Etiqueta: serradaestrela

  • A encantadora Rota das Faias

    A encantadora Rota das Faias

    Fazer a Rota das Faias é como entrar no cenário de um filme passado numa floresta encantada.

    Cogumelo na Rota das Faias
    Cogumelo na Rota das Faias

    Em todas as estações do ano este trilho é bonito, mas é no outono que tem maior encanto. As tonalidades das folhas das faias, carvalhos e castanheiros dão um colorido dourado ao percurso e encostas envolventes.

    Este trilho pode ser iniciado na Cruz das Jogadas – um cruzamento que nos leva ao Vale da Castanheira (em frente), ao Campo Romão (direcção das Penhas Douradas) ou à serra de São Lourenço (início do trilho) – é um circuito circular, não muito exigente, e como é curto (aprox. 6 km) podemos demorar mais tempo e usufruir melhor do momento e da natureza.

    Logo no início, optamos fazer a parte do trajecto que sobe e que nos leva ao ponto mais alto. Chegamos ao topo da serra de São Lourenço, encimada pela capela de São Lourenço. Daqui a vista para a vertente Este da montanha é magnífica, perde-se no horizonte. Lá em baixo as aldeias de Sameiro e Vale de Amoreira, ao fundo a serra da Bezerra.

    A capela de São Lourenço é guardiã desta montanha há mais de meio século, encerrando histórias e lendas que fazem parte da vida dos pastores da Estrela e das gentes de Manteigas que atravessavam a serra diariamente.

    Capela de São Lourenço
    Capela de São Lourenço

     

    Capela de São Lourenço
    Conta a história que os noivos de Manteigas vinham aqui passar a noite de núpcias. Quem os esperava e dava guarida era o eremita da capela. Assim que os noivos chegavam, depois de subirem toda a montanha a pé, o eremita acendia uma fogueira que avisava, quem estava na vila, que os noivos tinham chegado e estavam bem.

     

    Continuando no cume, chegamos ao posto de vigia. Daqui, a vista prolonga-se até Sul, e vislumbra-se Manteigas, as Penhas Douradas e o vale Glaciar do Zêzere até ao Maciço Central onde se conseguem distinguir os três cântaros, o Magro, o Gordo e o Raso.

    Posto de vigia
    Posto de vigia

     

    Manteigas vista de São Lourenço
    Manteigas vista de São Lourenço

    A descida começa aqui. Entramos nos bosques de faias, e algumas Pseudotsugas (pinheiros gigantes). As faias são as estrelas desta encosta, exibem folhas de várias tonalidades amarela e laranja que juntamente com a luz transformam o bosque num fabuloso cenário.

    Bosque de São Lourenço
    Bosque de São Lourenço

    Ao longo de todo o restante percurso vão aparecendo alguns carvalhos cujas folhas ficam com cores mais carregadas como que em competição com as restantes árvores.

    Faias de São Lourenço
    Faias de São Lourenço

     


    Como chegar lá

    Vindo de Manteigas, subimos em direcção às Penhas Douradas pela N232. Aproximadamente 4,5Km depois viramos, no cruzamento, em direcção ao Vale da Castanheira/Folgosinho. Paramos na primeira bifurcação (cruzamento) – Cruz das Jogadas.

    Vindo de Seia/Gouveia, passamos as Penhas Douradas pela N232 e viramos à esquerda no cruzamento, em direcção ao Vale da Castanheira/Folgosinho. Paramos na primeira bifurcação (cruzamento) – Cruz das Jogadas.

    Onde ficar

    A Casa do Cerro da Correia, a meio caminho entre o trilho e a vila de Manteigas é o local ideal para ficar hospedado. A hospitalidade e atenção da Inês e do Miguel, que não deixam nenhum detalhe ao acaso fazem-nos sentir como se estivéssemos na nossa casa. O ambiente da casa e sua envolvência são acolhedores. Vale a pena passar dias assim.

