Categoria: Europa

Viagens pela Europa

  • Varsóvia, entre a memória e a reinvenção

    Varsóvia, entre a memória e a reinvenção

    Varsóvia é hoje um dos exemplos mais marcantes de reconstrução urbana do século XX. Destruída quase por completo durante a Segunda Grande Guerra, a cidade reinventou-se de forma brilhante, preservando a memória enquanto abria espaço para um desenvolvimento moderno. Visitar Varsóvia é observar como a história, a política e a cultura se entrelaçam num território onde quase nada é exactamente o que parece.

    No final de 1944, após a derrota da Revolta de Varsóvia, as tropas nazis executaram uma destruição metódica: cerca de 85% da cidade foi arrasada. Bairros inteiros desapareceram e a população foi drasticamente reduzida. O impacto foi tão profundo que, na prática, Varsóvia deixou de existir como uma cidade funcional.

    A reconstrução começou logo após a guerra, com decisões que marcaram a identidade da cidade. A Cidade Velha foi reconstruída com base em pinturas do século XVIII, do artista Bernardo Bellotto, criando uma réplica histórica que viria a ser reconhecida pela UNESCO como Património Mundial.

    Cidade Velha: reconstrução transformada em património

    Hoje, a Praça da Cidade Velha (Rynek Starego Miasta) é um dos pontos mais visitados da capital. As fachadas coloridas, os edifícios estreitos e a atmosfera medieval escondem o facto de se tratar de uma reconstrução do pós-guerra. Na praça, destacam-se a Catedral de São João, palco de momentos importantes da história da Polónia, e o Barbacã, que marca a antiga entrada fortificada da cidade.

    Cidade velha
    Cidade velha

    Castelo Real: símbolo do renascimento nacional

    Também reconstruído praticamente do zero, o Castelo Real de Varsóvia é outro marco da identidade nacional polaca. Sede do governo da antiga República das Duas Nações, o edifício simboliza o período de maior influência política da Polónia antes das partilhas do século XVIII. Reaberto ao público em 1984, é hoje um museu que combina arte, história e memória.

    A partir do castelo inicia-se a Rota Real, um dos principais eixos culturais da cidade.

    Castelo Real de Varsóvia
    Castelo Real de Varsóvia

    Pela avenida Krakowskie Przedmieście, uma das mais elegantes do país, encontram-se instituições centrais como a Universidade de Varsóvia, o Palácio Presidencial e várias igrejas históricas. A via prolonga-se por Nowy Świat, uma artéria onde cafés, restaurantes e lojas marcam o ritmo contemporâneo da capital.

    Avenida Krakowskie Przedmieście
    Avenida Krakowskie Przedmieście

    A Rota Real liga o centro ao palácio barroco de Wilanów, conhecido como o “Versalhes polaco”. Este é um dos monumentos mais elegantes e bem preservados de Varsóvia. Construído no século XVII para o rei João III Sobieski, combina influências barrocas italianas com elementos típicos da arquitetura polaca. Rodeado por extensos jardins geométricos e um lago sereno, o palácio escapou quase intacto às destruições da Segunda Guerra Mundial, tornando-se hoje um dos raros testemunhos da Varsóvia aristocrática.

    Palácio Wilanów
    Palácio Wilanów

    Museu do Levantamento de Varsóvia: um olhar sobre 1944

    O Museu do Levantamento de Varsóvia é considerado uma das instituições culturais mais importantes do país. O museu documenta a insurreição de 1944 contra a ocupação nazi, apresentando um relato detalhado dos 63 dias de resistência e das consequências devastadoras da derrota. É um dos locais essenciais para compreender a dimensão histórica e emocional da cidade.

    Gueto de Varsóvia e Museu POLIN

    Durante a ocupação, Varsóvia foi palco do maior gueto judaico da Europa. Hoje, poucos vestígios físicos sobreviveram, mas a memória permanece viva através de vários monumentos e do traçado urbano: em diversos pontos da cidade, o local onde se erguia o muro do gueto está assinalado no chão, permitindo compreender a dimensão e os limites daquele espaço. O Museu POLIN, dedicado à história milenar dos judeus na Polónia, aprofunda esta herança com uma abordagem inovadora de contextualização histórica.

