Portas do Palácio Real de Fez em Marrocos
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Medina de Fez, um regresso às origens
Na medina de Fez (a mais antiga do mundo) cruzam-se, nas labirínticas ruas, berberes e árabes numa azáfama diária que tão caracteristicamente lhe dão vida. Cruzar as muralhas e entrar na medina é como recuar no tempo e chegar à Idade Média.

Porta Azul Aqui a cultura e as tradições mantêm-se praticamente inalteradas. A religião fervilha lado-a-lado com as actividades, ainda artesanais. É frequente ver os transeuntes com os trajes típicos, as senhoras com hijabe ( lenço a cobrir o cabelo e o pescoço) e até mesmo com o rosto coberto.

Porta árabe Com mais de 1200 anos, a medina de Fez, a maior área urbana pedestre do mundo, é património mundial da UNESCO desde 1981. Dizem os locais, com algum orgulho, que tem mais de nove mil ruas. Cada uma delas tem uma história para contar, uma fonte, uma mesquita ou uma madrassa para ver.
Para os mais afoitos andar pela medina é um desafio constante, não vale a pena utilizar GPS pois muito raramente vai funcionar, assim como o nosso sentido de orientação. Para quem não tem tanta coragem ou sofre de alguma “claustrofobia” o melhor é mesmo andar com um guia.

Rua da medina Com alguma coragem, embrenhamo-nos sozinhos na medina e na vida local. Conseguimos sentir as tradições ainda vivas de algumas actividades, que em outro qualquer lugar já se extinguiram (pelo menos de uma forma tão artesanal).

Padeiro As ruas estreitas estão cheias de pessoas, de bancas de venda dos produtos, de turistas e de comerciantes que passam e transportam as suas mercadorias, muitos ainda utilizam os burros como meio de carga.

Rua da Medina de Fez Por todo o lado se avistam minaretes das mesquitas espalhadas por toda a medina. Uma das mais importantes é sem dúvida a al Quaraouiyine integrada na universidade do mesmo nome, que é a mais antiga do mundo (fundada em 859), ainda em actividade.

Minarete Tal como as mesquitas também as madrassas se encontram com facilidade. A mais importante é a Bu Inania.

Sala de oração da madrassa Bu Inania Mesmo em frente fica o relógio Dar al-Magana (de 1357), uma casa que é ao mesmo tempo um relógio hidráulico. Na verdade a forma como funcionava ainda se mantém um mistério. O relógio tem 13 janelas e plataformas de madeira que sustentavam taças de latão.

Relógio hidráulico Ainda é possível ver-se no exterior estas características estando o seu mecanismo interior numa fase de intervenções de restauro.
Os mercados ou souks (em árabe), são as actividades mais frequentes nas ruas. Estes estão divididos em sectores, isto é, cada zona ou rua tem um tipo de mercado: alimentar, vestuário, artesanato, artigos de pele, entre outros. Regatear o preço é uma obrigação.
Nos sectores alimentares podem ver-se, para além das guloseimas típicas, as mais variadas especiarias que enchem as bancas de cores.

Especiarias As tinturarias e curtições (tanarias) de peles são uma das actividades mais procuradas por quem visita Fez. De forma artesanal as peles de cordeiro, cabra, vaca e camelo são tratadas. O primeiro tratamento da pele é feito com sal, secas ao sol e removidos os pêlos. Em seguida utiliza-se a cal, juntamente com excrementos de animais e são colocadas novamente a secar. Só depois seguem para os tanques onde são tingidas com cores resultantes de pigmentos naturais e postas novamente a secar. Depois da secagem são raspadas e amaciadas, até ficarem prontas para serem utilizadas em malas, carteiras, puffs, babouches e até mesmo instrumentos musicais.

