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  • Em Riga, o frio aquece o coração

    Em Riga, o frio aquece o coração

    Riga é provavelmente uma das mais pequenas capitais europeias. Talvez isso a torne especial, simpática, tranquila e acolhedora.

    Visitamos a capital da Letónia em dezembro, em pleno inverno. A cidade estava branca da neve que caíra no dia anterior. Nesta altura os dias são muito pequenos (cerca de 5 horas), há muito frio e por vezes torna-se difícil andar por alguns caminhos com neve. No verão é melhor porque há mais horas de luz e a temperatura mais amena? Para nós não!
    É no inverno que se vive o verdadeiro dia-a-dia das terras nórdicas. O mercado de Natal, as tradições gastronómicas, o vinho quente vendido na rua (que nos aquece até a alma), as pessoas que ao final do dia se juntam nos bares para beber um chá quente de frescos frutos silvestres… este é o espírito.

    Jardim do canal Pilsetas
    Jardim do canal Pilsetas

    Banhada pelo Báltico e percorrida pelo rio Duina Ocidental, Riga tem um centro histórico, património da UNESCO, pequeno e por isso mesmo percorre-se bem a pé. O símbolo da cidade é a praça do Dome. No inverno é visita obrigatória, principalmente à noite. Aqui se situa a catedral do Dome e é também aqui que se realiza o mercado de Natal que vai desde o dia 26 de novembro até ao dia 8 de dezembro cumprindo assim as tradições ortodoxas (Natal ortodoxo é a 7 de dezembro).

    Catedral do Dome
    Catedral do Dome

     

    Mercado de Natal na praça do Dome
    Mercado de Natal na praça do Dome

    Um pouco mais afastada da praça Livu, a igreja de São Pedro, datada de 1209, impressiona pela altura da sua torre de 123 metros, reconstruída várias vezes depois de ser atingida por relâmpagos. Existe um elevador que permite ver a cidade de Riga do seu alto.

    Igreja de São Pedro
    Igreja de São Pedro

    Basta cruzar umas ruas, na praça da Câmara, e estamos na casa das Cabeças Negras, outro ícone da cidade. Construída em 1344, destruída na Segunda Grande Guerra e reconstruída entre 1989 e 2001 albergou, no século XV, a Irmandade das Cabeças Negras, um grupo de comerciantes que tinha como padroeiro São Maximino (que era negro). Hoje este edifício de estilo gótico, serve de sala de espetáculos e museu.

    Junto ao rio Duina Ocidental fica o discreto Castelo de Riga, hoje residência oficial do presidente da Letónia.

    Castelo de Riga
    Castelo de Riga

    Afastando-nos do centro histórico, passamos o canal Pilsetas, ladeado por um bonito jardim que nesta altura estava coberto de neve e o tornava ainda mais belo. Passando este canal, chegamos à catedral ortodoxa da Natividade, um bonito exemplar em estilo neobizantino, herança da União Soviética.

    Catedral ortodoxa da Natividade
    Catedral ortodoxa da Natividade

    No extremo Oeste do canal a torre da Pólvora de Riga, uma pequena torre circular pertencia ao sistema defensivo da cidade, marca a entrada das ruas da zona histórica por Norte.

    A presença soviética vê-se um pouco por todo o lado. A Riga Central Market, considerado património da UNESCO é um mercado junto ao canal, fruto do aproveitamento de um antigo hangar de aviões. Na margem do canal Pilsetas, fica próximo do terminal de autocarros e comboios. Aqui encontramos quiosques de comida, um mercado de produtos hortícolas e restaurantes que nos permitem apreciar as comidas típicas. À sexta e sábado à noite é um ponto de encontro das gentes de Riga.

    Fora do centro, na outra margem do rio, as construções modernas contrastam com a zona histórica. A Biblioteca Nacional da Letónia é um exemplo disso e não passa despercebida. Ergue-se majestosa em frente ao rio com o seu design contemporâneo.

    Biblioteca Nacional da Letónia
    Biblioteca Nacional da Letónia

    Visitar Riga durante todo o ano vale a pena, mas no inverno tem um gosto especial!

  • Talin, um encontro de culturas

    Talin, um encontro de culturas

    Talin, a capital da Estónia, é talvez uma das mais bonitas cidades do Báltico, visita-la no final do ano torna-a ainda mais especial. A neve, o movimento nas ruas, as igrejas, as praças e os mercados de Natal. Juntamos a tudo isto um cenário medieval muito bem conservado, é envolvente.