    PR13 MTG

    Tipo: Circular
    Extensão: 5,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

    Normas de conduta

  • Do Vale do Rossim às Penhas Douradas

    Do Vale do Rossim às Penhas Douradas

    Este trilho (na boa verdade são dois trilhos) leva-nos a atravessar uma área fabulosa da Serra da Estrela que vai desde a lagoa do Vale do Rossim até aos formidáveis declives das Penhas Douradas. Atravessamos dois concelhos (Gouveia e Manteigas) mas mais do que isso uma paisagem incrível.

    Mapa do Trilho
    Mapa do Trilho

     

    Barragem do Vale do Rossim
    Barragem do Vale do Rossim

    Começamos nas margens da Lagoa do Rossim. Nesta zona o trilho não está marcado, basta seguir a margem Sudeste da lagoa até ao ponto em que viramos para o interior da floresta. Se o nível da água estiver baixo facilita a travessia, caso esteja mais cheio podemos fazer alguns troços pelo bosque não perdendo de vista a margem. Quase no final da barragem viramos a Nordeste.

     

    Vale das Éguas
    Vale das Éguas

    Passamos pelo Seixo Branco (um afloramento de quartzo róseo que representa um dos locais mais curiosos, sob o ponto de vista geológico, da Serra) ou pela pequena estrada de terra batida. Depois de subir um pouco, encontrarmos um pequeno vale onde se avista um aglomerado de árvores (pinheiros), é o Vale das Éguas. Ambos os trajectos valem a pena serem feitos (é pena não dar para fazer os dois ao mesmo tempo 🙂 ).

    Continuando em direcção às Penhas Douradas fazemos um pequeno desvio até ao miradouro do Fragão do Corvo. É um dos melhores miradouros da Estrela. Lá em baixo a pequena vila de Manteigas.

    No percurso até ao Fragão do Corvo podem admirar-se as construções típicas desta área. Há muitos anos atrás as Penhas Douradas foram procuradas por pessoas que sofriam de tuberculose e outras doenças respiratórias. Os mais abastados, aliando a saúde ao deslumbre do local, chegaram a construir casas que ainda hoje perduram.

    Casa nas Penhas Douradas
    Casa nas Penhas Douradas

    Retomando o percurso,  vamos em direcção à estrada que liga as Penhas Douradas ao Vale do Rossim. Nesse mesmo sentido e poucos metros depois avista-se a capela de Nossa Senhora da Estrela, onde podemos ver lá  dentro a imagem de Nossa Senhora a segurar uma estrela.

    Chegados à estrada, um pouco mais acima, seguimos para o Vale do Rossim. Podemos fazer ainda um desvio até ao posto de vigia para contemplar a vista.

    Prosseguindo o percurso, ao chegar à rotunda, entramos de novo no trilho que nos levará até à fonte do Rossim, um grande bloco granítico de onde jorra água fresca para uma pequena pia de pedra.

    Fonte do Vale do Rossim
    Fonte do Vale do Rossim

    Uns metros à frente e chegamos ao local de partida.

     

    Trilhos  Trilho

    Tipo: Circular
    Estensão: 8,5 Km
    Dificuldade: Baixa
    Informações:

    Normas de conduta

  • Revisitamos a primeira expedição científica à Serra da Estrela

    Revisitamos a primeira expedição científica à Serra da Estrela

    As caminhadas e abertura de trilhos na Serra da Estrela começaram, muito provavelmente, com pastores, desde tempos muito remotos (mesmo muito remotos). Num passado mais próximo, e com caracter mais científico, a Sociedade de Geografia de Lisboa organizou aquela que viria a ser a I Expedição científica à Serra da Estrela, em 1881. Esta revelou-se não só num feito histórico da época como permanece até hoje como a única e maior concentração multidisciplinar de cientistas e meios no nosso país.