Tinturarias de peles Existem três tinturarias na medina sendo a de Chouara a maior e mais conhecida.
Também famosas são as peças de olaria azuis cobalto e brancas tão características de Fez. Vêm-se à venda em muitos locais. Antigamente as olarias estavam dentro da medina mas devido à poluição que faziam foram obrigadas a instalar-se fora das muralhas e da cidade.
O artesanato não se fica pela olaria, a latoaria também tem grande tradição e é na praça Seffarine, muito próximo da porta e praça Rcif, que se podem ver os artesão a trabalhar o latão e o bronze que transformam nos mais variados utensílios da vida quotidiana ou para decoração como são o caso das ornamentadas lanternas.

Artesão a moldar peça de latão 
Porta e praça Rcif É frequente verem-se também as farmácias berberes onde se vendem todo tipo de ervas, óleos, unguentos e especiarias.
Muitos locais existem para visitar dentro da medina, há que planear bem.
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Visitar Fez, a capital espiritual e cultural de Marrocos
Uma das quatro cidades imperiais de Marrocos (Marraqueche, Meknès e Rabat), Fez é talvez a mais genuína entre todas elas. Nascida no século VIII (a mais antiga) ainda guarda cultura, costumes e tradições desses tempos.

Vista geral da medina de Fez A cidade está dividida em Ville Nouvelle (a parte mais recente ou cidade nova), Fez el-Jedid (construída na sua maior parte no século XIII quando os merínidas tomam o poder) e Fez el-Bali a mais antiga e onde se situa a medina.
A medina de Fez, um gigantesco labirinto onde se situam as madrassas (escolas corânicas) e as mesquitas mais importantes de Fez (uma delas, a universidade e mesquita al Quaraouiyine é a mais antiga universidade do mundo, fundada por Fatima El Fihria em 859. Tem também uma importante e antiga biblioteca).

Rua da Medina de Fez É também na medina que ficam as famosas tinturarias e curtições de peles, com os seus tanques de cores tão característicos, onde o trabalho é totalmente artesanal.

Tinturarias de peles Fora da medina (muito próximo da porta Bab Boujloud), fica o bairro Judeu ou Mellah (designação árabe para os bairros judeus) com construções muito diferentes das árabes que vemos na medina.

Rua do bairro judeu em Fez Este bairro foi fundado por judeus Sefarditas vindos da Península Ibérica aquando da sua expulsão na Inquisição. Hoje em dia já não há judeus a viver no bairro, a maior parte foi para Israel a partir de 1967. Os poucos que ficaram vivem agora na parte nova da cidade.
Ainda assim ficou a Sinagoga Aben Danan, que também tinha a função de tribunal, e atrás desta o cemitério judeu. Fomos recebidos por uma muçulmana que guarda as chaves do templo e que simpaticamente nos guiou. Nesta sinagoga é guardada uma Tora do século XVII, o livro sagrado dos judeus.

Sinagoga de Fez Mesmo ao lado do bairro judeu está o Palácio Real, residência oficial do rei de Marrocos em Fez, construído no século XIV. Tal como todos os palácios reais de Marrocos apenas é permitido ver as portas do recinto que cerca o palácio.

Palácio Real de Fez As portas são feitas com madeira de cedro, cobertas de bronze e ladeadas por colunas e pilares de mármore de Carrara (Itália).
Numa zona mais alta, a Norte da medina fica o forte Borj Nord, construído em 1582, de onde se pode ter uma vista mais alargada de Fez. É também nas encostas das montanhas que norteiam a cidade que ficam os túmulos merídias, já em ruínas, são um dos melhores miradouros para toda a cidade e medina.

Túmulos merídias Fez é sem dúvida um centro de cultura e tradição, não só marroquino mas também árabe e berbere.
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Rota da Peninha e Adrenunes
Fizemos a rota da Peninha na serra de Sintra, um pequeno percurso, que encanta pela beleza natural.
O melhor local para iniciar este trilho é num pequeno parque de estacionamento logo abaixo do Santuário da Peninha. Foi aqui que começamos o percurso e fizemo-lo no sentido dos ponteiros do relógio.
Começamos por subir um caminho muito curto até ao Santuário. Daqui tem-se uma vista fantástica que chega à serra da Arrábida passando por toda a costa atlântica que vai do Cabo da Roca ao Cabo Espichel.