    Gueto de Varsóvia
    Linha que sinaliza a localização do gueto de Varsóvia

    Praga-Północ: o bairro que escapou à destruição

    Enquanto grande parte de Varsóvia foi reconstruída, o bairro de Praga-Północ, na margem direita do rio Vístula, preservou parte significativa da arquitetura original do início do século XX. Antigamente marcado pela pobreza e pelo abandono, transformou-se nos últimos anos num dos polos criativos mais ativos da cidade, com galerias, espaços culturais e murais urbanos. O Centro Koneser, instalado numa antiga fábrica de vodka, simboliza esta renovação.

    Palácio da Cultura e Ciência: relíquia de um outro regime

    Oferecido pela União Soviética em 1955, o Palácio da Cultura e Ciência continua a ser o edifício mais controverso de Varsóvia. Com 237 metros de altura, domina o skyline e funciona como centro cultural. Do miradouro no 30.º andar obtém-se uma das melhores vistas sobre a cidade reconstruída e sobre os arranha-céus modernos que hoje moldam o centro financeiro.

    Palácio da Cultura e Ciência
    Palácio da Cultura e Ciência entre a modernidade da cidade

    Para quem a visita, a impressão final é clara: Varsóvia não é uma cidade que procura esconder cicatrizes — é uma cidade que as transforma em força, em elementos ativos da sua identidade.

  • Frías, uma jóia medieval suspensa no tempo

    Frías, uma jóia medieval suspensa no tempo

    Aninhada no coração da província de Burgos, em Espanha (um dos povoados mais belos de Espanha), a encantadora vila de Frías é um daqueles lugares que parecem ter parado no tempo. Com o seu castelo medieval, casas suspensas na montanha e ruas de pedra, o “pueblo” transporta-nos para uma época em que cavaleiros e damas passeavam pelas suas muralhas.

    Uma História Rica e Resiliente

    Frías tem uma história rica e turbulenta, marcada por batalhas, conquistas e reconquistas. A sua localização estratégica, no topo de um penhasco rochoso, tornou-a um ponto de defesa importante ao longo dos séculos. O Castelo de Frías, com as suas imponentes muralhas e torres, é um testemunho silencioso do passado militar da vila.

    Frias, Espanha
    Frias, Espanha

    Um castelo suspenso sobre o abismo

    O Castelo dos Velasco, construído no século X e ampliado ao longo da Idade Média, ergue-se orgulhosamente sobre um penhasco que domina o vale do rio Ebro. A vista a partir das muralhas é de cortar a respiração, com o casario empoleirado nas encostas e a paisagem verde a perder de vista. O castelo não é apenas uma peça de arquitetura militar: é o símbolo da identidade de Frías, testemunha silenciosa das batalhas, alianças e intrigas de séculos passados.

    Casas penduradas e ruas de pedra

    Um dos aspetos mais encantadores de Frías são as suas casas penduradas, construídas em madeira e pedra, que desafiam a gravidade nas encostas íngremes da cidade. Caminhar pelas suas ruas estreitas e empedradas é como folhear as páginas de um livro de história vivo, onde cada esquina guarda uma história, uma vista panorâmica ou um pequeno detalhe que faz parar o passo.

    Igreja de San Vicente Mártir
    Igreja de San Vicente Mártir

    Uma ponte que conta histórias

    À entrada da cidade, a ponte medieval sobre o rio Ebro, com mais de 100 metros de comprimento e uma torre defensiva no centro, é um dos postais mais icónicos de Frías. Construída no século XIV, esta ponte de pedra é uma obra-prima da engenharia da época e um ponto de partida perfeito para explorar o núcleo urbano.

    Torre defensiva, Frías
    Torre defensiva, Frías

    Tradição e tranquilidade

    Frías é um lugar onde o tempo passa devagar. Não há pressa. Apenas o som dos pássaros, o vento a soprar pelas colinas e o tilintar de sinos ao longe. A gastronomia local é outro ponto alto: carnes grelhadas, queijos curados e vinhos da região combinam-se com a simpatia dos poucos habitantes, que recebem os visitantes com um sorriso genuíno.

    Porque deves visitar Frías?

    Num país repleto de grandes cidades, Frías mostra que a grandeza não se mede pelo tamanho. É um lugar para respirar fundo, sentir o peso da história, e deixar-se inspirar pela harmonia entre o humano e o natural. Ideal para uma escapadela tranquila, uma pausa na estrada ou simplesmente para te reconectares com a essência de viajar: descobrir, escutar e sentir.

