Categoria: Portugal

Artigos e dicas de viagens sobre destinos em Portugal (Europa)

  • Mértola, um mosaico histórico da Ibéria

    Mértola, um mosaico histórico da Ibéria

    Foi capital de uma região economicamente importante do Império Romano. Pelo rio Guadiana chegavam embarcações do mar Mediterrâneo, que vinham carregar ouro, cobre e zinco. Mais tarde foi ocupada por visigodos, árabes e finalmente cristãos. Mértola é hoje um mosaico da história Ibérica.

    Chamam-lhe “Vila Museu” e não faltam motivos de interesse quando se percorrem as suas ruelas. A herança muçulmana está bem presente no casario.

    Rua em Mértola
    Rua em Mértola

    No alto, o castelo domina a vila. Construído no século X e pertença da Ordem de Santiago, ainda conserva na sua estrutura elementos visigodos e árabes. Na torre de menagem, mandada construir em 1292 por D. João Fernandes, mestre da Ordem de Santiago, existe um dos núcleos dos Museu de Mértola, dedicado à Ordem. Junto às muralhas podem visitar-se algumas escavações arqueológicas, onde constam o bairro islâmico, construído sob as ruínas romanas e onde foram descobertos dois batistérios que estão entre os maiores na Europa, um deles o batistério paleocristão do século V ou VI.

    Torre de menagem
    Torre de menagem do castelo de Mértola

    Basta descer poucos metros de uma pequena ruela para chegarmos à igreja de Nossa Senhora da Anunciação, ou Igreja Matriz de Mértola, um marco da passagem das várias civilizações nesta vila. Começou por ser um templo romano, depois transformado em mesquita islâmica e na reconquista adaptada a templo cristão. Conserva traços muçulmanos, como as portas de estilo árabe, e na cave da antiga sacristia, do século XVI, existe um pequeno museu onde podem ver-se as fundações das várias fases de ocupação.

    Igreja Matriz
    Igreja Matriz de Mértola

    O Museu de Mértola é muito rico e extenso, está distribuído por todo o concelho em vários núcleos. Entre eles está a basílica paleocristã, onde se podem ver sepulturas cristãs, paleocristãs e muçulmanas, o Museu Romano no edifício da Câmara ou a Mina de São Domingos a poucos quilómetros a norte do concelho.

    Incontornável é também a Torre do Relógio, faz parte da história e da paisagem de Mértola, no extremo Sul da muralha, na margem do rio, é uma espécie de sentinela do Guadiana que vigiava a passagem das suas águas enquanto fazia passar as horas que dava à população. Terá sido construída no século XVI.

    Torre do Relógio
    Torre do Relógio

    Ainda no concelho de Mértola, não muito distante, aproveite para visitar as Azenhas do Guadiana, um açude que fornecia água aos antigos moínhos aí existentes, o Pulo do Lobo, uma garganta rochosa no rio Guadiana onde as águas caem de mais de 20 metros de altura para um lago, e a Ermida de Nossa Senhora de Aracelis, que curiosamente é partilhada por dois concelhos: a ermida pertence ao concelho de Castro Verde e o adro ao de Mértola.

  • Monsaraz, guardião do Guadiana

    Monsaraz, guardião do Guadiana

    Ainda falta percorrer algum caminho, mas já se vislumbra ao longe, no cimo de um monte que se levanta no meio da planície alentejana, a branca Monsaraz.

    Vila de Monsaraz
    Vila de Monsaraz

    A vila, que nem sempre foi branca, e durante séculos foi pintada de muitas cores, foi crescendo aninhada nas muralhas do seu castelo. Entrou em processo de algum abandono, renasceu e viu nascer o Alqueva aos seus pés. Lá de cima a vista perde-se por todo o território que a circunda, lá em baixo vê-se o lago que contorna os pequenos montes até Espanha.

