Categoria: Portugal

Artigos e dicas de viagens sobre destinos em Portugal (Europa)

  • Rota da Peninha e Adrenunes

    Rota da Peninha e Adrenunes

    Fizemos a rota da Peninha na serra de Sintra, um pequeno percurso, que encanta pela beleza natural.

    O melhor local para iniciar este trilho é num pequeno parque de estacionamento logo abaixo do Santuário da Peninha. Foi aqui que começamos o percurso e fizemo-lo no sentido dos ponteiros do relógio.

    Começamos por subir um caminho muito curto até ao Santuário. Daqui tem-se uma vista fantástica que chega à serra da Arrábida passando por toda a costa atlântica que vai do Cabo da Roca ao Cabo Espichel.

    Vista a partir do alto da Peninha
    Vista a partir do alto da Peninha

     

    Santuário da Peninha
    Santuário da Peninha

    É possível subir um pouco mais até à capela envolvida numa série de outros edifícios. Daqui, e em dias limpos, a vista alcança muito mais, sendo possível verem-se as Berlengas.

    A partir deste ponto entramos num bosque, tão característico desta Serra, onde algumas espécies de árvores nativas da América do Sul (com origem em algumas tentativas de reflorestação da serra) se misturam originando a Laurissilva (tipo de floresta húmida subtropical).

    Bosque (floresta Laurisilva)
    Bosque (floresta Laurisilva)

    Depois de descer, encontramos entre as árvores, um local para merendar com algumas mesas de madeira.

    Um pouco mais adiante fizemos um desvio para as antas de Adrenunes, um monumento megalítico a 422 metros de altitude, de onde é possível ter uma visão sobre toda a região.

    Placas indicativas dos percursos
    Placas indicativas dos percursos

     

    Anta Adrenunes
    Anta Adrenunes

    Voltando (atrás) ao percurso da Peninha continuamos, agora com vegetação mais aberta até encontrarmos uma subida ligeira mas longa.

    Acabando de subir chegamos à estrada, no meio de árvores, que nos levará até ao final/início do percurso.

     


    Como chegar lá

    Pela Estrada Nacional 247, no sentido Sintra – Colares, pouco antes do cruzamento para a Azóia e cabo da Roca, virar no cruzamento à esquerda para a Peninha. Ou pela Estrada Nacional 9, antes da Malveira da Serra seguir à direita em direcção ao Santuário.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 4,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: C.M. de Sintra

    Normas de conduta

  • Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Longe da Torre, da neve e do alvoroço turístico, é no coração que a Serra da Estrela guarda o melhor. A poucos quilómetros de Manteigas, escondido num pequeno vale, aninha-se o Poço do Inferno, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, alimentada pela ribeira de Leandres, que surge num lugar de grande beleza e interesse geológico.

    Começámos o trilho junto ao pequeno estacionamento (vindos das Caldas de Manteigas), antes do Poço do Inferno, e no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

    Sinalização
    Sinalização

    O início do percurso é íngreme, com alguns degraus (algumas pedras soltas) e pequenas escaladas, mas nada que não se faça, sem grande esforço, aliás, fizemo-lo com os nossos 4 filhos (de 1, 6, 11 e 13 anos) e adoraram. O desnível é muito acentuado mas faz-se muito bem.

    Assim que atingimos o topo dos blocos graníticos podemos vislumbrar as formações rochosas e escarpadas, onde se juntam o granito de Seia com o as rochas endurecidas (devido ao metamorfismo de contacto) do granito de Manteigas, e uma paisagem a perder de vista onde se pode ver a serra de São Lourenço (parte integrante da Estrela), encimada com o seu posto de vigia, e o Campo Romão (junto às Penhas Douradas).

    Escarpas graníticas
    Escarpas graníticas

    O percurso atravessa a tímida ribeira de Leandres, por uma pequena ponte de madeira, que a jusante se precipita pelas escarpas graníticas até encontrar um poço, o Poço do Inferno.

    Depois de subir um pouco mais, contemplar a vista e andar por entre fragas (rochas grandes, penhascos) e árvores chegamos a um bosque de carvalhos, azinheiras, castanheiros, pinheiros e alguns exemplares de teixo (espécie em vias de extinção) que passam despercebidos (e ainda bem).

     

    Bosque na rota do Poço do Inferno
    Bosque na rota do Poço do Inferno

    No percurso vão-se vendo algumas construções que discretamente humanizam a paisagem e que outrora serviram de abrigo a pastores e gado ou, no caso dos muros, separaram culturas, de caminhos que se faziam pelo meio da Serra.