Vista a partir do alto da Peninha 
Santuário da Peninha É possível subir um pouco mais até à capela envolvida numa série de outros edifícios. Daqui, e em dias limpos, a vista alcança muito mais, sendo possível verem-se as Berlengas.
A partir deste ponto entramos num bosque, tão característico desta Serra, onde algumas espécies de árvores nativas da América do Sul (com origem em algumas tentativas de reflorestação da serra) se misturam originando a Laurissilva (tipo de floresta húmida subtropical).

Bosque (floresta Laurisilva) Depois de descer, encontramos entre as árvores, um local para merendar com algumas mesas de madeira.
Um pouco mais adiante fizemos um desvio para as antas de Adrenunes, um monumento megalítico a 422 metros de altitude, de onde é possível ter uma visão sobre toda a região.

Placas indicativas dos percursos 
Anta Adrenunes Voltando (atrás) ao percurso da Peninha continuamos, agora com vegetação mais aberta até encontrarmos uma subida ligeira mas longa.
Acabando de subir chegamos à estrada, no meio de árvores, que nos levará até ao final/início do percurso.
Como chegar lá
Pela Estrada Nacional 247, no sentido Sintra – Colares, pouco antes do cruzamento para a Azóia e cabo da Roca, virar no cruzamento à esquerda para a Peninha. Ou pela Estrada Nacional 9, antes da Malveira da Serra seguir à direita em direcção ao Santuário.
TrilhoTipo: Circular
Estensão: 4,5 Km
Dificuldade: Média
Informações: C.M. de Sintra -

Basílica de São João Latrão, Roma
Ao contrário do que se possa pensar, a arquibasílica de São João Latrão ou basílica di San Giovanni in Laterano é a “igreja-mãe” de todas as igrejas católicas romanas do mundo, e não a basílica de S. Pedro no Vaticano.
Tal como a basílica de São Pedro, a de Santa Maria Maior e a de São Paulo Extramuros (a Sul de Roma) é uma das 4 basílicas papais em Roma e a mais antiga.

Arquibasílica de São João Latrão Situa-se a Sudeste de Roma, junto à porta Asinaria da muralha de Aurelio.
Apesar da sua importância é um monumento com poucos turistas (ao contrário das multidões da basílica de S.Pedro), talvez por não ser um ícone da cidade o que contrasta com a sua magnificência exterior e interior.
Foi no palácio de Latrão, anexo à basílica que foi assinado o tratado de Latrão entre o Reino de Itália e a Santa Sé, dando o reconhecimento de total da soberania da Santa Sé no estado do Vaticano entre outros.
No interior da basílica, para além da grandiosidade da nave central, destaca-se logo o magnífico baldaquino, do século XIII, no centro do templo, projectado por Giovanni di Stefano.

Baldaquino Magníficos são também os tectos decorados com baixos relevos e o abside decorado com mosaicos que representam cenas religiosas. Sobressai-se muito, em toda a basílica, a cor dourada.

Abside da basílica Podemos ver também o túmulo do papa Leão XIII, o último papa a ser sepultado fora da Basílica de S.Pedro.
No exterior, no átrio da entrada principal, podemos ver a estátua do imperador Constantino que originalmente estava nas termas de Constantino.
Atrás da Basílica, na Piazza San Giovanni in Laterano, mesmo em frente à entrada do palácio está o obelisco egípcio (obelisco Laterano) do séc. 15 a.C., fazendo dele um dos obeliscos mais antigos do mundo.