    Praça de touros
    Praça de touros

    Conquistada aos Mouros em 1167 e mais tarde doada à Ordem do Templo, Monsaraz foi-se adaptando às várias épocas. A sua fortificação medieval foi reforçada por uma nova, que se adaptava ao tiro de artilharia, e em épocas mais recentes, a população transformou o recinto do castelo em praça de touros onde todos os anos se realiza a festa brava.

    As ruas empedradas, estendem-se por todo o povoado e percorre-las é como andar num museu.

    Rua de Monsaraz
    Rua de Monsaraz
    Torre de Menagem
    Torre de Menagem do castelo

    Na praça central da vila, o largo D. Nuno Álvares Pereira, fica a bonita igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa que tanto o seu exterior como o seu interior merecem ser apreciados.

    Igreja Matriz
    Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa

    Ainda neste largo estão os Novos Paços da Audiência, de finais do século XVII e a Igreja da Misericórdia do século XVI. Na Travessa da Cadeia ficam os Antigos Paços da Audiência – hoje Museu do Fresco –  onde durante alguns séculos funcionou a sede administrativa e tribunal da vila. Mais tarde, quando a vila deixou de ser sede de concelho (passou para Reguengos de Monsaraz), transformou-se em escola primária.

    No fundo da rua de Santiago a casa da Inquisição que, tal como o nome indica, estava ligada ao Tribunal do Santo Ofício, onde se pode conhecer a história judaica e onde podemos ver, no seu exterior, o verdadeiro grafito, uma técnica antiga e complexa de decoração de edifícios.

    O interior das muralhas não é muito grande mas vale a pena percorrer as ruas e travessas com calma. Qualquer uma das portas da fortificação é um bom local para começar a visita: a Porta da Vila é imponente, com as duas torres que a ladeiam, uma delas com o Relógio, pela Porta de Évora a Oeste, da Alcoba virada a Este ou do Buraco.

    Desfrute das vistas e, se der, assista ao pôr do sol.

  • Terceira, a ilha da Terra Brava

    Terceira, a ilha da Terra Brava

    Uma das portas de entrada dos Açores, a Ilha Terceira, passa muitas vezes despercebida à maioria de quem visita o arquipélago. Recortada por altas ravinas, fustigadas pelo Atlântico, é no seu interior que a ilha guarda as melhores surpresas.

    Paisagem do centro da Ilha Terceira
    Paisagem do centro da Ilha Terceira

    No centro da ilha fica a Terra Brava, uma área acidentada maioritariamente coberta por pedra vulcânica, inclui o vulcão do Pico Alto, o vulcão central mais recente da ilha (com cerca de 100 mil anos), e uma floresta muito rica em vegetação endémica, típica da Macaronésia.

    Em plena Terra Brava, o ex-libris da ilha, o Algar do Carvão. Entramos literalmente dentro de um vulcão e constatamos como um lugar que à partida seria tão inóspito se transforma num magnífico cenário natural. As paredes do cone estão cobertas com vegetação, na sua maioria, endémica, e lá no fundo uma lagoa, alimentada por águas pluviais e de pequenas nascentes que chega a ter 15 metros de profundidade. Esta é das poucas oportunidades no mundo para descer ao interior de um vulcão.

    Algar do Carvão
    Algar do Carvão

    As belezas vulcânicas não ficam por aqui. Não precisamos ir muito longe  para visitar a gruta do Natal. A formação destas grutas apontam para tubos de lava formados aquando de uma erupção.

    Não muito longe ficam as Furnas do Enxofre. Através de um pequeno circuito pedestre podemos visitar as fumarolas de onde sai o vapor do interior da terra.

    Já pela costa, percorrendo a estrada que circunda toda a ilha, vislumbram-se grandes penhascos que mergulham no mar. Em cada localidade por onde passamos vão aparecendo os coloridos Impérios do Espírito Santo, pequenas capelas/templos à volta dos quais acontece uma das tradições mais enraizadas dos Açores, as festas do Espírito Santo, com cerimónias e oferendas à coroação do Menino Imperador.