    Antigo abrigo
    Antigo abrigo

    Aqui respira-se natureza e se não fizermos muito barulho ainda conseguimos ver um ou outro esquilo-vermelho que trepa pelos castanheiros ou pinheiros tentando comer castanhas ou os “cones” das pinhas.

    A última parte do percurso (pouco menos de metade) faz-se pela estrada florestal que vai acabar na parte inferior do Poço do Inferno.

    Estrada para o Poço do Inferno
    Estrada para o Poço do Inferno

     

    Cascata do Poço do Inferno
    Cascata do Poço do Inferno (no Inverno)

    No verão é normal que a cascata esteja quase seca. A melhor época para visitar este lugar é no final do Verão e início do Outono quando as folhas das árvores ganham tonalidades alaranjadas antes de cair.

     


    Como chegar lá

    A partir de Manteigas, pelas Caldas de Manteigas em direcção à Torre, estrada N338, depois do viveiro das trutas, vira-se à esquerda e segue-se pela estrada florestal (7 km).

    A partir de Manteigas pode também ir pela estrada florestal de Leandres (6 km).

     

    PR1 MTG

    Tipo: Circular
    Estensão: 2,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

    Normas de conduta

  • Quinta da Regaleira, respire misticismo e romantismo

    Quinta da Regaleira, respire misticismo e romantismo

    A Quinta da Regaleira, situada na encosta da serra a alguns metros da vila de Sintra, pode ser considerada um dos monumentos mais surpreendentes na região.

    Construída entre 1904 e 1910, sofreu alterações depois da aquisição pelo Dr. Carvalho de Monteiro, tornando-a naquilo que podemos hoje ver. Alia o misticismo e o romantismo à magnífica arquitectura de uma forma muito singular.

    Logo que compramos os bilhetes de entrada é entregue um mapa, basta segui-lo. A Quinta é enorme e só assim se consegue definir o que se quer ver e qual o melhor percurso. Não tenha pressa, aproveite bem todo o encanto e esteja atento aos pormenores e símbolos, que são muitos, evocativos, sobretudo da Macçonaria e dos cavaleiros Templários.

    Ao entrarmos na Quinta deparamo-nos com o palácio, também designado por Palácio do Monteiro dos Milhões, de arquitectura riquíssima e trabalhada, criado pelo arquiteto italiano Luigi Manini. Logo na entrada toda a ornamentação é relacionada com o mar e os descobrimentos portugueses.

    Arco da entrada da quinta
    Arco da entrada da quinta

    À medida que se entra no palácio desvendam-se cada uma das salas, cada terraço, apercebendo-nos das ligações criadas com o esoterismo e com o fantástico, cheios de símbolos ocultos por trás dos estilos manuelino, renascentista e barroco. Como grande exemplo destes trabalhos exuberantes, na sala da caça, está a magnífica lareira.

    Lareira do palácio da Regaleira
    Lareira do palácio da Regaleira

    No exterior uma vegetação bastante diversificada mas em plena sintonia com as construções em pedra, emanam magia e mistério, num mundo dantesco, cheio de símbolos, desde a alquimia à mitologia.

    Destacamos a capela, com referências à ordem de Cristo e aos Templários.

    Capela
    Capela

     

    Olho
    Olho na pirâmide dentro da capela, descubra-o!

    O poço iniciático ou torre invertida é um dos ex-libris da quinta. Com 27 metros de profundidade, o acesso faz-se através de uma escadaria em espiral, fazendo a ligação entre o céu e a terra. Há quem diga que era utilizado em rituais de iniciação maçónica. Tem 9 patamares, cada um com 15 degraus, invocando a Divina Comédia de Dante e no fundo do poço uma rosa dos ventos, com os pontos cardeais sobre a cruz dos Templários.

    Poço iniciático
    Poço iniciático

    Os percursos subterrâneos são claramente locais a percorrer, assim como as grutas. O passeio ao ar livre, no meio do bosque, é bastante agradável.

    Em suma, um local místico, onde o tempo lá passado nos leva a uma outra dimensão. Fica na recordação o local, fica na imaginação o simbolismo, fica a vontade de querer lá voltar.

    Fonte da Regaleira
    Fonte da Regaleira

     

    Agradecemos a colaboração da Quinta da Regaleira.

