Diz-se com algum orgulho que alguém entre o clero tenha proferido: “Façamos uma igreja tal, que os que a veêm nos tenham por loucos”.. Verdade ou não, a catedral de Sevilha, ou de Santa Maria da Sé, é tida como a maior catedral gótica do mundo.
A sua construção começou em 1401, sobre a antiga mesquita de Almohad, e prolongou-se por mais de 100 anos. Não é o tamanho que lhe faz perder a elegância.
Catedral de Sevilha
Da antiga mesquita preservou-se “La Giralda”, a torre transformada em campanário que hoje é o símbolo mais conhecido da cidade.
La Giralda (Wiki Commons)
No seu interior, para além da sua imensidão, destaca-se a decoração em ouro, diferente dos templos medievais que se caracterizam pela simplicidade. Aqui está sepultado, entre outras figuras importantes de Espanha (como o rei Fernando III de Leão e Castela), o navegador Cristóvão Colombo.
Túmulo de Colombo (Wiki Commons)
Outro pormenor que se destaca é a Puerta del Perdon, que dá acesso ao Pateo de los Naranjos, embora tenha sofrido inúmeras intervenções ao longo dos tempos, é um dos espaços que sobreviveram da mesquita. Aqui se podem ver os arcos em forma de ferradura característicos das construções árabes. Entrando nesta porta acedemos a um vasto pátio com laranjeiras.
Puerta del Perdon
Os elementos árabes misturam-se com o estilo gótico em muitas partes do templo de forma harmoniosa. Foi integrado, juntamente com o Arquivo Geral das Índias, mesmo ao lado, como património da UNESCO.
Jabal al-Tariq ou a montanha de Tárique, era a designação dada pelos árabes à península, hoje Gibraltar (hoje território britânico). O estreito de Gibraltar é a separação entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. A Norte, a Europa (Gibraltar e Espanha), a Sul, a África (Marrocos e o enclave espanhol, a cidade autónoma de Ceuta).
Embora de poucas dimensões e aparentemente sem nada significativo para ver, Gibraltar tem a sua graça, nem que seja pelas suas peculiaridades: logo na fronteira membros da polícia britânica e da Royal Navy (marinha) fazem o controlo da entrada, parece que estávamos num país fora do espaço Schengen (não é necessário passaporte); passada a fronteira, andámos algumas dezenas de metros e damos por nós no meio da pista do aeroporto, lado a lado com aviões de grande porte estacionados na placa. Sim, para entrar no “rochedo” temos de atravessar a pista do aeroporto.
Chegados à cidade surpreendemo-nos com a diferença abismal do outro lado da fronteira, estamos mesmo num território britânico, as construções, a língua, a moeda (também se pode utilizar o euro) e até uma cabine telefónica (no verdadeiro estilo inglês), tudo é diferente.
Bataria Parson’s Lodge
Depois de percorrer as ruas, o objectivo era subir o rochedo. Fomos em direcção ao Europa Point, no extremo Sul da península onde se localiza a magnífica mesquita (na capa do artigo) oferecida pelo rei da Arábia Saudita, Fahad Al-Saud, aos quase dois mil muçulmanos residentes em Gibraltar, e o farol Trinity House Lighthouse.
Trinity House Lighthouse
Daqui, subindo mais um pouco, podemos ir até à Coluna de Hércules. Segundo reza a lenda, para realizar um de seus doze trabalhos, Hércules, teria necessidade de transpor um estreito marítimo. Então, resolveu abrir o caminho com seus ombros, ligando assim o mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. De um lado, ficou Gibraltar (monte Calpe) e do outro lado o monte Hacho (Ceuta) ou o monte Musa (Abília ou Ábila), a alguns quilómetros para oeste.
Colunas Hercules
De taxi ou a pé (o trânsito de automóveis apenas é permitido a residentes) podemos subir a partir daqui para ver os únicos macacos em estado selvagem na Europa, os macaco-de-gibraltar ou macaco-berbére.
A subida ao topo do rochedo pode ser feita de teleférico, nós preferimos faze-lo de carro. Do alto dos seus 426 metros de altitude a vista sobre o mar Mediterrâneo é incrível.
Vista de Gibraltar e mar Mediterrâneo
Para descer de novo à cidade podemos percorrer alguns dos túneis do Grande Cerco, túneis militares que serviram para armazenamento bélico para a defesa contra espanhóis e franceses na tentativa de invasão de Gibraltar.
Vista aérea de Gibraltar (visitgibraltar.gi)
Mas Gibraltar é muito mais que um rochedo, temos ara visitar o Museu de Gibraltar, a catedral de Santa Maria, as grutas de St. Michaels entre outros locais históricos e naturais.