    Costa da Ilha Terceira
    Costa da Ilha Terceira

     

    Império na Serreta
    Império na Serreta

     

    Igreja da Misericórdia, Angra do Heroísmo
    Igreja da Misericórdia, Angra do Heroísmo

    A zona antiga de Angra do Heroísmo, faz-nos recuar muitos anos atrás, e mesmo não tendo vivido nessas épocas, lembra-nos postais antigos e de certa forma a cidade de  São Salvador no Brasil (ou será São Salvador que faz lembrar Angra?!). A arquitetura das casas, as igrejas, cada uma de sua cor, e o empedrado das ruas é singular.

    Subindo ao Monte Brasil tem-se um panorama sobre a cidade (infelizmente estava a chover e não deu para desfrutar da vista tanto quanto apetecia).

    Ao longo da ilha podem-se visitar vários miradouros, há que desfrutar de cada um deles: Monte Brasil, Serra do Cume, Serra do Facho, Serra da Ribeirinha entre outros.

    Com tanto para ver, há que fazer algumas pausas e aproveitar a gastronomia riquissima desta ilha, desde o famoso queijo da ilha, á tenra carne de vaca, os famosos bolos D. Amélia e o vinho de Biscoitos.

     

  • Tavira, o Algarve é mais do que praias

    Tavira, o Algarve é mais do que praias

    Ao longo de milénios, Tavira foi ocupada por várias civilizações: fenícias, muçulmanas e por fim os cristãos. Durante cerca de 650 anos (até 1910) fez parte do Reino do Algarve, um reino dentro do Reino de Portugal, e foi a primeira localidade algarvia a ser elevada a cidade, em 1520.  Situada no litoral algarvio, em pleno Parque Natural da Ria Formosa, Tavira foi durante muito tempo um importante porto intermédio entre o Atlântico e o Mediterrâneo dando à cidade um grande prestígio e parte da fortuna que ostentava. Hoje, ao visitarmos esta cidade, estamos a reviver também a sua história.

    Vista sobre Tavira
    Vista sobre Tavira

    O castelo é uma boa sugestão de início da visita. Do alto vislumbra-se, praticamente, toda a cidade, do rio até ao mar. Conquistado aos mouros no século XIII, pelos cavaleiros da ordem de Santiago, ainda preserva alguns vestígios dessa época e a torre octogonal é disso um exemplo. Dentro do castelo está a igreja de Santa Maria do Castelo, onde foi sepultado D. Paio Peres Correia (mestre da ordem de Santiago) o conquistador da cidade. Este templo é o resultado da conversão da mesquita aí existente aquando da conquista. Ainda conserva alguns elementos do estilo gótico aplicados na sua transformação em igreja cristã.

    Igreja Santa Maria do Castelo
    Igreja Santa Maria do Castelo em Tavira

    Logo abaixo está a igreja de Santiago, também ela uma antiga mesquita transformada em igreja cristã, deve o seu aspeto actual à reconstrução feita depois do terramoto de 1755.

    Igreja de Santiago
    Igreja de Santiago em Tavira

     

    Museu de Tavira
    Palácio Galeria, Museu de Tavira

    Outro edifício curioso é o Palácio da Galeria (também perto do castelo) que hoje integra o Museu Municipal de Tavira. Este palácio, de meados do século XVI, que foi galeria (daí o seu nome), era posse de um nobre senhor que tinha vindo do Brasil e o transformou no que hoje se conhece. Aqui podemos visitar exposições de história e património concelhio.

    Convento da Graça
    Convento da Graça

    Ainda nas imediações do castelo, junto ao jardim está o Convento de Nossa Senhora da Graça, convertido em Pousada, fundado pela Ordem dos Agostinhos no século XVI.

    Para quem gosta de história e apreciar um pouco de arte, não deve perder a oportunidade de visitar a Igreja da Misericordia, considerada o melhor monumento renascentista do Algarve.