    Frias
    Frias
  • Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Revisitar e percorrer a história de Atenas

    Quando se visita Atenas não se conhece apenas uma grande cidade com monumentos e lojas de lembranças, entra-se num museu que nos dá a conhecer uma grande parte da história da humanidade. Caminhar pelas ruas de Atenas é fazer os mesmos caminhos de grandes filósofos, poetas, guerreiros e arquitectos visionários que moldaram o curso da civilização e transformaram esta cidade no principal centro cultural e intelectual do Velho Mundo. É sentir uma das cidades mais antigas do mundo, habitada há mais de 3000 anos.

    Durante o período clássico da Grécia Antiga, entre os séculos VI a.C. e IV a.C., Atenas celebrava todos os anos a procissão Panatenaica (fazia parte das festas realizadas em homenagem à deusa grega Atena) que atravessava a via com o mesmo nome. Esta artéria ía da porta de Dipilon, na muralha da cidade, até à Acrópole (culminando no templo de Erecteion ou no Parthenon, dependendo do ano) passando pela Ágora, uma ampla praça rodeada de edifícios públicos, entre eles as Estoas, grandes edifícios onde comerciantes vendiam os seus produtos, artistas expunham as suas obras e pensadores, como Sócrates ou Platão, debatiam ideias. Hoje, na Ágora grega, podemos visitar a Estoa de Átalo, reconstruída no século XX, e à sua frente, numa pequena colina o Templo de Hefesto (Deus do Fogo) [fotografia de capa], considerado o templo grego melhor conservado.

    Com a ascensão do poderio marítimo, Atenas transformava-se numa importante potência naval do Mediterrâneo, com uma frota de cerca de 900 barcos, estabelecendo na península de Piréu uma base naval fortificada. Para assegurar o acesso de Atenas a este porto, Péricles construiu uma via muralhada que ligava a base naval diretamente à cidade de Atenas. Atualmente a via muralhada já não existe e do Porto de Piréu já não saem navios de guerra, mas funciona como ponto de partida para as ilhas gregas e é paragem obrigatória dos cruzeiros que percorrem o Mar Egeu.

    Península de Piréu, Grécia
    Península de Piréu

    No início do século I a.C., já no Império Romano, Atenas continuou a crescer graças à vontade de alguns imperadores de Roma, principalmente Adriano qua a visitava várias vezes, e é nessa altura que foi criada a Ágora Romana. Aqui, num dos extremos, pode-se ainda ver a Torre dos Ventos, também conhecida pela Torre do Horológio, pois tem um relógio de água no interior e um relógio de sol no exterior, e o resto do que ficou de uma das entradas da Ágora.

    Torre dos Ventos, Atenas
    Torre dos Ventos

    O Imperador Adriano resolveu acabar as obras do Templo de Zeus Olímpico, que tinha começado a ser construído sete séculos antes, durante o governo grego. Um dos maiores templos gregos, com mais de 4000 metros quadrados, tinha 104 colunas coríntias das quais apenas restam 16 que podem ser visitadas.

    Templo de Zeus Olímpico
    Templo de Zeus Olímpico

    Fora das muralhas, hoje centro da Atenas, foi reconstruído por Heródes Ático, o Estádio Panatenaico – originalmente construído no século IV a.C. para os jogos Panatenaicos (que também faziam parte das festas da deusa Atena) – para receber provas de atletismo. Durante a Idade Média foi desmantelado para aproveitar pedra para outras construções na cidade e finalmente em 1896 voltou a ser reconstruído para receber os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna.

    Estádio Panatenaico, Atenas
    Estádio Panatenaico

     

    Acrópole, Atenas
    Acrópole e Odeon de Heródes (em primeiro plano), Atenas

    Logo abaixo da Acrópole pode visitar-se o Odeon de Heródes que em 1950 foi restaurado e desde esse ano é palco do Festival de Atenas (entre maio e outubro).

    Mas é na Acrópole (do grego akros, o ponto mais alto e polis, cidade) que fica o expoente máximo de Atenas e da Grécia, a Acrópole de Atenas. Uma obra prima sem igual, mandada construir por Péricles, em 447 a.C., representa o esplendor de Atenas, a primeira democracia do mundo.