  • Uma visita por Setúbal, entre o rio e a serra

    Uma visita por Setúbal, entre o rio e a serra

    A poucos quilómetros de Lisboa, Setúbal tem o poder de harmoniosamente unir a imponência da Serra da Arrábida e o esplendor do rio Sado.

    Numa das mais belas baías do mundo, onde se juntam as águas do Atlântico com as do rio (que dá nome aos habitantes da cidade, os sadinos) e nas faldas da frondosa Arrábida nasceu a cidade adoptada como filha por estas duas belezas naturais.

    Inicialmente designada por Cetóbriga, ocupada por fenícios e romanos há mais de 2000 anos, chegou a ser considerada um dos maiores portos do país e o maior complexo de salga de peixe do Império Romano.

    Aqui nasceram Bocage, poeta conhecido pela sua ironia e sátira à sociedade, Luísa Todi, importante cantora lírica e Sebastião da Gama, escritor e defensor da Arrábida,  entre outros.

    Longe vão os tempos áureos da cidade quando a sua economia representava muito no país e que infelizmente acabou há pouco mais de 30 anos com a indústria conserveira.

    Doca de Pesca
    Doca de Pesca

    Hoje cidade do peixe renasce para uma nova indústria: o turismo.

    Conhecida pela cidade da sardinha assada e do choco frito, também o vinho, o moscatel e o queijo são produtos de destaque a degustar.

    Começamos a visita na principal artéria da cidade, a avenida Luísa Todi. Atravessa a cidade de Este a Oeste e junto a ela podemos visitar a praça do Bocage onde se localiza o edifício da câmara municipal e a igreja de São Julião, um magnífico templo do século XVI. Daqui podemos visitar a Casa da Cultura e percorrer a baixa da cidade onde, no edifício do turismo, podemos ver salgadeiras de peixe do período romano.

    Praça do Bocage
    Praça do Bocage (e estátua de Bocage) com o edifício da Câmara Minucipal ao fundo

     

    Na baixa da cidade podemos ainda ver a Sé Catedral, uma igreja do século XVI, e mesmo ao lado a casa do Corpo Santo. Subindo da baixa em direcção à porta de São Sebastião chegamos ao miradouro do mesmo nome, e muito perto, numa espécie de labirinto de ruas, onde nasceu Bocage, chegamos à igreja de São Sebastião.

    Sé Catedral de Setúbal
    Sé Catedral de Setúbal

    Muito perto daqui e colocando-nos de volta à avenida Luísa Todi temos o edifício da Biblioteca Municipal e percorrendo esta artéria podemos visitar a Casa da Baía, a Galeria Municipal (no antigo edifício do Banco de Portugal) e o Mercado do Livramento considerado um dos melhores mercados de peixe do mundo.

    Um dos símbolos de Setúbal é sem sombra de dúvida o Convento de Jesus. Essa importância deve-se a vários aspectos: ao facto de ter marcado a expansão de Setúbal (na altura vila) para fora das primeiras muralhas; ter sido a primeira construção do país no Estilo Manuelino (ainda nem reinava D.Manuel I); e de aqui se ter assinado a ratificação ao Tratado de Tordesilhas, tendo ficado desta forma o nome de Setúbal ligado a um dos momentos mais importantes da história universal de Portugal.

    Convento de Jesus, Setúbal
    Convento de Jesus, Setúbal

    Continuando pela história subimos uma das colinas junto à cidade e chegamos ao Forte de São Filipe. Inspirado no Castelo de Sant’Elmo, em Nápoles – Itália, esta fortaleza é um belíssimo exemplar de arquitetura militar maneirista.

    Forte de São Filipe
    Forte de São Filipe

    Na frente ribeirinha podemos contemplar o rio no ponto em que se junta ao mar, Tróia mesmo em frente (pode atravessar de barco para lá – ferry ou catamaran), a doca dos pescadores, os jardins à beira mar, entre outras atracções.

    Mas Setúbal não é só a cidade, é também a Serra da Arrábida onde “nasceu”, em harmonia com a montanha, o Convento da Arrábida, onde podemos aproveitar as magníficas praias, visitar a gruta da Lapa de Santa Margarida no Portinho da Arrábida ou fazer uns trilhos pedestres. Setúbal é também o Estuário do Sado onde se podem observar os golfinhos em estado selvagem.

     


    O quê e onde comer

    Setúbal é a terra do peixe e por isso mesmo recomenda-se a caldeirada de peixe, a sardinha e carapaus  assados, o salmonete à setubalense e obviamente o choco frito.

