Nos nossos dias, ainda é fácil imaginar Belmonte na época do nascimento de Pedro Álvares Cabral (descobridor do Brasil), ruas estreitas e empedradas com casas em granito que iam dar ao castelo no cimo do monte, onde viviam os Senhores de Belmonte (e Manteigas), os Cabrais. Uma óptima oportunidade para viajar no tempo.
Castelo de Belmonte
Na parte cimeira da vila fica o castelo, mandado construir, quase no início da formação de Portugal, por D. Afonso III. Mais tarde, D. Afonso V (1446), doou o castelo a Fernão Cabral, pai de Pedro Alvares Cabral, para que construísse a sua residência. O castelo não é muito grande e tem uma casa que servia de aposento dos Cabrais.
Logo em frente ao castelo podem visitar-se as ermidas do Calvário e de Santo António (ambas do século XIX) e no terreiro lateral da muralha – que pode ser avistado pela bonita janela manuelina do castelo – marcado por uma pequena torre com um sino, fica a igreja de Santiago, do século XV, que tem anexa, na parte traseira, o panteão dos Cabrais.
Capela do Calvário e castelo
Igreja de Santiago
Para qualquer lado do largo empedrado que decidirmos seguir é um bom roteiro. Para o lado da igreja vamos dar às ruas que nos levam ao actual centro da vila, para o lado oposto temos uma vista sobre a Cova da Beira.
Belmonte é também conhecida pela sua comunidade judaica, de judeus sefarditas (a maior do país). A sinagoga fica perto do castelo, basta descer as sinuosas ruas atrás do mesmo e chegamos ao templo.
Sinagoga de Belmonte
Nos arredores de Belmonte, não muito longe, no Colmeal da Torre (na direcção da Guarda pela EN 18) podemos ainda visitar a torre Centum Cellas ou Torre de São Cornélio como era conhecida na zona, é um raro monumento atribuído à presença romana na região cuja sua origem e utilização ainda é um mistério.
Centum Cellas
Vale a pena visitar o Museu dos Descobrimentos e o Museu Judaico de Belmonte.
Fazer a Rota das Faias é como entrar no cenário de um filme passado numa floresta encantada.
Cogumelo na Rota das Faias
Em todas as estações do ano este trilho é bonito, mas é no outono que tem maior encanto. As tonalidades das folhas das faias, carvalhos e castanheiros dão um colorido dourado ao percurso e encostas envolventes.
Este trilho pode ser iniciado na Cruz das Jogadas – um cruzamento que nos leva ao Vale da Castanheira (em frente), ao Campo Romão (direcção das Penhas Douradas) ou à serra de São Lourenço (início do trilho) – é um circuito circular, não muito exigente, e como é curto (aprox. 6 km) podemos demorar mais tempo e usufruir melhor do momento e da natureza.
Logo no início, optamos fazer a parte do trajecto que sobe e que nos leva ao ponto mais alto. Chegamos ao topo da serra de São Lourenço, encimada pela capela de São Lourenço. Daqui a vista para a vertente Este da montanha é magnífica, perde-se no horizonte. Lá em baixo as aldeias de Sameiro e Vale de Amoreira, ao fundo a serra da Bezerra.
A capela de São Lourenço é guardiã desta montanha há mais de meio século, encerrando histórias e lendas que fazem parte da vida dos pastores da Estrela e das gentes de Manteigas que atravessavam a serra diariamente.
Capela de São Lourenço
Capela de São Lourenço
Conta a história que os noivos de Manteigas vinham aqui passar a noite de núpcias. Quem os esperava e dava guarida era o eremita da capela. Assim que os noivos chegavam, depois de subirem toda a montanha a pé, o eremita acendia uma fogueira que avisava, quem estava na vila, que os noivos tinham chegado e estavam bem.
Continuando no cume, chegamos ao posto de vigia. Daqui, a vista prolonga-se até Sul, e vislumbra-se Manteigas, as Penhas Douradas e o vale Glaciar do Zêzere até ao Maciço Central onde se conseguem distinguir os três cântaros, o Magro, o Gordo e o Raso.
Posto de vigia
Manteigas vista de São Lourenço
A descida começa aqui. Entramos nos bosques de faias, e algumas Pseudotsugas (pinheiros gigantes). As faias são as estrelas desta encosta, exibem folhas de várias tonalidades amarela e laranja que juntamente com a luz transformam o bosque num fabuloso cenário.