A poucos quilómetros de Lisboa, Setúbal tem o poder de harmoniosamente unir a imponência da Serra da Arrábida e o esplendor do rio Sado.
Numa das mais belas baías do mundo, onde se juntam as águas do Atlântico com as do rio (que dá nome aos habitantes da cidade, os sadinos) e nas faldas da frondosa Arrábida nasceu a cidade adoptada como filha por estas duas belezas naturais.
Inicialmente designada por Cetóbriga, ocupada por fenícios e romanos há mais de 2000 anos, chegou a ser considerada um dos maiores portos do país e o maior complexo de salga de peixe do Império Romano.
Aqui nasceram Bocage, poeta conhecido pela sua ironia e sátira à sociedade, Luísa Todi, importante cantora lírica e Sebastião da Gama, escritor e defensor da Arrábida, entre outros.
Longe vão os tempos áureos da cidade quando a sua economia representava muito no país e que infelizmente acabou há pouco mais de 30 anos com a indústria conserveira.
Doca de Pesca
Hoje cidade do peixe renasce para uma nova indústria: o turismo.
Conhecida pela cidade da sardinha assada e do choco frito, também o vinho, o moscatel e o queijo são produtos de destaque a degustar.
Começamos a visita na principal artéria da cidade, a avenida Luísa Todi. Atravessa a cidade de Este a Oeste e junto a ela podemos visitar a praça do Bocage onde se localiza o edifício da câmara municipal e a igreja de São Julião, um magnífico templo do século XVI. Daqui podemos visitar a Casa da Cultura e percorrer a baixa da cidade onde, no edifício do turismo, podemos ver salgadeiras de peixe do período romano.
Praça do Bocage (e estátua de Bocage) com o edifício da Câmara Minucipal ao fundo
Na baixa da cidade podemos ainda ver a Sé Catedral, uma igreja do século XVI, e mesmo ao lado a casa do Corpo Santo. Subindo da baixa em direcção à porta de São Sebastião chegamos ao miradouro do mesmo nome, e muito perto, numa espécie de labirinto de ruas, onde nasceu Bocage, chegamos à igreja de São Sebastião.
Sé Catedral de Setúbal
Muito perto daqui e colocando-nos de volta à avenida Luísa Todi temos o edifício da Biblioteca Municipal e percorrendo esta artéria podemos visitar a Casa da Baía, a Galeria Municipal (no antigo edifício do Banco de Portugal) e o Mercado do Livramento considerado um dos melhores mercados de peixe do mundo.
Um dos símbolos de Setúbal é sem sombra de dúvida o Convento de Jesus. Essa importância deve-se a vários aspectos: ao facto de ter marcado a expansão de Setúbal (na altura vila) para fora das primeiras muralhas; ter sido a primeira construção do país no Estilo Manuelino (ainda nem reinava D.Manuel I); e de aqui se ter assinado a ratificação ao Tratado de Tordesilhas, tendo ficado desta forma o nome de Setúbal ligado a um dos momentos mais importantes da história universal de Portugal.
Convento de Jesus, Setúbal
Continuando pela história subimos uma das colinas junto à cidade e chegamos ao Forte de São Filipe. Inspirado no Castelo de Sant’Elmo, em Nápoles – Itália, esta fortaleza é um belíssimo exemplar de arquitetura militar maneirista.
Forte de São Filipe
Na frente ribeirinha podemos contemplar o rio no ponto em que se junta ao mar, Tróia mesmo em frente (pode atravessar de barco para lá – ferry ou catamaran), a doca dos pescadores, os jardins à beira mar, entre outras atracções.
Mas Setúbal não é só a cidade, é também a Serra da Arrábida onde “nasceu”, em harmonia com a montanha, o Convento da Arrábida, onde podemos aproveitar as magníficas praias, visitar a gruta da Lapa de Santa Margarida no Portinho da Arrábida ou fazer uns trilhos pedestres. Setúbal é também o Estuário do Sado onde se podem observar os golfinhos em estado selvagem.
O quê e onde comer
Setúbal é a terra do peixe e por isso mesmo recomenda-se a caldeirada de peixe, a sardinha e carapaus assados, o salmonete à setubalense e obviamente o choco frito.
Para comer todas estas especialidades recomendamos o Forno da Lotta, um restaurante típico, no bairro da Fonte Nova.
Para o choco frito o melhor é mesmo o “Leo do petisco“, no final da avenida Luísa Todi, na direcção das praias.
Se pretende um espaço diferente com música ambiente e com óptimo atendimento onde poderá petiscar a qualquer hora, o Sem horas é uma boa opção.