    Inicialmente uma fortaleza e santuário religioso, destruído pelos persas aquando da invasão de Atenas, foi projectado por Fídeas, totalmente construído em mármore, concentra arte, religião e política num só lugar. Ainda hoje continua a inspirar arquitectos de todo o mundo e isso espelha-se na Assembleia Nacional de França em Paris, a Câmara Municipal de Verona, o Panteão de Roma e até mesmo o logotipo da UNESCO.

    Ao lado do Parthenon foi erigido o Erecteion, um centro de culto dos atenienses onde há 2500 anos se planta uma oliveira (ainda hoje é possível ver essa oliveira), a árvore emblemática da cidade, para recordar o mito fundador de Atenas que opôs Poseidon e Atena.

    À entrada da Acrópole está a escultura de Nice, ou Atena Nice (ou Nike), a deusa da Vitória. As estátuas desta deusa eram usadas para comemorar as vitórias nas batalhas. Uma das mais famosas é da vitória de Samotrácia que está no Museu do Louvre, destacada no cimo de uma escadaria.

  • Atenas, do antigo esplendor à beleza romântica

    Atenas, do antigo esplendor à beleza romântica

    Com mais de 2000 anos, a Acrópole de Atenas continua a fascinar a humanidade. Hoje, é um dos monumentos mais visitados em todo o mundo. Para uns é a glória e o esplendor do passado, o berço da democracia, para outros, é uma fonte de inspiração e visão romântica da arquitetura clássica que continua a influenciar artistas e arquitetos.

    Na Acrópole, o Parthenon, dedicado à Deusa Atena, convertido em igreja cristã no tempo do Império Bizantino e mais tarde convertida em mesquita quando tomada pelo império Otomano é colossal. Daqui, avista-se a imensidão da cidade,  lá em baixo há uma infinidade de história e atrações à espera de serem explorados.

    Da praça Monastiraki, uma espécie de ponto central, partem ruas e ruelas que nos levam em todas as direções. Percorrer o centro de Atenas é como virar páginas de história que vai da Antiga Grécia à era moderna passando pelos Impérios Romano, Bizantino e Otomano, todas as épocas estão presentes.

    Por toda a cidade estão espalhadas igrejas e capelas. Um desses exemplos é a bela Panagia Kapnikarea ou Igreja Universitária Sagrada da Apresentação da Virgem Maria, muito próximo da Monastiraki.

    Praça Monastiraky, Atenas
    Santa Igreja da Virgem Maria Pantanassa na praça Monastiraky, Atenas

     

    Catedral Metropolitana de Atenas
    Catedral Metropolitana de Atenas

    Ali perto, no bairro de Plaka, um dos mais antigos e genuínos da cidade, há antiquários, tabernas tradicionais e restaurantes modernos que celebram a rica herança cultural e gastronómica do país. Provar pratos locais como moussaka, souvlaki e baklava são uma degustação obrigatória para quem visita a cidade. Seja dia ou noite,  durante a semana ou fim-de-semana as ruas estão sempre animadas com muito movimento. A não perder um jantar típico numa esplanada, com musica grega ao vivo.

    A influência árabe e turca dos souks é notória no comércio de rua e o mercado Municipal Central de Varvakios é exemplo disso. Aqui há peixe fresco, carne e produtos agrícolas frescos.

    Municipal Central de Varvakios, Atenas
    Municipal Central de Varvakios

    Continuando a mergulhar na história, na Ágora de Atenas, o coração político, comercial e social da antiga cidade, onde filósofos como Sócrates e Platão discutiam ideias que moldariam o mundo ocidental é possível, visitar a restaurada Estoa de Átalo, um dos maiores edifícios da antiga Atenas. No mesmo complexo museológico visite o impressionante Templo de Hefesto (homenagem ao filho de Hera e de Zeus) que, embora menos conhecido do que o Parthenon, impõe a sua importância e é considerado um dos templos gregos melhor conservados do mundo.

    Templo de Hefesto em Atenas
    Templo de Hefesto

    O estádio de Panatenaico é o Berço das Olimpíadas da época moderna, restaurado para receber os Jogos Olímpicos de 2004, 100 anos depois dos primeiros Jogos.

