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  • Praias de Sangano e Cabo Ledo

    Praias de Sangano e Cabo Ledo

    Vindos de Luanda em direcção ao Sul, depois de passar pela ponte na Barra do Kwanza,  chegamos a Sangano, uma pequena aldeia piscatória.

    Entre a estrada principal e até chegarmos à praia passamos pelo meio da aldeia. Terra batida, casas feitas em chapa de zinco ou em tijolo de barro, crianças que nos saúdam fazendo adeus e pedindo bolachas e água ou qualquer outra coisa que possamos dar.

    Barcos no areal, com os quais os pescadores ainda pescam artesanalmente marisco, garoupas, pargos, linguados, kitetas (uma espécie de ameijoas) entre outros peixes e mariscos.

    Aqui podemos comprar peixe e marisco às vendedoras que nos abordaram (como sempre tudo se negoceia) junto à praia, à procura de turistas. Por enquanto, e não será por muito tempo, ainda vai conservando o genuíno destas povoações. 

    Uma praia tranquila, banhada pelo Atlântico, que convida a passar um bom bocado.

    Praia de Sangano
    Praia de Sangano

     

    Crianças no caminho
    Crianças no caminho

    Continuando viagem para Sul, aproximadamente 120Km de Luanda, chegamos a Cabo Ledo, uma estância balnear para onde os luandinos vão ao fim-de-semana fazer praia.

    Praia de Cabo Ledo
    Praia de Cabo Ledo

    Cabo Ledo perde um pouco do típico lugar de praia. A indústria do turismo já há muito que tomou conta deste lugar e os restaurantes e resorts ocupam a maior parte do espaço.

    Resorts em Cabo Ledo
    Resorts em Cabo Ledo

    Mesmo ao lado dos resorts, a praia dos surfistas começa a ser concorrida e a ter alguma procura por desportistas desta modalidade.

    Com mais ou menos turismo, estes locais, são pontos a visitar. Reina a calma,  a tranquilidade e mesmo em altura de cacimbo (Inverno) consegue-se desfrutar de um bom momento de praia.

     

  • Luanda, terra de contrastes

    Luanda, terra de contrastes

    Luanda, uma cidade de contrastes, por um lado condomínios e mais condomínios privados e grandes empreendimentos por outro lado os musseques (espécie de favelas).

    Trânsito infernal, sem qualquer tipo de regras, veículos topo de gama (até porque o combustível é barato, a gasolina custa cerca de 136 Kz, cerca de 0,36 € ao câmbio da rua) e “candongueiros” que poderão ser furgões de passageiros (de cor branca e azul) apinhados de gente, ou até  motorizadas.

    Candongueiros
    Candongueiros

    Tudo se vende e tudo se compra nas ruas, fruta, artesanato, roupa e até dinheiro. É muito frequente ver “kinguilas”, senhoras que estão nas bermas das estradas e que trocam dinheiro. Para dizer a verdade é a melhor forma de ter kwanzas a um câmbio melhor (quase o dobro do que nos bancos).

    Para quem não quer recorrer aos mercados de rua onde os preços até podem, e devem, ser regateados, existem centros comerciais um pouco espalhados por toda a cidade.

    A comida típica é o mufete, que consiste em peixe grelhado, acompanhado por batata doce cozida, banana, feijão com óleo de palma e farinha de mandioca e funge (farinha de milho ou de mandioca) e a muamba que é um guisado de galinha com óleo de palma, quiabos e beringela.

    Pontos a visitar

    O Forte de São Miguel, junto da baía de Luanda, alberga o Museu Nacional de História Militar. Este forte conserva em todo o seu interior painéis de azulejos portugueses que representam episódios de vida selvagem e das navegações portuguesas na costa de Angola, e artefactos utilizados quer na guerra quer na caça.

    No recinto exterior estão expostas estátuas dos primeiros governadores da Província Portuguesa de Angola, o fundador da cidade, Paulo Dias de Novais, assim como alguns veículos militares da época colonial.

    Tivemos também a oportunidade de visitar a capela de São Miguel onde a funcionária do museu estava a dar uma “aula” da história do monumento a crianças de escolas, que também visitavam o forte.

    Capela São Miguel - Fortaleza
    Capela São Miguel – Fortaleza

     

    Entrada do Forte de São Miguel
    Entrada do Forte de São Miguel

     

    Ilha de Luanda
    Ilha de Luanda

    Continuando a marginal de Luanda para Sul passamos pelo monumento a Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola. Ao longe vê-se a cúpula da Assembleia Nacional.

    Monumento a Agostinho Neto
    Monumento a Agostinho Neto

     

    Assembleia de Angola
    Assembleia Nacional de Angola

    À saída de Luanda, quando nos dirigimos para Sul, o Museu Nacional da Escravatura, localizado no Morro da Cruz, foi criado com o objectivo de dar a conhecer a historia da escravatura em Angola. O Museu está na Capela da Casa Grande, onde no séc. XVII os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros.