    Torre das muralhas de Talin
    Torre das muralhas de Talin

    O centro histórico de Talin, dentro das muralhas medievais, apesar do seu percurso histórico – fez parte da Dinamarca, da Finlândia e da União Soviética – está muito bem preservado e por isso mesmo é património da UNESCO.

    Os costumes russos ainda estão bem enraizados na vida estoniana. Uma grande parte da população é russa e isso vê-se quando abordamos alguém para pedir informações. Grande parte da arquitectura também faz lembrar os países da Escandinávia.

    Um bom ponto de partida para começar a visita a Talin é a colina de Toompea. Dentro da área muralhada subimos à colina onde, para além de uma vista magnífica sobre toda a cidade, podemos ver o Parlamento da Estónia mesmo em frente a este a bonita Catedral Ortodoxa de Alexander Nevski.

    Parlamento da Estónia
    Parlamento da Estónia

     

    Catedral de Alexandar Nevski
    Catedral de Alexandar Nevski

    Percorrendo as ruas desta colina chegamos ao largo da Catedral de Santa Maria, a mais antiga igreja de Talin. Construída em 1219 como igreja católica, tornou-se luterana a partir do ano de 1560. Numa das ruas que sai do largo está a Academia de Ciências da Estónia, vale a pena entrar nos portões e ver o seu magnífico edifício.

    Catedral de Santa Maria
    Catedral de Santa Maria

    Descendo a colina, por entre ruas estreitas, vamos dar à Raekoja plats, a praça central, onde se localiza a Câmara de Talin num bonito edifício do século XIV. Aqui ocorrem os principais acontecimentos da cidade e nós visitamos o mercado de Natal onde se vendem produtos e gastronomia típica. A não perder o vinho quente e as doçarias de mel e noz.

    Mercado de Natal
    Mercado de Natal na Raekoja plats

    Saindo da praça central vamos percorrendo um emaranhado de ruas que nos levam até à igreja de São Nicolau, e não muito distante dali a passagem de Santa Catarina.

    Passagem de Santa Catarina
    Passagem de Santa Catarina

    Vale a pena percorrer parte das muralhas. Das 46 torres originais restam apenas 20 muito bem preservadas. Tudo em volta, apesar de serem de épocas diferentes, se integra harmoniosamente. As torres mais conhecidas são as da

    Portas de Viru, Talin
    Portas de Viru, Talin

    .

    No extremo norte da zona muralhada fica a igreja de Santo Olavo com a sua grandiosa torre outrora uma das maiores da Europa. Nesta torre existiam outrora radares do KGB russo.

    Talin é tudo isto mas tem muito mais. Vale a pena visitar a parte mais recente da cidade onde fica a Ópera, o museu do KGB ou a praça da liberdade.

    Talin deixa saudades!

  • Conhecer a cidade universitária de Salamanca

    Conhecer a cidade universitária de Salamanca

    Salamanca orgulha-se de ter a Universidade mais antiga de Espanha e uma das mais antigas da Europa. Esta mesma Universidade serviu de modelo à nossa Universidade de Coimbra.

    A pouco mais de uma hora da fronteira portuguesa, Salamanca é talvez um das mais belas cidades espanholas. Atravessou várias épocas históricas, que começou na Primeira Idade do Ferro, foi um importante basteão francês na Guerra Peninsular e hoje em dia é um importante polo universitário e cultural do país.

    O centro histórico, um dos mais ricos de Espanha, é sem dúvida o local mais bonito da cidade. As suas construções vão desde a época romana, passam pela Idade Média e até ao neoclássico.

    Plaza Mayor é o melhor sítio para começar a visita, construída em meados do século XVI é um dos símbolos de Salamanca e o centro da vida da cidade. Já foi palco de filmes como o Ponto de Mira ou o Zorro. Daqui podemos percorrer as belas ruas douradas (devido à coloração das pedras das construções) que serpenteiam todo o centro histórico. Por estas ruas vamos descobrindo a Casa das Conchas, a Universidade de Salamanca, a Catedral de Salamanca, a Torre del Clavero entre outros monumentos e locais que valem a pena visitar.