Bosque de São Lourenço
Ao longo de todo o restante percurso vão aparecendo alguns carvalhos cujas folhas ficam com cores mais carregadas como que em competição com as restantes árvores.
Faias de São Lourenço
Como chegar lá
Vindo de Manteigas, subimos em direcção às Penhas Douradas pela N232. Aproximadamente 4,5Km depois viramos, no cruzamento, em direcção ao Vale da Castanheira/Folgosinho. Paramos na primeira bifurcação (cruzamento) – Cruz das Jogadas.
Vindo de Seia/Gouveia, passamos as Penhas Douradas pela N232 e viramos à esquerda no cruzamento, em direcção ao Vale da Castanheira/Folgosinho. Paramos na primeira bifurcação (cruzamento) – Cruz das Jogadas.
Onde ficar
A Casa do Cerro da Correia, a meio caminho entre o trilho e a vila de Manteigas é o local ideal para ficar hospedado. A hospitalidade e atenção da Inês e do Miguel, que não deixam nenhum detalhe ao acaso fazem-nos sentir como se estivéssemos na nossa casa. O ambiente da casa e sua envolvência são acolhedores. Vale a pena passar dias assim.
À volta de uma lenda nasce um dos monumentos religiosos mais extraordinários do nosso país. O Convento da Arrábida, símbolo da harmonia entre a humanização da paisagem e a mãe natureza.
Subimos a Arrábida em direcção do topo. De repente, a seguir a uma curva mais apertada, já no alto da serra, afigura-se numa das encostas um salpicado de casas brancas que se assomam no meio da vegetação. É o Convento de Nossa Senhora da Arrábida.
Fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, religioso castelhano da Ordem de São Francisco, a quem D. João de Lencastre, primeiro duque de Aveiro, cedeu as terras da Arrábida para que aqui pudesse fazer a sua vida eremita (juntamente com outros três freires).
A visita começa no largo mesmo em frente ao memorial a São Pedro de Alcântara (um dos freires que juntamente com Martinho de Santa Maria vieram fundar o convento). Num mote aos caminhos labirínticos que iremos percorrer, a simpática guia sugere que escolhamos um dos lados do memorial para iniciarmos a visita.
Memorial São Pedro de Alcântara
Do outro lado, depois de percorrermos um pequeno caminho e descermos algumas escadas chegamos à Igreja do Convento. Na sua fachada principal uma estátua original de um franciscano com toda a simbologia que marcava a vida destes religiosos.
Igreja do Convento
Entramos na igreja, é pequena, tal como eram todas as da mesma ordem. Por cima do altar-mor uma pintura que simboliza a lenda de Nossa Senhora da Arrábida e que de certa forma deu origem, 300 anos depois, a este convento. Seguimos por dentro da igreja, por corredores que fazem lembrar cavernas e saímos num pequeno terraço com uma magnífica vista para o Atlântico e toda a encosta da serra.
Um dos terraços do Convento da Arrábida
Continuamos pela encruzilhada de caminhos, escadas e corredores do Convento. Notam-se as várias intervenções feitas ao longo de mais de 500 anos. Em 1863 o Duque de Palmela comprou o convento e fez algumas construções e restaurações. Estas são visíveis nas decorações com pequenas rochas e conchas que ornamentam os arcos, as portas e os fontanários.
Recantos do Convento da Arrábida
Ao longo do percurso vamos entrando em pequenas capelas de oração, nas minúsculas celas que davam abrigo e permitiam o recolhimento dos frades. É interessante ver algumas pequenas levadas que fazem parte de um discreto sistema hidráulico bastante elaborado que aproveita a água das pequenas nascentes que brotam dentro do recinto do convento e da chuva, que serviam depois para o consumo pessoal e rega dos jardins e o hortas.
Estas águas eram também aproveitadas no lavadouro ou na cozinha onde se confeccionavam as refeições e que ainda hoje podemos visitar. Ao lado da cozinha o refeitório e mais acima a biblioteca que possuía um espólio muito importante de edições que hoje, por questões de conservação, estão na Fundação Oriente.
Perto da biblioteca está uma das poucas peças de valor a que os frades se permitiram ter. É o relógio de corda (do século XVIII) que ainda hoje funciona.