    O Museu Arqueológico Nacional é outro tesouro imperdível, abrigando uma vasta coleção de artefatos e esculturas que contam a história fascinante da Grécia Antiga.

    Ponto de passagem obrigatória é a praça Syntagma, onde está o Parlamento Helénico e o Túmulo do Soldado Desconhecido, onde se pode assistir ao render da guarda.

    Praça Syntagma, Atenas
    Parlamento Helenico na praça Syntagma

    Atenas, banhada pelo Mediterrâneo, também é mar e praia. Em frente à marginal de Poseidonos, a praia de Bati é frequentada durante todo o ano, nem que seja para jogar xadrez ou gamão, dois jogos muito populares entre gregos. Continuando para ocidente encontramos o Porto de Pireu (ligado na Grécia Antiga, à Acrópole por uma via amuralhada) de onde partiam as armadas gregas para combater no Mediterrâneo.

    Mar Mediterânico
    Mar Mediterânico

    Há muito mais para visitar na cidade, a Ágora Romana, o monumento a Dionísio (estátua do touro) no Sítio Arqueológico de Kerameikos, a prisão de Sócrates entre outros. Vale a pena subir ao monte Philopappos de onde se avista a costa mediterrânica e a Acrópole em todo o seu esplendor.

    Atenas é muito mais do que apenas um destino turístico, é uma jornada através do tempo, onde os vestígios do passado se fundem harmoniosamente com o presente, criando uma experiência verdadeiramente inesquecível para todos os que a visitam.

  • Bordéus, vinhos, história e charme francês

    Bordéus, vinhos, história e charme francês

    Nem só de vinhas se “faz” Bordéus, uma das regiões vitivinículas mais famosas e antigas do mundo alberga uma enorme riqueza histórica e cultural.

    O centro histórico de Bordéus, classificado como Património Mundial da UNESCO, é um tesouro arquitetónico. A Praça da Bolsa, com seu espelho d’água, é um cartão de visita da cidade. Bem perto, a porta medieval de Cailhau, parte das antigas muralhas da cidade, assinala o início do centro histórico, ligando-o ao rio Garona. Numa das muitas praças a catedral de São André conta histórias fascinantes do passado. Aqui se realizaram casamentos e funerais reais e é considerada o mais belo monumento religioso da cidade. À sua frente, separado do edifício principal, está o seu campanário, a Torre Pey Berland, um excelente miradouro de Bordéus.

    Torre Pey Berland em Bordéus
    Torre Pey Berland

     

    Porta Cailhau em Bordéus
    Porta Cailhau

    Vale a pena um passeio pelo bairro de Chartrons onde antigos armazéns foram recuperados para albergar bares e restaurantes dando uma atmosfera boémia ao local.

    Praça em Bordéus

    São também de visita obrigatória o Museu de Arte Contemporânea (CAPC), o Museu de Belas Artes e a Ópera Nacional de Bordéus e, claro está, o museu do vinho, denominado de “La cité du vin“, e no verão, o Festival de Vinho, Dança e Música anima as ruas com representações de rua.

    Berço de alguns dos vinhos mais prestigiados do mundo, a região não dispensa um passeio pelas vinhas ou vinhedos de Saint-Émilion, Médoc e Pessac-Léognan onde se desfrutam experiências sensoriais únicas, desde a vista sobre das vinhas até ao aroma dos barris de carvalho nas caves, aqui apelidadas de chateaux. Degustações em châteaux renomados oferecem uma amostra do savoir-faire vinícola local.

    Saint-Émilion
    Saint-Émilion

    Bordéus, com sua aura romântica e sofisticada, é uma cidade que transcende as expectativas. Seja degustando vinhos excepcionais, explorando sua arquitetura elegante ou imergindo-se na sua rica cultura, Bordéus é uma jornada inesquecível pelo coração da França.

  • Mértola, um mosaico histórico da Ibéria

    Mértola, um mosaico histórico da Ibéria

    Foi capital de uma região economicamente importante do Império Romano. Pelo rio Guadiana chegavam embarcações do mar Mediterrâneo, que vinham carregar ouro, cobre e zinco. Mais tarde foi ocupada por visigodos, árabes e finalmente cristãos. Mértola é hoje um mosaico da história Ibérica.