    Plaza Mayor, Salamanca
    Plaza Mayor, Salamanca

    A Casa das Conchas, é um simples edifício gótico que se torna especial por estar coberto por conchas (daí o nome) nas suas paredes exteriores. Hoje alberga uma biblioteca.

    Casa das Conchas
    Casa das Conchas

    A Universidade Pontífica de Salamanca (ensino privado), mesmo em frente à Casa das Conchas, é um exemplo magnífico de arquitectura barroca. As torres da Igreja Clerecías impõem-se, vale a pena subir lá acima para vislumbrar a cidade.

    Um pouco mais à frente, a Universidade de Salamanca (a sede e edifício mais antigo) é outro símbolo da cidade. Com mais de 800 anos é escola de mais de 30.000 alunos provenientes de todo o mundo. A sua fachada é muito bonita.

    Universidade de Salamanca
    Universidade de Salamanca

    Ali perto, mesmo ao lado da Plaza Anaya, está a Catedral Nova de Salamanca. Um impressionante monumento gótico, construído nos séculos XVI e XVIII, que conjuga tão harmoniosamente as suas imponência e beleza.

    Catedral Nova de Salamanca
    Catedral Nova de Salamanca

     

    Plaza Anaya
    Plaza Anaya

    Na parte baixa da cidade, a atravessar o rio Tormes, fica a ponte romana (na imagem de capa) – que na verdade apenas os arcos mais próximos da margem de Salamanca são da época romana, toda a restante construção é do século XVIII –  aqui,  podemos desfrutar de uma relaxante caminhada pelo parque.

    Ponte romana, Salamanca
    Ponte romana

    Há muito mais para ver nesta cidade, não muito longe, fica a Igreja Nova del Arrabal, pequena por fora mas muito bonita por dentro.

  • Sanremo, o charme mistura-se com o pitoresco

    Sanremo, o charme mistura-se com o pitoresco

    Quando ouvimos falar de “Sanremo”, traz-nos à memória (pelo menos a algumas gerações) de forma quase instantânea os Jogos Sem Fronteiras. Outras gerações associarão a cidade ao Festival de Sanremo (festival da canção italiana) ou ao seu casino. Mas esta pitoresca cidade é mais do que isso.

    A nossa passagem por Sanremo foi breve, mas valeu a pena.

    Baixa de Sanremo
    Baixa de Sanremo

    Á procura de um local para jantar, sem referência alguma, e depois de nos termos alojado num pequeno bairro na encosta, começamos a descer em direcção à baixa da cidade e chegamos ao largo di San Siro. Aqui deparamo-nos com o mais genuíno das ruas e ruelas de Sanremo. Acabamos por jantar ali mesmo, numa esplanada, com vista privilegiada para uma peça de teatro que estava nesse momento a decorrer na praça.

    Zona histórica de Sanremo
    Zona histórica de Sanremo

    Mesmo atrás de nós, a basílica de San Siro, uma igreja do século XII, é o edifício religioso mais antigo da cidade.

    Basílica de San Siro
    Basílica de San Siro

    No dia seguinte, logo pela manhã, fomos em direcção à praça Eroi Sanremesi, uma azáfama no transito como não podia deixar de ser, até porque ali existe um mercado de rua. Dali fomos até à marginal.

    A marginal é uma mistura de “chique” com tradicional. De um lado o  Forte Santa Tecla, do outro a azáfama turística que envolve a zona do Casino de Sanremo. Depois temos o Porto Vecchio, com barcos tradicionais de pescadores e um pequeno mercado de peixe fresco (e é mesmo fresco!), mesmo ao lado, a marina com grandes iates e barcos de luxo.

    Barcos de pesca no porto Vecchio
    Barcos de pesca no porto Vecchio

    No alto de uma colina, avista-se a igreja de Santa Madonna della Costa, fundada entre os séculos XIV e XV.

    Igreja de Santa Madonna della Costa
    Igreja de Santa Madonna della Costa

    Vale a pena visitar também a igreja do Cristo Salvador.

    Embora a visita tenha sido breve, valeu a pena sem dúvida. Um local para conhecer uma outra vez, dessa vez com mais tempo.

  • Péruges, viajar até à época medieval

    Péruges, viajar até à época medieval

    A caminho de Lyon, vindos de Genebra, somos chamados à atenção por um vilarejo no cimo de uma pequena colina. Desviamos caminho e subimos até Péruges, uma pequena vila medieval do século XV. Se quiséssemos gravar um filme de época não seria necessário adaptar nada, tudo se mantém intacto.