    Vale a pena passear pela marginal do rio Gilão, passar pela ponte romana e apreciar a o núcleo histórico da cidade lá no alto.

    Mas ali perto também há praias e a do Barril, com o seu extenso areal, é uma delas. O seu acesso pode ser feito a pé ou através de comboio turístico. Nesta mesma praia, encontra-se a antiga Armação de Atum que remonta ao ano de 1842. O seu estado de conservação é muito bom, tendo o espaço sido convertido em área comercial. Próximo da Armação encontra-se o famoso “Cemitério das Âncoras”.

    Praia do Barril
    Praia do Barril

     

    A gastronomia é um ponto interessante,  que deve ser explorado, desde as conquilhas, choco, ao pescado fresco, às papas de xarém não esquecendo a doçaria tipica, como o morgado de figo ou a delicia algarvia, acompanhadas com um licor de medronho.

  • Trilho da Carrasqueira na aldeia da Comporta

    Trilho da Carrasqueira na aldeia da Comporta

    Em plena Reserva Natural do Estuário do Sado, por entre os arrozais e sapais do rio, este trilho é ideal para aproveitar o melhor que a natureza nos dá: ar puro, silêncio, que apenas é interrompido pelo chilrear das aves.

    Qualquer lugar é bom para começar o percurso. Um deles é o cais palafítico da Carrasqueira. A poucos quilómetros da Comporta, na aldeia da Carrasqueira fica o pequeno porto piscatório tradicional, onde gerações de pescadores foram construindo passadiços sobre estacas, que se estendem pelo rio adentro,  como tentáculos de um polvo, resolvendo assim o problema do acesso dos barcos durante a maré baixa. Este é um exemplo perfeito de como a arquitectura humana se pode integrar com a natureza.

    Cais Palafítico da Carrasqueira
    Cais palafítico da Carrasqueira

    A paisagem do estuário vai mudando. A “estranha” beleza dos sapais (imagem de capa) vai dando lugar aos arrozais, alguns já desactivados.

    Aves nos arrozais
    Aves nos arrozais

    Para além dos arrozais, o trilho passa por pequenas lagoas, terras de cultivo e pastagens onde é habitual ver aves de várias espécies (dependendo da altura do ano), que se alimentam. Em algumas alturas do ano é possível ver flamingos.

    Trilho da Carrasqueira
    Trilho da Carrasqueira

     

    Barco na Carrasqueira
    Barco na Carrasqueira

    Ali perto aproveite para ir às praias da Comporta, Carvalhal ou Tróia, onde os areais se estendem a perder de vista.

     

     

      Trilho

    Tipo: Circular
    Extensão: 7,2 Km
    Dificuldade: Fácil
    Informações: ICNF

    Normas de conduta

  • Rota do vale Glaciário, Manteigas

    Rota do vale Glaciário, Manteigas

    O vale glaciário do Zêzere , na Serra da Estrela, é único e a sua grandiosidade e beleza merecem ser contemplados com todo tempo e calma ao longo de uma caminhada. Fazer a Rota do Glaciar é a melhor maneira de desfrutar a paisagem de um dos maiores vales glaciários em forma de “U” da Europa.

    O trilho começa na vila de Manteigas, percorre o vale do Zêzere e termina no Covão d’Ametade (tem continuidade para a Nave de Santo António). Tem cerca de 10,5 Kms mas para quem não quer fazer toda a distância pode ser feito em trechos mais pequenos, começando-o em um dos dois locais: ponte das Caldas (ponto 1 no mapa – perto das Termas de Manteigas ou INATEL) ou a meio do percurso em pleno vale do Zêzere (ponto 2 no mapa – na corte da ASE, sensívelmente a meio do vale).