    Quatro séculos antes, Portugal tinha começado a descobrir mundo além mar. Tornara-se um vasto império que ia de Ocidente a Oriente, no entanto, territórios do berço da nação permaneciam desconhecidos, representando a Estrela o maior reduto por descobrir.

    A 1 de Agosto começava, na estação de Santa Apolónia, a expedição idealizada um ano antes, em sessão de 5 de Julho, por Luís Marrecas Ferreira, Luciano Cordeiro e o médico José de Sousa Martins (estes dois últimos fundadores da Sociedade), que pretendia promover uma estância sanatorial para a cura da tuberculose (que no século XIX, se tornou numa das doenças mais prevalecentes na Europa) em plena Serra da Estrela e a edificação de uma estação meteorológica. A Sociedade de Geografia de Lisboa convidaria também para esta aventura Hermenegildo Capelo, capitão-tenente da Armada Portuguesa e experiente explorador de terras africanas. Embora a Estrela, até então também chamada de Hermínio, não comportasse os perigos de África, representava um território desconhecido e selvagem, cheio de mitos e histórias, a sua experiência seria importante.

    Alguns dos expedicionários - Gentil Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento
    Alguns dos expedicionários – Dr. Sousa Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento

    As grandes viagens de exploração marítima empreendidas desde o século XV e subsequentes conquistas de novos territórios, sobretudo em África, levaram à fundação, a par de outros países europeus, da Sociedade de Geografia de Lisboa cujo objectivo principal era a exploração e pesquisa desses novos territórios ultramarinos, sendo este interesse crescente com o receio de perda destas colónias (principalmente para a Grã-Bretanha).

    De Lisboa partiam 42 membros, aos quais se juntaram outros tantos vindos de Coimbra, Porto, Mealhada, Guimarães e até de algumas localidades serranas. Ao todo eram cerca de 100 pessoas, entre cientistas, especialistas, médicos e pessoal de apoio, que durante duas semanas iriam percorrer a Estrela, desenhar mapas, observar espécies, recolher amostras, desmistificar histórias e conhecer as gentes serranas.

    O grupo expedicionário propôs-se divulgar o conhecimento adquirido, publicando relatórios e documentos que ficariam depois disponíveis em arquivos, bibliotecas, museus e universidades. Nestes relatórios deveriam constar as dificuldades encontradas, a recolha e classificação das amostras e espécimens assim como a descrição das espécies e tradições. Cartografar, sondar, observar e curar, desenhar e fotografar, prestar serviço público, consultando, examinando, operando e dando medicamentos à população local (especialmente aos doentes), apontar mudanças e dar soluções, certificar e divulgar o conhecimento.

    A campanha na serra começou a 4 de Agosto. O acampamento base situava-se na área do Cume, a curta distância da fonte dos Perus a 1850 metros de altitude. Durante a campanha os pastores (senhores da serra) foram guias incansáveis, desbravando caminhos, transmitindo saberes e ensinando a sobreviver nas árduas condições da montanha.

    Torre, em 1881
    Torre, em 1881

    Num regime tipicamente militar, em que havia alvorada e silêncio a toque de corneta, as várias disciplinas do conhecimento trabalharam durante 15 dias.

    A maior parte dos dados e acervos recolhidos pelas diferentes secções de investigadores (não chegando a ser publicados metade dos relatórios previstos), estão atualmente preservados em arquivos públicos e centros de investigação de algumas universidades.

    Os expedicionários da Sociedade de Geografia de Lisboa deveriam ter regressado à Serra da Estrela em 1883, pois a expedição fora planeada como plurianual. O mesmo não veio a acontecer, no entanto esta expedição abriu portas a outras explorações programadas, que embora não chegassem de perto à dimensão da primeira, revelaram-se de grande importância. É disso exemplo a grande descoberta feita em 1883 pelo geólogo Vasconcelos Pereira Cabral que publicou a primeira prova de uma glaciação na Península Ibérica depois de ter encontrado sulcos de glaciares, rochas aborregadas, blocos erráticos e moreias.