Do convento fazem parte também as ermidas que se vêm mais acima na serra, mais acima, o chamado convento velho. São visíveis sete ermidas ao longo do cume que desce a encosta.
Convento velho
O Convento da Arrábida fica a cerca de 20 Kms de Setúbal.
Este trilho surpreende pela beleza enaltecida pela elevada inclinação das ravinas por onde passa. O percurso dá-nos a oportunidade de descermos às falésias onde antigamente os pescadores arriscavam a sua vida para tirarem do mar o seu sustento.
Percurso do Calhau Cova
O trajecto é linear, no entanto no regresso podem fazer-se algumas variantes no percurso sem nos perdermos. Começa-se junto à estrada de Argeis, na direcção Nascente de Sesimbra. Por entre vegetação caminha-se num percurso plano com subidas e descidas muito suaves.
Paisagem do trilho do Calhau da Cova
A meio do trajeto de ída, encontramos ruínas de casas que contam histórias de gentes que outrora as habitaram.
Ruínas
Depois de passar as ruínas o caminho começa a estreitar até chegarmos a uma zona de cascalho. As ravinas impressionam e, embora seja seguro, deve caminhar-se com algum cuidado. Ao olhar para o horizonte o Atlântico perde-s de vista.
Por do sol na Arrábida
Chegamos ao ponto em que começamos a descida até ao mar. Aqui a paisagens prende-nos a respiração. Avistamos a espantosa falésia da Serra do Risco, há quem diga que é a mais alta da Europa continental. É também a partir daqui que o trajecto se torna mais duro, uma descida muito inclinada, com pedras soltas. Há que ter muito cuidado.
Paisagem do trilho Calhau da Cova
Descemos muitas (muitas mesmo) escadas (há quem lhe chame trilho dos 120 degraus) até chegarmos à pequena baía chamada Calhau da Cova. Esta pequena baía servia de abrigo aos barcos dos pescadores que outrora frequentavam este local para largar as armações.
Este trilho, embora curto, vale a pena, pela magnífica paisagem!
Como chegar lá
Vindos de Sesimbra ou Lisboa (pela EN 379) na rotunda em Sampaio seguimos em direcção às pedreiras, Sesimbra Nascente.
Trilho
Tipo: Linear Estensão: 6 Km Dificuldade: Média Informações:
Este trilho (na boa verdade são dois trilhos) leva-nos a atravessar uma área fabulosa da Serra da Estrela que vai desde a lagoa do Vale do Rossim até aos formidáveis declives das Penhas Douradas. Atravessamos dois concelhos (Gouveia e Manteigas) mas mais do que isso uma paisagem incrível.
Mapa do Trilho
Barragem do Vale do Rossim
Começamos nas margens da Lagoa do Rossim. Nesta zona o trilho não está marcado, basta seguir a margem Sudeste da lagoa até ao ponto em que viramos para o interior da floresta. Se o nível da água estiver baixo facilita a travessia, caso esteja mais cheio podemos fazer alguns troços pelo bosque não perdendo de vista a margem. Quase no final da barragem viramos a Nordeste.
Vale das Éguas
Passamos pelo Seixo Branco (um afloramento de quartzo róseo que representa um dos locais mais curiosos, sob o ponto de vista geológico, da Serra) ou pela pequena estrada de terra batida. Depois de subir um pouco, encontrarmos um pequeno vale onde se avista um aglomerado de árvores (pinheiros), é o Vale das Éguas. Ambos os trajectos valem a pena serem feitos (é pena não dar para fazer os dois ao mesmo tempo 🙂 ).
Continuando em direcção às Penhas Douradas fazemos um pequeno desvio até ao miradouro do Fragão do Corvo. É um dos melhores miradouros da Estrela. Lá em baixo a pequena vila de Manteigas.
No percurso até ao Fragão do Corvo podem admirar-se as construções típicas desta área. Há muitos anos atrás as Penhas Douradas foram procuradas por pessoas que sofriam de tuberculose e outras doenças respiratórias. Os mais abastados, aliando a saúde ao deslumbre do local, chegaram a construir casas que ainda hoje perduram.
Casa nas Penhas Douradas
Retomando o percurso, vamos em direcção à estrada que liga as Penhas Douradas ao Vale do Rossim. Nesse mesmo sentido e poucos metros depois avista-se a capela de Nossa Senhora da Estrela, onde podemos ver lá dentro a imagem de Nossa Senhora a segurar uma estrela.