    Entrada de Péruges
    Entrada de Péruges

    A vila/aldeia faz parte das “Mais Belas Aldeias da França.

    Entramos por um pórtico (porta de Haut) que outrora fechava esta antiga vila de tecelões dentro das suas muralhas, e viajamos no tempo. Desta porta, e suas muralhas, faz parte a belíssima igreja-fortaleza, consagrada a Santa Maria Madalena, construída muito provavelmente na fundação desta vila.

    Torre da igreja de Santa Maria Madalena
    Torre da igreja de Santa Maria Madalena

    Vamos dar a um largo que se ramifica por ruas estreitas de pedra. O conjunto arquitectónico envolve-nos.

    Daqui podemos visitar a igreja-fortaleza, onde existem algumas peças de arte interessantes em madeira, e podemos penetrar pelas ruas que serpenteiam o aglomerado de casas tão bem conservadas.

    No meio do aglomerado das casas existe o largo ou praça central, a Place du Tilleul, marcada no seu centro por uma imponente árvore. Em volta o cenário medieval das genuínas casas, e até um antigo lagar agora desactivado.

    Place du Tilleul, Péruges
    Place du Tilleul, Péruges

    Um pouco por toda a vila vêm-se lojas, restaurantes e albergues. Se puder prove a Galette de Pérouges, uma pizza doce coberta de açúcar. Ao passar nas ruas não se admire desta especialidade estar exposta à janela de um restaurante…

    Rua de Péruges
    Rua de Péruges

    Na Casa dos Príncipes, uma mansão dos séculos XIV e XV, muito provavelmente a antiga residência dos Duques de Sabóia, fica o museu e arquivos históricos da vila.

    A vila é muito pequena e visita-se bem numa tarde. Vale a pena.

     


    Como chegar lá

    Péruges fica a apenas 40 Kms de Lyon, na direcção Lyon – Genebra. Se for pela A 42 deve desviar em direcção a Meximieux e nessa mesma localidade virar para Péruges.

  • Veneza, a sereníssima cidade dos doges

    Veneza, a sereníssima cidade dos doges

    Veneza é uma daquelas cidades saída de um conto mágico. A cidade dos doges nasceu num aglomerado de ilhas, separadas por canais, no meio da lagoa de Veneza, alimentada pelas águas do mar Adriático.

    Mais de 30 milhões de turistas passam por Veneza durante o ano e as restrições começam a aumentar para quem visita esta cidade. Os navios de cruzeiro deixaram de atracar no centro histórico, é proibido comer ou sentar na rua (pelo menos ao pé dos principais monumento e praças) e os comerciantes locais abriram guerra contra a bijuteria estrangeira vendida na cidade.

    Mas ao contrário daquilo que se ouve dizer, Veneza não é uma cidade suja, tão pouco cheira mal (pelo menos quando lá estivemos). Mesmo a transbordar de turistas vale a pena visitar esta cidade, basta abstrairmo-nos disso.

    Gondola em Veneza
    Gondola em Veneza

    Chegámos de comboio, e mesmo em frente à estação de Santa Luzia, do outro lado do Grande Canal, vislumbramos a cúpula da igreja de San Simeone Piccolo. Atravessamos a Ponte dos Descalços e começamos a andar em direcção ao Sul penetrando no aglomerado de ilhas e casas, atravessando os muitos canais que vão sendo percorridos por gôndolas.

    Igreja de San Simeone Piccolo
    Igreja de San Simeone Piccolo

     

    Gondola em Veneza
    Gôndolas em Veneza

    Entre tantas pontes, a ponte de Rialto é uma das mais antigas e famosas. Atravessa o Grande Canal e foi durante muito tempo a única ligação entre as duas margens desta via fluvial. Ao atravessar a ponte existem de cada lado pequenas lojas de lembranças.

    Ponte de Rialto
    Ponte de Rialto

    Numa das margens da ponte encontramos o Mercado de Rialto, numa praça, mesmo em frente à igreja de San Giacomo, ganha mais cor no verão com as frutas e vegetais frescos.

    Chegamos à magnífica Praça de São Marcos, apelidada noutros tempos de  “O mais belo salão da Europa”. Na sua “cabeceira” a basílica de São Marcos, um dos melhores exemplos de arquitectura bizantina, começada a construir no século IX.

