percurso, cortamos à esquerda (para Oeste) para subir a encosta do pequeno vale. A última parte do percurso é feita pela estrada que liga Sesimbra/Lisboa a Setúbal. Daqui tem-se um panorama magnífico do enquadramento da Serra com o oceano.
Vista da estrada
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida.
Depois de uma longa subida (com curvas), antes do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, do lado esquerdo, existe uma entrada para o miradouro da Brecha da Arrábida. Logo a seguir (ponto azul à esquerda no mapa) tem o início do trilho.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 3,2 Km Dificuldade: Média Informações: Não disponível
A poucos quilómetros de Lisboa, Setúbal tem o poder de harmoniosamente unir a imponência da Serra da Arrábida e o esplendor do rio Sado.
Numa das mais belas baías do mundo, onde se juntam as águas do Atlântico com as do rio (que dá nome aos habitantes da cidade, os sadinos) e nas faldas da frondosa Arrábida nasceu a cidade adoptada como filha por estas duas belezas naturais.
Inicialmente designada por Cetóbriga, ocupada por fenícios e romanos há mais de 2000 anos, chegou a ser considerada um dos maiores portos do país e o maior complexo de salga de peixe do Império Romano.
Aqui nasceram Bocage, poeta conhecido pela sua ironia e sátira à sociedade, Luísa Todi, importante cantora lírica e Sebastião da Gama, escritor e defensor da Arrábida, entre outros.
Longe vão os tempos áureos da cidade quando a sua economia representava muito no país e que infelizmente acabou há pouco mais de 30 anos com a indústria conserveira.
Doca de Pesca
Hoje cidade do peixe renasce para uma nova indústria: o turismo.
Conhecida pela cidade da sardinha assada e do choco frito, também o vinho, o moscatel e o queijo são produtos de destaque a degustar.
Começamos a visita na principal artéria da cidade, a avenida Luísa Todi. Atravessa a cidade de Este a Oeste e junto a ela podemos visitar a praça do Bocage onde se localiza o edifício da câmara municipal e a igreja de São Julião, um magnífico templo do século XVI. Daqui podemos visitar a Casa da Cultura e percorrer a baixa da cidade onde, no edifício do turismo, podemos ver salgadeiras de peixe do período romano.
Praça do Bocage (e estátua de Bocage) com o edifício da Câmara Minucipal ao fundo
Na baixa da cidade podemos ainda ver a Sé Catedral, uma igreja do século XVI, e mesmo ao lado a casa do Corpo Santo. Subindo da baixa em direcção à porta de São Sebastião chegamos ao miradouro do mesmo nome, e muito perto, numa espécie de labirinto de ruas, onde nasceu Bocage, chegamos à igreja de São Sebastião.
Sé Catedral de Setúbal
Muito perto daqui e colocando-nos de volta à avenida Luísa Todi temos o edifício da Biblioteca Municipal e percorrendo esta artéria podemos visitar a Casa da Baía, a Galeria Municipal (no antigo edifício do Banco de Portugal) e o Mercado do Livramento considerado um dos melhores mercados de peixe do mundo.
Um dos símbolos de Setúbal é sem sombra de dúvida o Convento de Jesus. Essa importância deve-se a vários aspectos: ao facto de ter marcado a expansão de Setúbal (na altura vila) para fora das primeiras muralhas; ter sido a primeira construção do país no Estilo Manuelino (ainda nem reinava D.Manuel I); e de aqui se ter assinado a ratificação ao Tratado de Tordesilhas, tendo ficado desta forma o nome de Setúbal ligado a um dos momentos mais importantes da história universal de Portugal.
Convento de Jesus, Setúbal
Continuando pela história subimos uma das colinas junto à cidade e chegamos ao Forte de São Filipe. Inspirado no Castelo de Sant’Elmo, em Nápoles – Itália, esta fortaleza é um belíssimo exemplar de arquitetura militar maneirista.
Forte de São Filipe
Na frente ribeirinha podemos contemplar o rio no ponto em que se junta ao mar, Tróia mesmo em frente (pode atravessar de barco para lá – ferry ou catamaran), a doca dos pescadores, os jardins à beira mar, entre outras atracções.
Mas Setúbal não é só a cidade, é também a Serra da Arrábida onde “nasceu”, em harmonia com a montanha, o Convento da Arrábida, onde podemos aproveitar as magníficas praias, visitar a gruta da Lapa de Santa Margarida no Portinho da Arrábida ou fazer uns trilhos pedestres. Setúbal é também o Estuário do Sado onde se podem observar os golfinhos em estado selvagem.
O quê e onde comer
Setúbal é a terra do peixe e por isso mesmo recomenda-se a caldeirada de peixe, a sardinha e carapaus assados, o salmonete à setubalense e obviamente o choco frito.
Para comer todas estas especialidades recomendamos o Forno da Lotta, um restaurante típico, no bairro da Fonte Nova.
Para o choco frito o melhor é mesmo o “Leo do petisco“, no final da avenida Luísa Todi, na direcção das praias.
Se pretende um espaço diferente com música ambiente e com óptimo atendimento onde poderá petiscar a qualquer hora, o Sem horas é uma boa opção.