Chegados à estrada, um pouco mais acima, seguimos para o Vale do Rossim. Podemos fazer ainda um desvio até ao posto de vigia para contemplar a vista.
Prosseguindo o percurso, ao chegar à rotunda, entramos de novo no trilho que nos levará até à fonte do Rossim, um grande bloco granítico de onde jorra água fresca para uma pequena pia de pedra.
Fonte do Vale do Rossim
Uns metros à frente e chegamos ao local de partida.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 8,5 Km Dificuldade: Baixa Informações:
Se a Serra da Estrela tem alma não há dúvidas que esse legado é da vila de Manteigas. Encravada na faldas do vale glaciário do Zêzere, em pleno coração da Serra, a sua misteriosa história perde-se com as neves que todos os invernos cobrem a serra.
Devido à sua localização privilegiada, mesmo no centro do Parque Natural da Serra da Estrela e do Geopark Estrela é o local ideal de partida para qualquer ponto da Serra, de carro, de bicicleta ou a pé. Aqui sente-se a Estrela.
Manteigas e o Vale do Zêzere
A vila não é muito grande, mas muito simpática. Está dividida em duas freguesias marcadas pelas duas igrejas matrizes que lhes dão o nome: São Pedro e Santa Maria.
Para além das igrejas matrizes pode ver-se ainda, no povoado, a igreja da Misericórdia, a mais antiga, e mais de uma dezena de capelas espalhadas pela vila e pela serra. Para além do património religioso há ainda a zona histórica com as suas ruas estreitas e inclinadas, a Casa das Obras ou o Largo do Chafariz.
Igreja de São Pedro em Manteigas
Na Fonte Santa, ou Caldas de Manteigas, onde se localiza a estância termal vale a pena visitar também o viveiro das trutas.
O concelho de Manteigas é um território abençoado, rico em beleza paisagística e de interesse geológico, oferece uma rede de trilhos que abrangem locais de beleza única. A Rota das Faias na serra de São Lourenço, por exemplo, é um excelente percurso para se fazer em qualquer altura do ano mas é no Outono que ganha as cores que a tornam mágica.
Através dos trilhos ou pela estrada é visita obrigatória ao imponente vale glaciário do Zêzere, mesmo à saída da vila (em direcção à Torre, logo a seguir ao viveiro das trutas), com cerca de 13 Kms, é um dos maiores da Europa em forma de “U”. No extremo Sul do vale chegamos ao Covão D’Ametade, o local onde nasce o rio Zêzere e onde outrora existiu uma lagoa glaciar que hoje guarda, debaixo dos nossos pés, informação milenar utilizada por muitos cientistas para estudar as origens da Estrela.
Aqui é possível visitar e admirar todo o maciço central da Serra da Estrela e os seus majestosos cântaros (Cântaro Magro, Raso e Gordo), formações rochosas que atingem altitudes acima dos 1875 metros.
Maciço Central da Serra da Estrela e os Cântaros
O Poço do Inferno, outro lugar icónico, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, aninhada entre penhascos e rodeada de um bosque único onde se misturam pinheiros, azinheiras e até teixo (em via de extinção em Portugal).
Cascata do Poço do Inferno
Do lado oposto da serra e do concelho as Penhas Douradas. É um dos locais mais bonitos da Estrela. Apesar de haver construções que outrora serviam de local de férias e tratamento para quem sofria de doenças respiratórias, estas integram-se perfeitamente na paisagem polvilhada de arvoredo típico dos países nórdicos. Aqui vale a pena ir até ao Fragão do Corvo para apreciar vista (fotografia de capa).
Menos conhecido, outrora lugar de veraneio das gentes de Manteigas, é o Covão da Ponte (ou Castanheira, como é localmente conhecido), onde existia até à poucos anos um parque de campismo, hoje é um belo local para passar um dia em plena natureza.
Até chegarmos ao Covão passamos pelo “vale”. Aqui existem pequenos casais (quintas) agrícolas e podem ver-se ainda alguns pastores com os seus rebanhos. São estes mesmos rebanhos que fornecem a lã para a criação do burel, tecido utilizado em outros tempos para fazer as capas dos pastores, ainda hoje é confeccionado com técnicas antigas.