    Chamam-lhe “Vila Museu” e não faltam motivos de interesse quando se percorrem as suas ruelas. A herança muçulmana está bem presente no casario.

    Rua em Mértola
    Rua em Mértola

    No alto, o castelo domina a vila. Construído no século X e pertença da Ordem de Santiago, ainda conserva na sua estrutura elementos visigodos e árabes. Na torre de menagem, mandada construir em 1292 por D. João Fernandes, mestre da Ordem de Santiago, existe um dos núcleos dos Museu de Mértola, dedicado à Ordem. Junto às muralhas podem visitar-se algumas escavações arqueológicas, onde constam o bairro islâmico, construído sob as ruínas romanas e onde foram descobertos dois batistérios que estão entre os maiores na Europa, um deles o batistério paleocristão do século V ou VI.

    Torre de menagem
    Torre de menagem do castelo de Mértola

    Basta descer poucos metros de uma pequena ruela para chegarmos à igreja de Nossa Senhora da Anunciação, ou Igreja Matriz de Mértola, um marco da passagem das várias civilizações nesta vila. Começou por ser um templo romano, depois transformado em mesquita islâmica e na reconquista adaptada a templo cristão. Conserva traços muçulmanos, como as portas de estilo árabe, e na cave da antiga sacristia, do século XVI, existe um pequeno museu onde podem ver-se as fundações das várias fases de ocupação.

    Igreja Matriz
    Igreja Matriz de Mértola

    O Museu de Mértola é muito rico e extenso, está distribuído por todo o concelho em vários núcleos. Entre eles está a basílica paleocristã, onde se podem ver sepulturas cristãs, paleocristãs e muçulmanas, o Museu Romano no edifício da Câmara ou a Mina de São Domingos a poucos quilómetros a norte do concelho.

    Incontornável é também a Torre do Relógio, faz parte da história e da paisagem de Mértola, no extremo Sul da muralha, na margem do rio, é uma espécie de sentinela do Guadiana que vigiava a passagem das suas águas enquanto fazia passar as horas que dava à população. Terá sido construída no século XVI.

    Torre do Relógio
    Torre do Relógio

    Ainda no concelho de Mértola, não muito distante, aproveite para visitar as Azenhas do Guadiana, um açude que fornecia água aos antigos moínhos aí existentes, o Pulo do Lobo, uma garganta rochosa no rio Guadiana onde as águas caem de mais de 20 metros de altura para um lago, e a Ermida de Nossa Senhora de Aracelis, que curiosamente é partilhada por dois concelhos: a ermida pertence ao concelho de Castro Verde e o adro ao de Mértola.

  • Monsaraz, guardião do Guadiana

    Monsaraz, guardião do Guadiana

    Ainda falta percorrer algum caminho, mas já se vislumbra ao longe, no cimo de um monte que se levanta no meio da planície alentejana, a branca Monsaraz.

    Vila de Monsaraz
    Vila de Monsaraz

    A vila, que nem sempre foi branca, e durante séculos foi pintada de muitas cores, foi crescendo aninhada nas muralhas do seu castelo. Entrou em processo de algum abandono, renasceu e viu nascer o Alqueva aos seus pés. Lá de cima a vista perde-se por todo o território que a circunda, lá em baixo vê-se o lago que contorna os pequenos montes até Espanha.

    Praça de touros
    Praça de touros

    Conquistada aos Mouros em 1167 e mais tarde doada à Ordem do Templo, Monsaraz foi-se adaptando às várias épocas. A sua fortificação medieval foi reforçada por uma nova, que se adaptava ao tiro de artilharia, e em épocas mais recentes, a população transformou o recinto do castelo em praça de touros onde todos os anos se realiza a festa brava.

    As ruas empedradas, estendem-se por todo o povoado e percorre-las é como andar num museu.

    Rua de Monsaraz
    Rua de Monsaraz
    Torre de Menagem
    Torre de Menagem do castelo

    Na praça central da vila, o largo D. Nuno Álvares Pereira, fica a bonita igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa que tanto o seu exterior como o seu interior merecem ser apreciados.

    Igreja Matriz
    Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa

    Ainda neste largo estão os Novos Paços da Audiência, de finais do século XVII e a Igreja da Misericórdia do século XVI. Na Travessa da Cadeia ficam os Antigos Paços da Audiência – hoje Museu do Fresco –  onde durante alguns séculos funcionou a sede administrativa e tribunal da vila. Mais tarde, quando a vila deixou de ser sede de concelho (passou para Reguengos de Monsaraz), transformou-se em escola primária.