    Começando na vila irá percorrer a área urbana de Manteigas, passando pela Senhora dos Verdes (aqui poderá também visitar umas das fábricas de burel) e pelas termas do INATEL até chegar à ponte das Caldas. Daqui (ou começando daqui) faz-se uma subida íngreme seguida de curva e uma ponte. Logo a seguir passamos pelas Lameiras, uma antiga comunidade pastoril e agrícola onde, até há poucos anos atrás, viviam alguns pastores e, em suas casas, as esposas faziam o genuíno Queijo da Serra artesanal.

    Um pouco mais acima passa-se pelo Poio da Oliveira, um aprazível local de piqueniques e onde pode aproveitar para dar um mergulho no rio.

    Vale do Zêzere
    Vale do Zêzere

    Chegando à “corte da ASE”, onde existe uma pequena ponte de cimento, pode usufruir de um dos melhores locais para se fotografar o vale em todo o seu esplendor, tanto para poente como para nascente.

    A rota continua pelo caminho de terra batida que nos trouxe até aqui, mas do lado oposto do rio. Ao longo de todo o percurso vamos passando por casas de granito com telhados de zinco, antigas cortes de pastores. Mais adiante o trilho começa a ficar mais irregular e com pedras e, dependendo da época do ano, poderá ter de atravessar alguns pequenos riachos que se atravessam no caminho.

    Trilho do Glaciar
    Trilho do Glaciar

    Já perto da estrada, que dará acesso ao Covão d’Ametade, vislumbram-se as grandes formações rochosas, que formam o planalto superior, a que se dá o nome de Cântaros.

    Cântaro Magro
    Cântaro Magro

    Finalmente chegamos ao Covão d’Ametade, local onde se pensa ter existido uma lagoa glaciária, e onde nasce o rio Zêzere. É hoje um magnífico parque de merendas, talvez o local mais fotografado da Serra da Estrela, onde se pode usufruir da natureza e de onde partem vários trilhos.

    Covão d'Ametade
    Covão d’Ametade

    Qualquer época do ano é boa para fazer este trilho, desde que não seja em época de neve ou com chuva, no entanto recomendamos faze-lo no verão.

     

      Trilho

    Tipo: Linear
    Extensão: 10,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

    Normas de conduta

  • Vale Glaciário do Zêzere, Serra da Estrela

    Vale Glaciário do Zêzere, Serra da Estrela

    Durante os períodos frios do Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos) e principalmente no Último Glaciar, o planalto superior da Serra da Estrela esteve coberto por um enorme campo de gelo. Este campo de gelo, no Último Máximo Glaciário, abrangia uma área de 66 Kms2, incluindo grande parte do planalto superior da serra. Esta massa de gelo alimentava um conjuto de sete glaciares de vale principais cujos gelos deslizavam em direcção à base da montanha arrastando com ele tudo o que se encontrava no seu caminho, moldando a paisagem e formando estes vales. Um deles é o vale do Zêzere, aquele que é o maior vale glaciário da serra da Estrela e um dos mais bem preservados desta tipologia (em “U”) a nível internacional/europeu.

    Vale Glaciário do Zêzere
    Vale Glaciário do Zêzere

    Com uma extensão de cerca de 13Kms, estende-se desde o Covão Cimeiro, a montante do Covão d’Ametade, até à vila de Manteigas.

    Em todo o vale é possível ver vestígios da última glaciação que criou impressionantes formas e depósitos glaciares, especialmente se tivermos em consideração a baixa altitude da Estrela e a sua localização geográfica no oeste da Península Ibérica. No extremo Sudoeste, no cimo da encosta, junto à Nave de Santo António, pode ver-se o “Poio do Judeu”, um bloco de granito com cerca de 150m3, o maior bloco errático da Estrela, trazido para aquele local pela força do glaciar.

    A cabeceira do Zêzere surge enquadrada pelos imponentes Cãntaros Magro, Gordo e Raso (com 1928 metros de altitude) e no seu sopé o Covão d’Ametade onde, após a fusão do gelo, poderá ter existido uma lagoa de génese de origem glaciária que foi sendo depósito de sedimentos ao longo do tempo formando o local de incrível beleza que representa um dos mais visitados e fotografados locais da serra.