    Muito ficou por descobrir, mas esta expedição talvez tenha despertado o início das investigações e conhecimento, mas também das caminhadas nesta que é a maior serra de Portugal continental.

  • Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela

    Longe da Torre, da neve e do alvoroço turístico, é no coração que a Serra da Estrela guarda o melhor. A poucos quilómetros de Manteigas, escondido num pequeno vale, aninha-se o Poço do Inferno, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, alimentada pela ribeira de Leandres, que surge num lugar de grande beleza e interesse geológico.

    Começámos o trilho junto ao pequeno estacionamento (vindos das Caldas de Manteigas), antes do Poço do Inferno, e no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

    Sinalização
    Sinalização

    O início do percurso é íngreme, com alguns degraus (algumas pedras soltas) e pequenas escaladas, mas nada que não se faça, sem grande esforço, aliás, fizemo-lo com os nossos 4 filhos (de 1, 6, 11 e 13 anos) e adoraram. O desnível é muito acentuado mas faz-se muito bem.

    Assim que atingimos o topo dos blocos graníticos podemos vislumbrar as formações rochosas e escarpadas, onde se juntam o granito de Seia com o as rochas endurecidas (devido ao metamorfismo de contacto) do granito de Manteigas, e uma paisagem a perder de vista onde se pode ver a serra de São Lourenço (parte integrante da Estrela), encimada com o seu posto de vigia, e o Campo Romão (junto às Penhas Douradas).

    Escarpas graníticas
    Escarpas graníticas

    O percurso atravessa a tímida ribeira de Leandres, por uma pequena ponte de madeira, que a jusante se precipita pelas escarpas graníticas até encontrar um poço, o Poço do Inferno.

    Depois de subir um pouco mais, contemplar a vista e andar por entre fragas (rochas grandes, penhascos) e árvores chegamos a um bosque de carvalhos, azinheiras, castanheiros, pinheiros e alguns exemplares de teixo (espécie em vias de extinção) que passam despercebidos (e ainda bem).

     

    Bosque na rota do Poço do Inferno
    Bosque na rota do Poço do Inferno

    No percurso vão-se vendo algumas construções que discretamente humanizam a paisagem e que outrora serviram de abrigo a pastores e gado ou, no caso dos muros, separaram culturas, de caminhos que se faziam pelo meio da Serra.

    Antigo abrigo
    Antigo abrigo

    Aqui respira-se natureza e se não fizermos muito barulho ainda conseguimos ver um ou outro esquilo-vermelho que trepa pelos castanheiros ou pinheiros tentando comer castanhas ou os “cones” das pinhas.

    A última parte do percurso (pouco menos de metade) faz-se pela estrada florestal que vai acabar na parte inferior do Poço do Inferno.

    Estrada para o Poço do Inferno
    Estrada para o Poço do Inferno

     

    Cascata do Poço do Inferno
    Cascata do Poço do Inferno (no Inverno)

    No verão é normal que a cascata esteja quase seca. A melhor época para visitar este lugar é no final do Verão e início do Outono quando as folhas das árvores ganham tonalidades alaranjadas antes de cair.

     


    Como chegar lá

    A partir de Manteigas, pelas Caldas de Manteigas em direcção à Torre, estrada N338, depois do viveiro das trutas, vira-se à esquerda e segue-se pela estrada florestal (7 km).

    A partir de Manteigas pode também ir pela estrada florestal de Leandres (6 km).

     

    PR1 MTG

    Tipo: Circular
    Estensão: 2,5 Km
    Dificuldade: Média
    Informações: Manteigas Trilhos Verdes

    Normas de conduta

  • Serra de São Lourenço (Serra da Estrela)

    Serra de São Lourenço (Serra da Estrela)

    Vista sobre a serra de São Lourenço (Serra da Estrela) e Campo Romão

    Serra da Estrela
    Serra da Estrela