    No fundo da rua de Santiago a casa da Inquisição que, tal como o nome indica, estava ligada ao Tribunal do Santo Ofício, onde se pode conhecer a história judaica e onde podemos ver, no seu exterior, o verdadeiro grafito, uma técnica antiga e complexa de decoração de edifícios.

    O interior das muralhas não é muito grande mas vale a pena percorrer as ruas e travessas com calma. Qualquer uma das portas da fortificação é um bom local para começar a visita: a Porta da Vila é imponente, com as duas torres que a ladeiam, uma delas com o Relógio, pela Porta de Évora a Oeste, da Alcoba virada a Este ou do Buraco.

    Desfrute das vistas e, se der, assista ao pôr do sol.

  • Bergen, no coração dos fiordes

    Bergen, no coração dos fiordes

    Se em Oslo se cultiva a vida ao ar livre, em Bergen esta tradição eleva-se a um nível mais alto. Rodeada de montanhas e fiordes que se ligam ao oceano Atlântico, funde-se com a natureza de uma forma tão natural que parece ter ali sempre existido.
    Apelidada de “a cidade entre as sete montanhas, foi capital da Noruega até 1299 e mesmo sendo a segunda maior cidade do país é um local tranquilo onde a população vive infimamente ligada com a natureza.

    Bergen
    Bergen, vista a partir do monte Fløyen

    As montanhas que cercam a cidade estão salpicadas de casas aninhadas na floresta. Os habitantes de Bergen têm o hábito de subir a Fløyen, um cume a 320 metros de altitude, onde se desfruta do ar puro, das imensas florestas nórdicas que convidam a trilhos e a contemplar o por do sol no final do dia.

    Floresta de Fløyen
    Floresta de Fløyen

    Antigo entreposto comercial entre a Noruega e o resto da Europa, o porto de Bergen, localmente chamado e Bryggen, hoje local de partida e chegada de grandes navios de cruzeiro, é património da UNESCO e abriga um museu, várias lojas e restaurantes, que nasceram nos edifícios do século XIV, entretanto recuperados depois de um incêndio. No porto há grande agitação de turistas e locais, e sente-se o cheiro dos pães de canela e dos cachorros quentes (de carne de alce).

     

    Bergen
    Bergen

     

    Igreja de Santa Maria
    Igreja de Santa Maria, Bergen

    Para quem gosta de peixe este é o local certo, sentar numa mesa ao ar livre no mercado de peixe junto aos cais e comer salmão, bacalhau fresco, lagosta ou camarão.

    Bergen deixou de ser a capital do país mas pode ser considerada a capital norueguesa da natureza.

     

  • Oslo, a passagem para o Norte

    Oslo, a passagem para o Norte

    A modernidade de uma capital europeia mistura-se com a simplicidade nórdica que caracteriza a Escandinávia. Oslo é uma cidade calma onde se celebra a vida ao ar livre, independentemente do clima, a isto os noruegueses chamam friluftsliv.

    O verão está a acabar e, apesar do calor e o sol brilhar num céu limpo, a chegada da noite lembra-nos da latitude a que estamos, o frio gelado bate-nos na cara mas não há motivo para deixar de aproveitar a cidade e a natureza que a envolve.

    Da fortaleza de Akershus avista-se a cidade e o fiorde de Oslo que se estende até ao Atlântico. A vida dos habitantes de Oslo passa muito pelo porto do fiorde. Mergulhar na água gelada ou alugar uma das saunas que flutuam em pequenas balsas ao longo do porto são actividades que os locais fazem durante todo o ano, desde que a água não tenha a superfície gelada.

    Saunas flutuantes
    Saunas flutuantes

     

    Fortaleza de Akershus
    Fortaleza de Akershus

    Erguendo-se destas águas, como um iceberg, a Ópera de Oslo (fotografia de capa) marca a transformação de uma antiga zona industrial num polo cultural da cidade. Em frente, o Munch Museum alberga mais de 26 000 peças de arte de Munch assim como os seus objetos pessoais e uma biblioteca privada.