O Airbnb é um site de aluguer de alojamentos com um conceito diferente da tradicional reserva de hotel. Está presente em cerca de 191 países, onde estão disponíveis desde dormitórios comuns, a um preço muito acessível, a palácios do século XV.
Página inicial do site da Airbnb
Estão disponíveis três tipos de alojamento: quartos partilhados; quartos privados; casa/apartamento inteiro. Nas duas primeiras situações pode existir a possibilidade de partilhar o espaço com o próprio dono.
Para melhor compreensão convém salientar que no Airbnb existe o conceito de hóspedes e anfitriões, em que os anfitriões são os donos dos alojamentos.
Desde que começamos a utilizar o Airbnb raramente temos optado por outro tipo de alojamento. Para nós as vantagens são mais do que as desvantagens (que como é óbvio existem sempre):
Avaliação mútua
O Airbnb tem um sistema de avaliação, tanto para os hóspedes como para os anfitriões. Este sistema classifica as duas partes através dos comentários e pontuações permitindo não só ao anfitrião saber se o hóspede é ou não de confiança e principalmente, do nosso ponto de vista, o hóspede ficará a saber se o anfitrião e alojamento são como o anunciado.
Relação é mais pessoal e genuína
A relação entre anfitrião e hóspedes é muito mais pessoal. A nossa experiência mostra-nos que em todas as vezes que já utilizamos o Airbnb a pessoa que nos recebeu teve a amabilidade de nos indicar os locais a visitar, transportes, restaurantes, lojas, entre outras coisas. Em alguns casos, esperou para além da hora combinada, os atrasos muitas vezes não se escolhem, e o facto de estarmos em contacto com um habitante local dá-nos a oportunidade de conhecer para além do esperado.
O facto de sermos tratados pelo nome, e sabermos logo à chegada como se chama o anfitrião torna o contacto mais próximo. Num hotel isto não acontece. Acabamos, muitas vezes, por nos ir embora sem saber o nome de pelo menos um dos recepcionistas.
No momento da reserva, já aconteceu, o anfitrião entrar em contacto connosco e dar-nos indicações de como chegar ao local, assim como o seu contacto pessoal de forma a que possamos contacta-lo em caso de imprevistos e no dia da chegada. Já agora, garanta que poderá falar com o anfitrião no dia de sua chegada.
Sinta-se na sua casa
Ter a comodidade de uma casa é sempre diferente. Ficar em hotéis é bom, mas nada como voltar para o conforto de um lar.
Cozinhar como se estivessemos na nossa própria casa também é uma grande vantagem.
Os comentários dos hóspedes valem muito
Regra geral, os anúncios do Airbnb (como em todos os sites de vendas) descrevem bem os alojamentos, as condições e regras. A maioria dos anúncios é bem ilustrada com descrições e fotos. No entanto devemos ter atenção que também existem algumas que enganam (principalmente nas dimensões dos espaços).
Por isso mesmo, ninguém melhor que os próprios hóspedes para contar a verdadeira história dos locais. Mais do que ver as fotos do anfitrião leia os comentários dos hóspedes.
Locais centrais
Com o Airbnb tem a oportunidade de ficar no coração dos sítios, onde a vida local pulsa ao seu próprio ritmo.
Quer fique no centro ou nas imediações lembre-se de sempre avaliar as opções de transportes.
Mais valia do preço
O preço que aparece no mapa ou no resultado da pesquisa é apenas uma referência de comparação e pode variar de acordo com o número de pessoas e das datas da sua reserva. É muito importante que na sua pesquisa informe estes parâmetros.
Claro que nem sempre o preço é o melhor, dependendo do local. Um apartamento no centro de Madrid não terá o mesmo preço que nas redondezas. Mesmo assim há cidades que nos surpreendem e onde pode ficar alojado mesmo no centro a bons preços.
Nos bairros mais afastados do centro certamente encontraremos opções mais confortáveis e espaçosas com preços muito mais apelativos.
Além das diárias alguns anfitriões cobram uma taxa de limpeza adicionada à comissão do Airbnb (nada de mais).
Use e abuse dos filtros
Filtros Airbnb
Como dito acima (em “Mais valia do preço”) para encontrar o preço correto deve indicar o máximo de informação possível. Desta forma irá também reduzir a visualização no mapa. Poderá ainda restringir o preço máximo e mínimo. Sempre que ajustar os critérios, os anúncios vão sendo atualizados na página.
Condições de cancelamento
As políticas de cancelamento são definidas pelos próprios anfitriões, de acordo com as regras definidas pelo Airbnb.