    Cântaros
    Cântaros

    Hoje a presença humana funde-se na paisagem, é local de pastoreio e alguma agricultura no verão. Aqui vêm-se antigas “cortes”, casas de granito com telhados de colmo (que na maior parte foi substituída por chapas de zinco) onde os pastores guardavam o gado, que entretanto foram recuperadas e transformadas em casas de férias. No Inverno é normal verem-se fortes riachos e cascatas que rompem das vertiginosas encostas, fruto da fusão da neve no cimo das montanhas.

    Cortes no Vale do Zêzere
    Cortes no Vale do Zêzere

     

    Encosta do Zêzere
    Encosta do Zêzere

    No fundo deste vale corre o rio Zêzere que ali nasce, aos pés dos imponentes Cântaros, no belíssimo Covão d’Ametade. Vai desaguar no Tejo, já longe da Serra, em Constância.

     

    Agradecimentos a José Conde (CISE) e Gonçalo Vieira (IGOT)

     

  • Visitar a histórica cidade de Évora

    Visitar a histórica cidade de Évora

    Évora foi fundada oficialmente na época romana (denominada Ébora) e desde aí atravessou toda a história da Península Ibérica e de Portugal até aos nossos dias. Foi lugar escolhido por  várias ordens religiosas para instalação de conventos e até foi residência da corte no século XV. Évora, hoje Património da Humanidade, é um livro de história onde podemos descobrir em cada rua uma época e estória diferente.

    O centro histórico da cidade está cercado pelas muralhas, do século XIV, e é lá que fica a Praça do Giraldo (fotografia de capa), sem dúvida o ponto central de Évora e o melhor sítio para começar uma visita. Numa das extremidades da praça está a Igreja de Santo Antão e à sua frente o Chafariz de 8 bicas que, segundo se conta, representam as 8 ruas que desaguam na praça.

    Muralha de Évora
    Muralha de Évora

    A Sé Catedral é um dos ex-libris da cidade, a maior catedral medieval do país, é facilmente reconhecida pela torre-lanterna e seu zimbório.

    Sé Catedral de Évora
    Sé Catedral de Évora

     

    Torre da Sé Catedral ao Fundo e Templo romano
    Torre da Sé Catedral ao fundo e Templo romano

     

    A poucos metros está o Templo Romano de Évora, símbolo do culto imperial, conhecido como Templo de Diana, pois durante séculos pensou-se ser dedicado à deusa da caça, na verdade é uma homenagem ao Imperador Augusto. O templo está rodeado pela Biblioteca Pública, o Centro de Arte e Cultura Eugénio de Almeida, o Museu de Évora, o magnífico Convento dos Lóios, hoje transformado em Pousada, a igreja de São João Evangelista e o Jardim de Diana mesmo em frente (de onde se pode avistar o casario típico da parte Norte da cidade).

    O notável Museu de Évora, instalado no antigo Paço Episcopal, merece uma visita. Este museu tem a sua origem na coleção de antiguidades do arcebispo de Évora, o frei Manuel do Cenáculo, e nele estão expostas pinturas portuguesas e flamengas e muitas esculturas que foram sendo recolhidas nas igrejas.

    Templo de Diana
    Templo de Diana

     

    Duas igrejas que não pode deixar de visitar é a Igreja e Convento da Graça, o primeiro monumento renascentista da cidade e a Igreja de São Francisco onde está a famosa Capela dos Ossos. Visitando a Capela dos Ossos vale sempre a pena visitar o museu e exposição dos presépios.

    Igreja da Graça
    Igreja da Graça

     

    Igreja de São Francisco
    Igreja de São Francisco

    Já fora de Évora, na estrada para Arraiolos, também é possível visitar o Convento da Cartuxa, o primeiro da Ordem dos Cartuxos, ou os Cromeleque dos Almendres, a pouco mais de 25 Kms, na estrada para Montemor-o-Novo.