    Ao lado da basílica fica o gótico Palácio dos Doges ou Palácio Ducal que em outros tempos servia de sede dos doges de Veneza.

    Praça e Basílica de São Marcos
    Praça e Basílica de São Marcos

    Ainda na praça podemos ver o Campanário de São Marcos, com quase 100 metros de altura, a Antiga Procuradoria, a Ala Napoleónica, a Nova Procuradoria, o Museu Correr e a Biblioteca Marciana, uma das maiores de Itália. Mesmo em frente à praça, do outro lado do canal (Bacino di San Marco) está a basílica e mosteiro de São Jorge Maior construídos em finais do século XVI.

    Basílica e mosteiro de São Jorge Maior
    Basílica e mosteiro de São Jorge Maior

    Mas Veneza é mais do que as praças ou basílicas mais famosas. Serpentear as ruas da cidade, saindo dos trajectos normais do turismo revela-se no melhor. O Campo di San Polo por exemplo, antigamente coberto de pasto para o gado e com alguma agricultura, hoje é uma das maiores praças da cidade a seguir à de São Marcos, vale a pena passar por lá.

    Campo di San Polo
    Campo di San Polo, Veneza

    Não muito longe do Campo San Polo fica a magnífica basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari. Uma igreja muito discreta por fora mas que por dentro impressiona pela sua majestosa imponência e coleção de pinturas e esculturas (infelizmente não se pode fotografar por dentro).

    basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari
    Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari

    Não é preciso andar muito, logo atrás, está a igreja de São Roque e mesmo ao seu lado o Museu Leonardo da Vinci. Desvie caminho e vá até ao Campo di san Tomá, onde se situa a igreja, do século X, consagrada a São Tomás (o apóstolo) ou até um “beco” cuja única saída é por uma gôndola. É interessante ouvir os gondoleiros falarem entre eles o dialeto veneto!

    Veneza é muito mais, é mais do que uma multidão de turistas, é muito mais do que a Praça de São Marcos.

     

    Como chegar

    Do aeroporto Marco Polo para Veneza pode utilizar o Aerobus que liga o aeroporto ao terminal de autocarros da Piazzale Roma. A viagem demora entre 20 e 25 minutos.

    Se estiver em Mestre, vindo por terra, a melhor forma de chegar a Veneza é de comboio, deixar o carro em Mestre. Assim que chegamos a Veneza, na estação, deparamo-nos no lado esquerdo com a Ponte degli Scalzi (Ponte dos Descalços). O preço é de 1.25€ a partir da estação Mestre-Veneza.

  • Oceano à vista, Estuário do Sado

    Oceano à vista, Estuário do Sado

    Estuário do Sado com Tróia e a Serra da Arrábida a ladear a chegada ao Oceano Atlântico.

  • Leonardo Da Vinci, o génio futurista

    Leonardo Da Vinci, o génio futurista

    Este ano comemoram-se 500 anos da morte de Leonardo da Vinci. Há como que um renascer das suas obras e dos seus cadernos, estudados e analisados nas várias vertentes. Não podíamos deixar de escrever sobre o mestre que nos desperta um enorme fascínio. Tal como Walter Isaccson o descreve, é “o génio mais criativo da história”.

    Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, perto de Vinci na zona da Toscana, entre Florença e Pisa. Era filho ilegítimo de um notário (Ser Piero da Vinci) e de uma “camponesa”.

    Em 1473, com 21 anos e um talento imenso, desenhou num dos seus cadernos uma paisagem do Vale do Arno que lhe valeu as primeiras encomendas: um retábulo para uma capela do Palazzo della Signoria e a pintura A Adoração dos Magos que, como tantos outros trabalhos, nunca chegou a ser concluída.

    Desde logo Andrea del Verrochio reconheceu os seus dotes artísticos aceitando-o como aprendiz na sua oficina em Florença. Aqui teve oportunidade de começar a trabalhar para os Médicis.

    O desejo do conhecimento era insaciável. Estudou áreas tão ecléticas como a pintura, latim, geometria, anatomia, engenharia, hidráulica entre tantas outras, tentando perceber as ligações entre elas. Cada uma destas áreas era por ele tratada de forma tão minuciosa que ainda hoje é admirada. A primeira descrição da arterosclerose da história da medicina, por exemplo, foi feita por ele depois de dissecar um corpo de um idoso de 100 anos.