Obelisco Laterano É também possível ver, no exterior da basílica, o batistério de Latrão onde teria sido batizado Constantino I e a Escada Santa (Scala Sancta).
Esta escadaria com 28 degraus de mármore emoldurados a madeira, leva-nos à capela pessoal dos primeiros papas (capela de São Lourenço), instalada num edifício do outro lado da rua, mesmo em frente à basílica, uma das propriedades extraterritoriais da Santa Sé. Segundo a tradição, estes são os degraus transladados de Jerusalém para o Palácio Laterano no séc. IV, que levaram Jesus até ao seu julgamento final. Em 1589 o papa Sisto V recolou-os para a posição actual em frente à antiga capela palatina.
Os peregrinos devotos sobem esta escadaria de joelhos.

Escada que dá acesso à capela dos papas (ao lado da Scala Sancta) A basílica de S. João Latrão é uma das mais bonitas de Roma.
Basílica da Santa Cruz em Jerusalém
Muito perto fica a basílica da Santa Cruz em Jerusalém, e o nome não é engano, é mesmo “em” Jerusalém. Quando da sua construção no ano 325 a imperatriz Santa Helena, mãe do imperador Constantino I, mandou trazer terra de Jerusalém para que sobre ela fosse construída esta igreja que iria albergar as relíquias (da crucificação) trazidas da Santa Terra: dois espinhos da coroa de Cristo, um dos pregos da cruz e pedaços da cruz.

Basílica de Santa Cruz em Jerusalém Hoje ainda é possível ver estas relíquias numa capela – Cappella delle Reliquie – dentro da basílica.
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Revisitamos a primeira expedição científica à Serra da Estrela
As caminhadas e abertura de trilhos na Serra da Estrela começaram, muito provavelmente, com pastores, desde tempos muito remotos (mesmo muito remotos). Num passado mais próximo, e com caracter mais científico, a Sociedade de Geografia de Lisboa organizou aquela que viria a ser a I Expedição científica à Serra da Estrela, em 1881. Esta revelou-se não só num feito histórico da época como permanece até hoje como a única e maior concentração multidisciplinar de cientistas e meios no nosso país.
Quatro séculos antes, Portugal tinha começado a descobrir mundo além mar. Tornara-se um vasto império que ia de Ocidente a Oriente, no entanto, territórios do berço da nação permaneciam desconhecidos, representando a Estrela o maior reduto por descobrir.
A 1 de Agosto começava, na estação de Santa Apolónia, a expedição idealizada um ano antes, em sessão de 5 de Julho, por Luís Marrecas Ferreira, Luciano Cordeiro e o médico José de Sousa Martins (estes dois últimos fundadores da Sociedade), que pretendia promover uma estância sanatorial para a cura da tuberculose (que no século XIX, se tornou numa das doenças mais prevalecentes na Europa) em plena Serra da Estrela e a edificação de uma estação meteorológica. A Sociedade de Geografia de Lisboa convidaria também para esta aventura Hermenegildo Capelo, capitão-tenente da Armada Portuguesa e experiente explorador de terras africanas. Embora a Estrela, até então também chamada de Hermínio, não comportasse os perigos de África, representava um território desconhecido e selvagem, cheio de mitos e histórias, a sua experiência seria importante.