  • Percorrer a Costa Vicentina

    Percorrer a Costa Vicentina

    A Costa Vicentina, juntamente com parte do litoral Alentejano (Sudoeste Alentejano), integra o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, e vai desde Odeceixe até ao Burgau na costa Sul algarvia. É sobretudo caracterizado por imponentes arribas que escondem muitas praias, que geralmente se apelidam de “secretas” pois o caminho para lá chegar é muitas vezes desconhecido e de difícil acesso.

    Começamos por Odeceixe, na margem direita da ribeira de Seixe, a pequena e pitoresca aldeia cresceu ao longo de uma encosta sobranceira à ribeira e tornou-se famosa pela sua praia ali bem perto. Sobressaem-se no casario a Igreja e o Moinho de vento. A praia, a pouco mais de 3 Kms da aldeia, fica na foz da ribeira de Seixe que envolve o areal de tal forma que permite ter uma praia de água salgada (virada para o oceano) e outra de água doce (virada para o rio).

    Rumando a Sul passamos pelas praias da Baía dos Tiros, da Amoreira e do Monte Clérigo até chegarmos à praia da Arrifana já próximo de Aljezur.

    Praia da Arrifana
    Praia da Arrifana

    A Praia da Arrifana, é muito procurada por surfistas.

    Muito perto, a Praia da Bordeira fica na foz da ribeira da Carrapateira e marca o início das arribas calcárias que dão cores mais quentes à paisagem costeira. Esta praia é extensa e acaba (a Sul) num grande areal formando uma laguna com as águas da ribeira.

    Em direcção à Vila do Bispo, fazendo um desvio de apenas uns minutos, resolvemos fazer uma visita à aldeia de Pedralva.

    Pedralva

    A aldeia de Pedralva fica aninhada num pequeno vale do interior algarvio. Esta pequena aldeia, com apenas três ruas, depois de ter entrado num processo de abandono natural de uma localidade interior, viu nascer um projecto turístico que a fez renascer. Cerca de metade das casas foram compradas por uma empresa turística que as reconstruiu e deu vida à aldeia.
    Vale a pena visita-la pois conserva a arquitectura típica regional e mais do que isso a essência e sossego de uma aldeia interior.

    A Vila do Bispo é uma pequena povoação muito pacata onde podemos desfrutar da calmaria e arquitectura tradicional algarvia. Sobressai na vila a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

    Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
    Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Vila do Bispo

    Na ponta mais a Sudoeste de Portugal, e da Europa, fica o Cabo de São Vicente, batizado pelos romanos como o Fim do Mundo até o Infante D. Henrique desfazer o mito. Penhascos, com uma altura de cerca de 60 metros, varridos pelos ventos agrestes e frios que transformam a paisagem.

    Farol do Cabo de São Vicente
    Farol do Cabo de São Vicente

     

    Cabo de São Vicente
    Vista do Cabo de São Vicente

    Ali perto, depois da praia do Beliche, fica Sagres, a vila que deve a sua fama muito à custa dos descobrimentos portugueses e do Infante D.Henrique. Aqui é quase obrigatória a visita à Fortaleza de Sagres e o vislumbre das esplêndidas arribas sobre o mar.

    Fortaleza de Sagres
    Fortaleza de Sagres

     

    Fortaleza de Sagres
    Fortaleza de Sagres e o cabo de São Vicente (ao fundo)

    Daqui rumamos até ao limite Este da Costa Vicentina, passando pela praia da pequena aldeia de Salema chegamos ao Burgau, uma aldeia de pescadores, encravada no meio de falésias, com uma enseada onde fica a pequena praia da aldeia. Por força do turismo a localidade foi crescendo e no verão transfigura-se numa estância muito movimentada.