Rebanho
Aproveite e visite a Burel Factory, uma antiga fábrica de lanifícios que conta também uma parte da história de Manteigas.
É bom visitar Manteigas em qualquer estação do ano mas de facto as melhores alturas são no Verão e no Outono quando as árvores ficam cheias de cores outonais e pintam as encostas.
Onde ficar
Mesmo à saída de Manteigas, na direcção das Penhas Douradas (estrada florestal) a Quinta de São Marcos é um lugar agradável para passar uns dias em família. Se preferir campismo o Camping Vale do Beijames é a melhor alternativa.
Na margem sul do Tejo, no lado oposto ao rebuliço de Lisboa, situam-se as salinas do Samouco, outrora principais produtoras de sal da região e do país, que apesar de serem atravessadas pela ponte Vasco da Gama, dão-nos o prazer de poder desfrutar da calmaria do campo.
Percurso das Salinas
Existem dois percursos que se iniciam na entrada das salinas, o trilho do Flamingo (mais pequeno) e o trilho do Pernilongo. Nós fizemos o maior.
Logo no início do percurso já se avistam flamingos nas salinas (fizemos o trilho em abril). É preciso não fazer barulho para não os afugentar.
Ponte
Durante o percurso é possível avistarem-se diversas espécies de aves uma vez que a maior parte das espécies do Tejo utiliza as salinas como local de repouso. Podem ver-se flamingos, garça-real, garça-branca-pequena, andorinha-do-mar-anã, pernilongo, entre outras espécies. A vegetação é um pouco menos diversificada e pelo meio das salinas é possível ver-se a Salicornia ou sal verde, como é popularmente conhecida, uma planta tolerante ao sal com um sabor muito salgado que por isso mesmo é utilizada na gastronomia.
Existem locais e abrigos apropriados para a observação de aves onde, sem perturbar a fauna, se podem tirar fotografias mais próximas a algumas espécies mais esquivas.
Sensivelmente a meio do trajecto somos acompanhados durante alguns metros por burros que vagueiam por entre as salinas. Não se assuste pois são amigáveis.
Burros durante o percurso das salinas
O percurso, entre salinas, estreitas passagens e pequenas pontes é agradável. Ainda é possível ver algumas salinas em actividade e mesmo ao lado é possível molhar os pés na praia ribeirinha.
Salinas do Samouco
A associação faz saídas de campo e visitas guiadas
Como chegar
Vindos de Alcochete, seguindo a Estrada Nacional 119 em direcção ao Montijo, vire na rotunda que indica Samouco e praia. Chegará à entrada das salinas.
A paisagem é simplesmente magnífica. É esta a melhor forma de descrever o percurso do trilho do Chã dos Navegantes.
Mapa Chã dos Navegantes
O inicio deste trilho começa num caminho perpendicular à estrada que dá acesso ao Cabo Espichel.
O percurso começa em terreno praticamente plano. Ao fim de aproximadamente 1 Km fizemos um desvio para contemplar a vista sobre as falésias que caem até à Praia da Baleeira, apenas acessível por caminhos a pé ou de barco.
Baleeira
Voltando ao trilho começamos a descer lentamente até chegarmos à beira das falésias onde vislumbramos o oceano Atlântico a perder de vista. Mais adiante chegamos às ruínas do Forte de São Domingos da Baralha. Este forte, que dominava a baía da Baleeira, era em pleno século XVII a primeira defesa da costa da Arrábida integrando a linha defensiva que se estendia de Albarquel a Sesimbra e que defendia o importante porto e povoação de Setúbal.
Trilho Chã dos Navegantes
Continua-se a caminhar junto ao mar e quando já estamos desviados deste, pois o trilho vai-nos encaminhando para o interior da encosta. Desviamos aproximadamente 400 metros para ver a magnífica formação rochosa do Arco da Pombeira, onde o mar entra bravio e se atira contra as paredes rochosas de uma câmara interior.
Arco da Palmeira
Regressando novamente ao trilho subimos uma encosta íngreme, com um piso muito irregular mas que felizmente é curta até atingirmos a parte do trajecto mais plana que nos encaminhará até ao final.
Lá longe, começamos a avistar o Farol do Cabo Espichel e o que resta da bataria de defesa mesmo na ponta do cabo. Seguimos em direcção ao farol.