    No exterior existe um mercado de rua onde se podem comprar artesanato em madeira, tecidos (capolanas, tecidos típicos) e telas. Não nos podemos esquecer de negociar e de colocar em cada peça o selo de artesanato (os comerciantes cobram este selo como sendo um extra) para no aeroporto não termos chatices.

    No outro lado do rio vemos o Mussulo. Há transporte para visitar a ilha, que pode ser negociado.

    Se seguirmos a estrada para Sul, saindo de Luanda passamos no miradouro da Lua, onde a vista sobre o mar é muito bonita e onde se pode ver a erosão provocada pelo vento e pela chuva na falésia, daí à sua designação.

    Miradouro da Lua
    Miradouro da Lua

    Continuando caminho para Sul chegamos à Barra do Kwanza (onde o rio desagua no mar), é o maior rio angolano que delimita as províncias de Luanda e Bengo. Aqui começa o Parque Natural do Quiçama. Para passar na ponte existe uma portagem, custa cerca de 315 AKZ. Logo após a passagem da ponte avistamos ao longo da berma da estrada macacos. A paisagem é muito bonita.

    Macacos na barra do rio Kwanza
    Macacos na barra do rio Kwanza

     

  • Angola, redescobrir um país

    Angola, redescobrir um país

    A primeira coisa que deve vir ao pensamento de quem lê este texto é: o quê? viajar em lazer para Angola?

    Pois é isso mesmo, depois de alguma burocracia saíram os vistos e lá fomos nós.

    A par de outros países da África Central, Angola ainda conserva muito da essência e das raízes africanas (nada exploradas pelo turismo): clima, fauna, flora, paisagem,  cultura e gente genuína. Por exemplo, assim que saímos de Luanda, para Sul, na barra do rio Kwanza, passamos numa pequena floresta tropical onde pudemos ver macacos que vêm ter connosco à espera que lhe demos de comer.

    Macacos na barra do rio Kwanza
    Macacos na barra do rio Kwanza

    O que torna o país único é também o seu clima que, embora localizado na zona tropical, tem características muito particulares, existindo apenas duas estações no ano, o verão (das chuvas) que vai de Outubro a Abril e a seca, conhecida por cacimbo, de Maio a Agosto.

    As línguas bantas (um ramo linguístico do grupo benue-congolês da família nigero-congolesa), como o kimbundu (Norte e Luanda), o mbundu (no Sul) e o chokwe (Nordeste e parte central do país) ainda são faladas em diversas zonas do país, sobretudo pelos mais velhos.

    O povo Chokwe por exemplo tem uma das culturas mais ricas do país e a sua arte, ligada ao culto dos antepassados e à celebração da vida, tem inspirado muitos artistas contemporâneos. A UNESCO atribuiu mesmo o título de património imaterial da humanidade às máscaras Mukishi deste povo.

    Máscaras tribais
    Estátuas tribais

    Os Chokwe faziam parte do império Lunda ou de Mwata Yanvo Muatianvuas, cuja ascensão e queda na região central africana aconteceu entre os séculos XVII e XIX.

    Os angolanos são pessoas afáveis, humildes e amigos de ajudar. Na sua cultura e vivência continua ainda muito enraizada (pela positiva) a presença colonial portuguesa assim como os costumes – exemplo disso é o Museu de História Militar de Angola no Forte de São Miguel (em Luanda). Existe alguma simpatia, e até afecto, pelos “tugas” ou “pulas” chegando a haver a diferenciação entre estrangeiros e portugueses.

    Baía de Luanda
    Baía de Luanda

    Logo quando saímos do avião sentimos uma baforada de sensações que nos activam quase todos os sentidos, o calor, o cheiro da terra, o sotaque das pessoas, a envolvência ambiental.

    Uma coisa muito importante a ter em mente, e nunca esquecer, é que estamos em Angola, tudo tem tempo para acontecer, por isso habitue-se, tudo é feito com calma (muita calma), sem stress e sem hora marcada.

    Luanda é o centro da vida política e económica de Angola. A capital tem mais de oito milhões de habitantes, distribuída entre as modernas construções, os bairros mais modestos e os “musseques”.

    Ilha de Luanda
    Ilha de Luanda

    Na linha de costa, muito mais calmo, é interessante visitar Benguela, Lobito, Sumbe e o Namibe, sem esquecer Cabinda. Mais no interior Malange, Huambo, Lubango e Dundo. Claro que o que há para visitar não se cinge apenas a estes locais, para além das cidades existe muito mais: as florestas tropicais, as quedas de Kalandula em Malange, o parque o Parque Nacional de Quiçama, o deserto do Namibe (o mais antigo do mundo), a serra da Leba, a nascente do Okavango, e muito, muito mais.

    Rua de Benguela
    Rua em Benguela


    Into the Okavango – Documentário National Geographic (projecto Okavango Wilderness Project’s 2018)

    Angola não é só o país onde se vai trabalhar, há muito para ver, descobrir e redescobrir neste país que renasceu há pouco mais de 40 anos.