    Burgau
    Burgau

     

     

  • Uma viagem pelo Sudoeste Alentejano

    Uma viagem pelo Sudoeste Alentejano

    Aqui o Alentejo transforma-se. A calmaria dos campos de cultivo dá lugar à bravura do oceano, as planícies transformam-se em arribas que abruptamente mergulham no Atlântico.

    Zambujeira do Mar
    Zambujeira do Mar

    O Sudoeste Alentejano, parte integrante do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (considerada a faixa costeira melhor conservada da Europa), vai de São Torpes (Sines) até à ribeira de Seixe, que na outra margem abraça o Algarve.

    Os longos areais que juntam as praias entre Tróia e Sines, e fazem destas a maior praia de Portugal, ficaram para trás. A partir daqui “nascem” as escarpas que transformam a paisagem costeira.

    Viajando de Norte para Sul encontramos a povoação de Porto Covo, uma pequena aldeia de pescadores que acolhe de braços abertos os muitos surfistas que aqui chegam para surfar as ondas do Atlântico.

    Vale a pena visitar a aldeia e o pequeno porto piscatório num pequeno braço de mar encravado entre duas pequenas ravinas.

    Porto de Pescadores em Porto Covo
    Porto de Pescadores em Porto Covo

    A pouco mais de 4km a Sul, fica o lugar que se tornou famoso depois da música de Rui Veloso, e que talvez seja a imagem mais conhecida de Porto Covo, a Ilha do Pessegueiro. Mesmo em frente à pequena ilha fica a praia com o mesmo nome e o Forte de Nossa Senhora da Queimada (do século XVI), que juntamente com o forte da ilha (hoje em ruínas), fazia parte de uma linha defensiva da costa de Portugal.

    Ilha do Pessegueiro
    Ilha do Pessegueiro

    Continuando, a meia hora de Porto Covo encontramos Vila Nova de Milfontes. Na foz do rio Mira, é uma vila virada para o turismo de veraneio. O movimento nas ruas, cheias de restaurantes e casas para alugar, é grande, mas ali bem perto pode-se desfrutar da calmaria das praias mais recatadas: Porto das Barcas e a praia do Malhão.

    Vila Nova de Millfontes
    Foz do rio Mira, Vila Nova de Milfontes

    Na outra margem do rio, a sul, começam as praias mais selvagens. São disso exemplo as “secretas” praias da Foz dos Ouriços, a praia da Barca Grande ou as praias do Tonel, Baía da Arquinha e a de Nossa Senhora até chegarmos à Praia do Almograve (depois da praia dos Ouriços) onde na maré alta a rebentação e agitação do mar fazem jus à característica costa alentejana, na maré baixa o areal estende-se mar a dentro formando pequenas piscinas naturais deliciando as crianças (e adultos).

    A viagem continua e vale a pena fazer um pequeno desvio até ao Cabo Sardão (fotografia da capa). Chegar no final do dia ao Cabo Sardão tem outro encanto. O sol a desaparecer no horizonte e a refletir a sua luz no mar, faz-nos esquecer a força com que o mar fustiga, lá baixo, os despenhadeiros.

    Por do sol no Cabo Sardão
    Por do sol no Cabo Sardão

    Do alto dos seus 17 metros, está de vigia ao cabo o farol (com visitas às quartas-feiras). Este é o local privilegiado para a observação de aves, é o único sítio do mundo onde as cegonhas brancas nidificam nas rochas, mesmo junto ao mar.

    Mais a Sul fica Zambujeira do Mar, uma pequena vila que cresceu em cima das altas falésias, esconderijo dos areais das tão afamadas praias desta zona. Aos pés da vila fica a praia da Zambujeira de onde se avista a capela de Nossa Senhora do Mar, no cimo de uma arriba. No verão, realiza-se o festival de música Sudoeste que tira o sossego desta pacata vila.

    Zambujeira do Mar
    Zambujeira do Mar

    Até Odeceixe vamos encontrando muitas pequenas praias. Vale a pena visitar as praias da Amália e Azenha do Mar.