Farol do Cabo Espichel
Um pouco mais a norte encontramos o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Este santuário é composto pela igreja, por hospedarias, Ermida da Memória, casa de Ópera, em ruína, Hortas dos Peregrinos, Casa da Água e aqueduto.
O enquadramento paisagístico deste monumento, num planalto que termina em escarpas para o mar, torna-o monumental.
Convento da Senhora do Cabo
Na fase final do percurso, já a caminho do ponto inicial vamos acompanhando o aqueduto do Santuário do Cabo Espichel que, em outros tempos, fornecia água ao convento.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 7.7 Km Dificuldade: Média Informações:C.M.Sesimbra
A Arrábida é sem dúvida uma serra cheia de encantos e paisagens espetaculares. Percorrer a Serra a pé é a melhor forma de a sentir.
Trilho do Alto Formosinho
O trilho para o Alto do Formosinho inicia-se em frente à entrada para o Convento da Arrábida (ponto azul no mapa).
Mariolas
Começamos por subir pelo interior da vegetação através da qual se forma um “túnel” até sairmos num caminho de vegetação mais baixa onde, em alguns pontos, podemos ver o mar e toda a magnífica envolvência.
Troia visto do alto da Arrábida
Alguns metros depois (aproximadamente 500m) entramos num bosque, onde em dias de calor é um dos locais mais frescos do percurso, aproveitamos para almoçar. As árvores dominantes nesta área são as azinheiras.
Arrábida com vista para o oceano
Assim que se sai deste bosque começa o trajecto mais duro, o desnível é muito acentuado mas é compensado pela vista que se tem para Sul.
Depois de chegar ao alto, pode vislumbrar-se também a vista para norte. Daqui pode ver-se toda a península de Setúbal, o Tejo, Lisboa e a serra de Sintra.
Península de Setúbal e Lisboa
O final do percurso é feito pela estrada que nos leva ao ponto inicial.
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida e depois do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, vira-se à direita para Setúbal até chegar ao Convento da Arrábida. O Início do trilho fica mesmo em frente, numas escadas.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 6,2 Km Dificuldade: Alta Informações: Wikilok
Poucos são os territórios em Portugal que foram tão estudados como a Serra da Arrábida, no entanto continua por ter muito a descobrir e a conhecer, é “um berçário da ciência”, como foi apelidada numa das edições da revista da National Geographic.
Fizemos alguns trilhos pela Serra. Os trajectos na Arrábida, uns mais exigentes do que outros, não estão marcados e tem-se a vantagem, e o privilégio, de percorrer locais num estado muito selvagem. As poucas marcações que existem são “mariolas” (conjuntos de pedras sobrepostas) que indicam qual o trajecto a seguir.
Trilho da Brecha da Arrábida
Este trilho, muito perto da serra do Risco, é curto e pouco exigente, com menos declive incialmente, e um pouco mais desnivelado no regresso mas nem por isso inadequado a crianças (fizemos com 4 crianças dos 1 aos 13 anos :)).
A floresta não é muito densa e o caminho está definido (na sua maior parte feito pela marcação de um riacho seco), só necessitamos prestar atenção ao trajecto e dar “corda aos sapatos”.
Vegetação do trilho
Ao chegar ao final, encontramo-nos a meio de uma magnífica ravina onde vislumbramos o oceano Atlântico. No dia em que fizemos o trilho pudemos assistir à escalada desta ravina por um grupo de alpinistas que estava no local.
Ravina
No regresso pelo mesmo caminho, sensivelmente a meio do percurso, cortamos à esquerda (para Oeste) para subir a encosta do pequeno vale. A última parte do percurso é feita pela estrada que liga Sesimbra/Lisboa a Setúbal. Daqui tem-se um panorama magnífico do enquadramento da Serra com o oceano.
Vista da estrada
Como chegar lá
Vindos de Setúbal, pelas praias, passa-se o cruzamento do Portinho da Arrábida.
Depois de uma longa subida (com curvas), antes do cruzamento para Sesimbra/Lisboa, do lado esquerdo, existe uma entrada para o miradouro da Brecha da Arrábida. Logo a seguir (ponto azul à esquerda no mapa) tem o início do trilho.
Trilho
Tipo: Circular Estensão: 3,2 Km Dificuldade: Média Informações: Não disponível