Existem anfitriões que são mais flexíveis e permitem cancelamento sem penalização até 1 dia antes do check-in. A política de cancelamento moderada determina reembolso de 50% do valor pago se o cancelamento acontecer com menos de 5 dias antes do check-in. A política de cancelamento rigorosa prevê que cancelamentos feitos com menos de uma semana não serão reembolsados.
Desta forma procure sempre pela política de cancelamento de cada alojamento para ter a certeza.
As taxas de limpeza serão sempre reembolsadas em caso de cancelamento. A taxa do Airbnb não é reembolsável.
Caso o espaço que é apresentado no site não corresponda ao que é encontrado, a Airbnb garante um reembolso e em muitos casos fará esforços para encontrar e reservar outra casa parecida por forma a compensar o hóspede. O valor de qualquer reembolso dependerá da natureza do problema de viagem.
Sempre que houver algum problema com um anfitrião peça ajuda à Airbnb que em 72 horas dará resposta. Nós já utilizamos e funcionou perfeitamente.
Luanda, uma cidade de contrastes, por um lado condomínios e mais condomínios privados e grandes empreendimentos por outro lado os musseques (espécie de favelas).
Trânsito infernal, sem qualquer tipo de regras, veículos topo de gama (até porque o combustível é barato, a gasolina custa cerca de 136 Kz, cerca de 0,36 € ao câmbio da rua) e “candongueiros” que poderão ser furgões de passageiros (de cor branca e azul) apinhados de gente, ou até motorizadas.
Candongueiros
Tudo se vende e tudo se compra nas ruas, fruta, artesanato, roupa e até dinheiro. É muito frequente ver “kinguilas”, senhoras que estão nas bermas das estradas e que trocam dinheiro. Para dizer a verdade é a melhor forma de ter kwanzas a um câmbio melhor (quase o dobro do que nos bancos).
Para quem não quer recorrer aos mercados de rua onde os preços até podem, e devem, ser regateados, existem centros comerciais um pouco espalhados por toda a cidade.
A comida típica é o mufete, que consiste em peixe grelhado, acompanhado por batata doce cozida, banana, feijão com óleo de palma e farinha de mandioca e funge (farinha de milho ou de mandioca) e a muamba que é um guisado de galinha com óleo de palma, quiabos e beringela.
Pontos a visitar
O Forte de São Miguel, junto da baía de Luanda, alberga o Museu Nacional de História Militar. Este forte conserva em todo o seu interior painéis de azulejos portugueses que representam episódios de vida selvagem e das navegações portuguesas na costa de Angola, e artefactos utilizados quer na guerra quer na caça.
No recinto exterior estão expostas estátuas dos primeiros governadores da Província Portuguesa de Angola, o fundador da cidade, Paulo Dias de Novais, assim como alguns veículos militares da época colonial.
Tivemos também a oportunidade de visitar a capela de São Miguel onde a funcionária do museu estava a dar uma “aula” da história do monumento a crianças de escolas, que também visitavam o forte.
Capela São Miguel – Fortaleza
Entrada do Forte de São Miguel
Ilha de Luanda
Continuando a marginal de Luanda para Sul passamos pelo monumento a Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola. Ao longe vê-se a cúpula da Assembleia Nacional.
Monumento a Agostinho Neto
Assembleia Nacional de Angola
À saída de Luanda, quando nos dirigimos para Sul, o Museu Nacional da Escravatura, localizado no Morro da Cruz, foi criado com o objectivo de dar a conhecer a historia da escravatura em Angola. O Museu está na Capela da Casa Grande, onde no séc. XVII os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros.
No exterior existe um mercado de rua onde se podem comprar artesanato em madeira, tecidos (capolanas, tecidos típicos) e telas. Não nos podemos esquecer de negociar e de colocar em cada peça o selo de artesanato (os comerciantes cobram este selo como sendo um extra) para no aeroporto não termos chatices.
No outro lado do rio vemos o Mussulo. Há transporte para visitar a ilha, que pode ser negociado.
Se seguirmos a estrada para Sul, saindo de Luanda passamos no miradouro da Lua, onde a vista sobre o mar é muito bonita e onde se pode ver a erosão provocada pelo vento e pela chuva na falésia, daí à sua designação.
Miradouro da Lua
Continuando caminho para Sul chegamos à Barra do Kwanza (onde o rio desagua no mar), é o maior rio angolano que delimita as províncias de Luanda e Bengo. Aqui começa o Parque Natural do Quiçama. Para passar na ponte existe uma portagem, custa cerca de 315 AKZ. Logo após a passagem da ponte avistamos ao longo da berma da estrada macacos. A paisagem é muito bonita.