    No centro, muito perto da estação central está a Catedral de Oslo, a igreja maior da Noruega, construída no século XVIII, é o local onde são realizados os casamentos da família real norueguesa. O Palácio Real, residência oficial da família real noruguesa, é uma das paragens obrigatórias. Aqui, para além de poder ver a troca da Guarda pode também percorrer os jardins que o cercam.

    Catedral de Oslo
    Catedral de Oslo

     

    Palácio Real
    Palácio Real

     

    Parlamento da Noruega
    Parlamento da Noruega

     

    Câmara de Oslo
    Câmara de Oslo, local onde é entregue o Prémio Novel da Paz

    Outra das atracções da cidade é o Parque Vigeland, um magnífico jardim, com mais de 200 esculturas humanas do arquitecto Gustav Vigeland, um autêntico museu ao ar livre.

    Parque Vigeland
    Parque Vigeland

    A arte e a história da Noruega também estão presentes nos vários museus que Oslo oferece, entre eles destacam-se o Museu Marítimo Norueguês com exposições sobre expedições polares e espetáculos de auroras boreais e o Museu Norueguês da História Cultural onde está inserida a magnífica igreja de Gol Stave, restaurada no século XIX à sua imagem original na Idade Média.

  • Museus do Vaticano

    Museus do Vaticano

    É um autêntico repositório da história da humanidade. Acumula, há mais de 500 anos, antiguidades, tesouros e coleções de arte de várias épocas e civilizações, de praticamente todos os continentes, guardando testemunhos preciosos da história.

    Os Museus do Vaticano nasceram em 1506, com a coleção privada do Papa Julius II, cresceram e hoje são dos mais importantes do mundo. Já no século XX foi aberta a porta a norte das muralhas do Vaticano, onde está a escada em espiral, de Antonio Maraini (imagem de capa) que tanto fascina os visitantes.

    Fazem parte deste complexo vários museus, entre eles, o de Pio Clementino, Gregoriano Etrusco, Chiaramonti ou a Pinacoteca Vaticana. Percorrer as salas e os corredores é como uma viagem por séculos de história.

    Sala de Constantino
    Sala de Constantino dedicada ao primeiro imperador a reconhecer o Cristianismo

     

    Estátuas egípcias
    Estátuas egípcias

     

    Do Antigo Egito ao Império Otomano, de África à América. Aqui se pode ver a grande estátua de Ramessés II no seu trono ou a monumental estátua de Osíris-Ápis nascendo de Lótus. Magníficos pisos em mosaico, provenientes de termas romanas, o sarcófago de Santa Helena (mãe do Imperador Constantino I) ou a estátua de Perseu com a cabeça da Medusa.

    Perseu com a cabeça da Medusa
    Perseu com a cabeça da Medusa

    A meio da visita abre-se o pátio della Pigna (pátio da Pinha) onde repousa a contemporânea esfera dourada “Sfera con Sfera” do artista Arnaldo Pomodoro. Os visitantes nem imaginam que por baixo deste pátio existe um labirinto de corredores com estantes cheias dos mais importantes registos da história da igreja e do mundo, os Arquivos Secretos do Vaticano.

    Jardim da Pinha
    Pátio della Pigna

    Entrar na Pinoteca Vaticana é penetrar no que melhor existe de pintura do período que vai desde o gótico até o século XIX com obras de Giotto, Melozzo da Forli, Perugino, Rafael, Leonardo da Vinci, Ticiano, Veronese, Poussin, Botticelli, Caravaggio e Crespi entre outros.

    Palazzetto del Belvedere
    Palazzetto del Belvedere

    A visita culmina com a Capela Sistina. Erguida entre 1475 e 1483, durante o pontificado de Sisto IV, é um marco da pintura de Michelangelo. Mundialmente conhecidas as pinturas do tecto e paredes foram inspiradas em cenas do Velho e do Novo Testamento e causam um impacto tremendo para quem as vislumbra.

    Nos Museus do Vaticano também é possível visitar alguns lugares “secretos”, normalmente fechados ao público, como a Capela Nicolina, a Escadaria de Bramante e o Gabinete das Máscaras. Estas visitas só são possíveis quando solicitadas e com um guia privado.

    Se for visitar os Museus do Vaticano compre antecipadamente o bilhete no site oficial do Vaticano.