    A natureza fascinava-o. O simples movimento da água, por exemplo, é descrito ao longo de 72 páginas do Códice Leicester. Porque é que o céu é azul, ou porque a lua tem luz (ou reflete) eram algumas das perguntas ou mistérios que o inquietavam.

    Para Leonardo, a ciência não era uma actividade separada da arte. Para pintar o corpo humano era importante saber a sua constituição: como se moviam os membros, os músculos, qual o comportamento dos corpos em movimento. Chegava ao pormenor de ter de saber que músculos interviam no sorriso de uma pessoa. Só esta visão justifica a perfeição nas suas obras e a transmissão de movimento e sentimento aos desenhos e quadros, perfeição esta atingida na Monalisa.

    Um dos estudos que mais fascina é o do feto, não só pelas descrições que faz mas sobretudo pelos desenhos. Numa folha de um dos cadernos desenhou o útero humano com um feto e todos os pormenores anatómicos que chegou a ser descrito por Jonathan Jones (crítico de arte) como “a mais bela obra de arte do mundo”.

    Feto no útero
    Feto no útero (foto Wikipedia)

    É tão magnífico o seu trabalho que Calvin Coffey, chefe de cirurgia na Graduate Entry Medical School da Universidade de Limerick na Irlanda, em 2015, investigava o mesentério – uma estrutura em forma de leque que liga os intestinos grosso e delgado à parede traseira do abdómen, que se pensava serem vários órgãos – quando descobriu que Da Vinci, em 1508 já tinha confirmado essa teoria. Ficou tão impressionado com a descoberta que, na conclusão do seu trabalho atribuiu os créditos  da descoberta a Leonardo da Vinci: “Sabemos agora que a interpretação de Da Vinci estava correcta”… “É simplesmente uma obra-prima”.

    Todos os trabalhos , acabados ou não, são de uma minucia impar, onde todos os ângulos, sobras e traços foram estudados ao mais ínfimo pormenor de forma a permitir uma subtileza inigualável. Estudou a luz e a forma como esta entra no olho humano. Até mesmo os mais rudimentares projectos, como é o caso do fato subaquático e o escafandro, serviram de base e anteciparam a produção de equipamentos hoje utilizados. Outro grande exemplo é o helicóptero.

    Obras como a Gioconda (Monalisa, retrata a mulher de um mercador de seda florentino), no Museu do Louvre em Paris, nunca conseguiram ser superadas.

    Mona Lisa de Leonardo da Vinci
    Mona Lisa de Leonardo da Vinci no Museu do Louvre

    Os enigmas são a imagem de marca de Da Vinci, tal como na Gioconda o sorriso causa nos especialistas alguma controvérsia também na “Virgem com a criança a rir”, a única escultura tridimensional ainda existente do artista, é encontrado esse sorriso na criança.

    Estátua da Virgem com o menino Jesus a rir
    Estátua da Virgem com o menino Jesus a rir (Fotografia: Victoria & Albert Museum, London)

    Depois de Florença passou por Milão, onde trabalhou ao serviço dos Sforza, Roma e Paris (Amboise) onde acabou por falecer ao serviço de Francisco, rei de França.

    Estátua de Leonardo em Milão
    Estátua de Leonardo em Milão

    Leonardo é mais do que a referência do Homem do Renascimento, sem dúvida foi um génio.

     

    Referências

    Revista National Geographic, Claudia Kalb, maio 2019

    Jornal Público, Joana Amaral Cardoso, 12-11-2018

    Observador, João Francisco Gomes, 09-03-2019

    Leonardo da Vinci, Walter Isaccson, 2019

  • Descobrir Toledo, a glória de Espanha

    Descobrir Toledo, a glória de Espanha

    No topo de uma colina, sobranceira ao rio Tejo que a abraça, Toledo é o cenário perfeito para um filme da idade média.

    A pouco mais de uma hora de distância de Madrid, Toledo é uma excelente sugestão para visitar. Cervantes descreveu-a como “a glória de Espanha”.

    O centro histórico de Toledo está inserido dentro de uma muralha. Um bom ponto de partida para o visitar é o Miradouro de la Granja, mesmo no cimo das escadas rolantes que ligam a entrada da zona muralhada a um dos pontos mais altos do centro. Mesmo ao lado existe um posto de turismo onde podemos obter muitas informações acerca da cidade.