    Para comer todas estas especialidades recomendamos o Forno da Lotta, um restaurante típico, no bairro da Fonte Nova.

    Para o choco frito o melhor é mesmo o “Leo do petisco“, no final da avenida Luísa Todi, na direcção das praias.

    Se pretende um espaço diferente com música ambiente e com óptimo atendimento onde poderá petiscar a qualquer hora, o Sem horas é uma boa opção.

     

  • Arouca, onde a história e a natureza se encontram

    Arouca, onde a história e a natureza se encontram

    Em plena Serra da Freita, Arouca combina harmoniosamente os seus legados histórico e natural. Deste perfeito “casamento” nasceu o Arouca Geopark que muito tem feito pela protecção, promoção e divulgação de todo este património.

    Embora tenhamos visitado pouco mais que a vila, há muito para ver no concelho. As místicas pedras parideiras, um fenómeno geológico único no mundo, aldeias que pararam no tempo, minasde volfrâmio abandonadas , uma rede de percursos pedestres, quedas de água, os Passadiços do Paiva e muito mais.

    Passadiços
    Passadiços do Paiva

    Mesmo no centro da vila, na alameda Dom Domingos de Pinho Brandão está o posto de turismo do Arouca Geopark onde, muito atenciosamente nos deram informação acerca de todos os pontos turísticos mais interessantes para visitar.

    Uma visita à vila tem de ter passagem obrigatória pelo Mosteiro de Arouca ou Mosteiro de Santa Maria de Arouca. A origem deste mosteiro começa no século X como mosteiro beneditino e no século XII passa para a ordem de Cister como mosteiro exclusivamente feminino até à extinção das ordens religiosas em 1759 por D. José I.

    Mosteiro de Arouca
    Mosteiro de Arouca

    O mosteiro sofreu alguns trabalhos de restauro e conservação após alguns anos de abandono e ocupação que resultou na danificação e perda de muito património.

    Vale a pena fazer uma visita ao Museu de Arte Sacra onde podemos percorrer algumas áreas do mosteiro como a cozinha, o salão do cadeiral, os claustros, as celas entre outros espaços.

    Claustros do Mosteiro de Arouca
    Claustros do Mosteiro de Arouca

     

    Salão do Cadeiral
    Salão do Cadeiral

    Na igreja do Mosteiro podemos ver o corpo de Santa Mafalda, conservado em cera, que aquando da exumação do seu corpo para ser trasladado para Arouca, descobriram que estava incorrupto, este facto gerou uma onda de fervor religioso.

    Mesmo em frente da Igreja, do outro lado da rua, está a Igreja da Misericórdia. Partindo daqui visitamos ainda as ruas do centro histórico da vila onde existem casas brasonadas que fazem parte da história da vila.

    Igreja da Misericordia de Arouca
    Igreja da Misericordia de Arouca

     

    Rua em Arouca
    Rua em Arouca

    Se nos colocarmos na rua que nos leva à Câmara Municipal e olharmos para cima vemos o monte da Senhora da Mó, onde tem uma capela da mesma santa.

    Num dos cruzamento de Santa Eulália está o memorial de Santo António. Existem vários por esta região, surgem com frequência junto às antigas estradas e conta a lenda que à passagem da urna da Rainha Santa Mafalda, que ía em cima de um burro, onde este parava exausto foi erigido um destes memoriais.

    Memorial de Santo António
    Memorial de Santo António

    Muito perto de Arouca, em Canelas visitamos o Centro de Interpretação Geológico de Canelas onde se podem ver fósseis de alguns dos maiores trilobites do mundo.

     


    O quê e onde comer

    Parte do património gastronómico de Arouca, vale a pena provar a Vitela Arouquesa. Nós fizemo-lo no restaurante Parlamento (na Travessa da Ribeira) onde fomos atendidos com muita simpatia e atenção.
    Comemos vitela Arouquesa no forno que estava divinal e provamos posta de vitela Arouquesa grelhada.

    Vitela Arouquesa no forno
    Vitela Arouquesa no forno e doce da casa

    Os doces conventuais típicos de Arouca, eram confeccionados no Mosteiro e as suas receitas foram passando de geração em geração. Nós quisemos prová-los, e mesmo em frente ao Mosteiro, fizemo-lo na loja Doces Conventuais de Arouca. Escolher um doce para recomendar é difícil, se puder prove um de cada. 🙂