    Puerta de Bisagra Nueva
    Puerta de Bisagra Nueva

    Penetrando pelas ruas encontramos a Igreja de Santa Leocádia que, discretamente guarda histórias de grande importância para Toledo. A partir do ano de 567 Toledo tornou-se a capital do Reino dos Visigodos. Com assembleia mista composta por nobres e eclesiásticos, as sessões políticas e religiosas eram realizadas nesta igreja. Ainda hoje existem, na torre e fachada da igreja, algumas peças e relevos de estilo visigótico.

    Igreja de Santa Leocádia
    Igreja de Santa Leocádia

    Continuando a caminhar pelas estreitas ruas da cidade é visita obrigatória a Praça Zocodover. Lugar central e de encontro de Toledo, outrora um mercado árabe de onde vem, aliás, o seu nome. Aproveite para comer Mazapan, um doce típico, muito parecido com os doces de amêndoa do Algarve.

    Praça Zocodover
    Praça Zocodover

    A poucos metros da Zocodover fica o Alcázar de Toledo que atualmente alberga o Museu do Exército. A construção deste magnífico monumento remonta à época do Império Romano sofrendo depois várias alterações ao longo dos reinados de Alfonso VI e Alfonso X dando origem o primeiro alcázar de planta quadrada.

    Alcazar de Toledo
    Alcazar de Toledo

    Descendo as ruas vamos dar à Plaza del Ayuntamento onde se situa a Catedral de Toledo (e Ayuntamento de Toledo). Construída entre 1226 e 1493 é uma obra-prima do gótico com influência francesa em Espanha.

    Catedral de Toledo
    Catedral de Toledo

    Dali subimos e visitamos as termas romanas, as igrejas Jesuitas e por entre vielas descobrimos o Real Colegio Doncellas Nobles.

    Uma das figuras ligadas a Toledo é El Greco, pintor nascido em Creta que se radicou em Toledo e onde acabou por conceber as suas melhores obras. Aproveite e visite o Museu El Greco onde estão expostas algumas das suas obras.

  • Visitar Berna, a tímida cidade medieval

    Visitar Berna, a tímida cidade medieval

    Timidamente, Berna, a capital da Suiça, guarda no seu centro histórico um bairro medieval que lhe valeu a entrada para a lista dos Patrimónios da Humanidade (UNESCO).

    Berna tem orgulho em ser um dos oito cantões que originaram, em 1353, a Confederação Helvética. Ainda preserva dessa altura o “Lauben”, 6 quilómetros de arcadas sobre as quais se mantêm habitações com mais de 600 anos.

    Vista sobre a cidade velha
    Vista sobre a cidade velha

    Contrariamente ao que se fala “por aí” os suiços são simpáticos, quando perguntámos a um rapaz, se podíamos estacionar, para além de nos dar logo toda a informação também nos deu o seu dístico de estacionamento!!!

    Rua no centro de Berna
    Rua no centro de Berna

    Começando pelo centro de Berna, visitamos a igreja do Espírito Santo, numa praça movimentada e onde de concentram os transportes públicos.

    Igreja do Espírito Santo
    Igreja do Espírito Santo, Berna

    Daqui é um bom ponto de partida para o centro histórico. A poucos minutos a pé encontra-se a Zytglogge, a torre do relógio (do século XIII), um dos símbolos de Berna, onde a cada hora se podem ver as personagens miniaturas a fazer uma coreografia com o soar dos sinos.

    Torre do relógio
    Torre do relógio

    Continuando nesta área o Parque Kleine Schanze é paragem obrigatória no final do dia para os suiços. Vêm-se muitas pessoas sentadas na esplanada a beber uma cerveja ou um café. É um local ideal para passear e vislumbrar a cidade velha.

    Aqui mesmo ao lado podem-se visitar os palácios dos Serviços Financeiros e o Parlamento da Suiça.

    Palácio dos serviços financeiros
    Palácio dos serviços financeiros e Parlamento da Suiça ao fundo

     

    A Catedral de Berna também merece uma visita. É um edifício muito importante, tanto do ponto de vista arquitectónico mas também por ser um dos edifícios religiosos mais antigos do país.

    Um dos lugares que também é de visitar é o Parque dos Ursos (o antigo fosso dos ursos é outro símbolo de Berna), um lugar onde se simula o ambiente natural destes animais e desta forma podemos vê-los a escalar, a pescar ou a brincar.