Alguns dos expedicionários – Dr. Sousa Martins, Jules Daveau, Hermenegildo Capelo, Emídio Navarro, Júlio Henriques e Martins Sarmento As grandes viagens de exploração marítima empreendidas desde o século XV e subsequentes conquistas de novos territórios, sobretudo em África, levaram à fundação, a par de outros países europeus, da Sociedade de Geografia de Lisboa cujo objectivo principal era a exploração e pesquisa desses novos territórios ultramarinos, sendo este interesse crescente com o receio de perda destas colónias (principalmente para a Grã-Bretanha).
De Lisboa partiam 42 membros, aos quais se juntaram outros tantos vindos de Coimbra, Porto, Mealhada, Guimarães e até de algumas localidades serranas. Ao todo eram cerca de 100 pessoas, entre cientistas, especialistas, médicos e pessoal de apoio, que durante duas semanas iriam percorrer a Estrela, desenhar mapas, observar espécies, recolher amostras, desmistificar histórias e conhecer as gentes serranas.
O grupo expedicionário propôs-se divulgar o conhecimento adquirido, publicando relatórios e documentos que ficariam depois disponíveis em arquivos, bibliotecas, museus e universidades. Nestes relatórios deveriam constar as dificuldades encontradas, a recolha e classificação das amostras e espécimens assim como a descrição das espécies e tradições. Cartografar, sondar, observar e curar, desenhar e fotografar, prestar serviço público, consultando, examinando, operando e dando medicamentos à população local (especialmente aos doentes), apontar mudanças e dar soluções, certificar e divulgar o conhecimento.
A campanha na serra começou a 4 de Agosto. O acampamento base situava-se na área do Cume, a curta distância da fonte dos Perus a 1850 metros de altitude. Durante a campanha os pastores (senhores da serra) foram guias incansáveis, desbravando caminhos, transmitindo saberes e ensinando a sobreviver nas árduas condições da montanha.

Torre, em 1881 Num regime tipicamente militar, em que havia alvorada e silêncio a toque de corneta, as várias disciplinas do conhecimento trabalharam durante 15 dias.
A maior parte dos dados e acervos recolhidos pelas diferentes secções de investigadores (não chegando a ser publicados metade dos relatórios previstos), estão atualmente preservados em arquivos públicos e centros de investigação de algumas universidades.
Os expedicionários da Sociedade de Geografia de Lisboa deveriam ter regressado à Serra da Estrela em 1883, pois a expedição fora planeada como plurianual. O mesmo não veio a acontecer, no entanto esta expedição abriu portas a outras explorações programadas, que embora não chegassem de perto à dimensão da primeira, revelaram-se de grande importância. É disso exemplo a grande descoberta feita em 1883 pelo geólogo Vasconcelos Pereira Cabral que publicou a primeira prova de uma glaciação na Península Ibérica depois de ter encontrado sulcos de glaciares, rochas aborregadas, blocos erráticos e moreias.
Muito ficou por descobrir, mas esta expedição talvez tenha despertado o início das investigações e conhecimento, mas também das caminhadas nesta que é a maior serra de Portugal continental.
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Rota do Poço do Inferno em Manteigas, Serra da Estrela
Longe da Torre, da neve e do alvoroço turístico, é no coração que a Serra da Estrela guarda o melhor. A poucos quilómetros de Manteigas, escondido num pequeno vale, aninha-se o Poço do Inferno, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, alimentada pela ribeira de Leandres, que surge num lugar de grande beleza e interesse geológico.
Começámos o trilho junto ao pequeno estacionamento (vindos das Caldas de Manteigas), antes do Poço do Inferno, e no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

Sinalização O início do percurso é íngreme, com alguns degraus (algumas pedras soltas) e pequenas escaladas, mas nada que não se faça, sem grande esforço, aliás, fizemo-lo com os nossos 4 filhos (de 1, 6, 11 e 13 anos) e adoraram. O desnível é muito acentuado mas faz-se muito bem.
Assim que atingimos o topo dos blocos graníticos podemos vislumbrar as formações rochosas e escarpadas, onde se juntam o granito de Seia com o as rochas endurecidas (devido ao metamorfismo de contacto) do granito de Manteigas, e uma paisagem a perder de vista onde se pode ver a serra de São Lourenço (parte integrante da Estrela), encimada com o seu posto de vigia, e o Campo Romão (junto às Penhas Douradas).

Escarpas graníticas O percurso atravessa a tímida ribeira de Leandres, por uma pequena ponte de madeira, que a jusante se precipita pelas escarpas graníticas até encontrar um poço, o Poço do Inferno.
Depois de subir um pouco mais, contemplar a vista e andar por entre fragas (rochas grandes, penhascos) e árvores chegamos a um bosque de carvalhos, azinheiras, castanheiros, pinheiros e alguns exemplares de teixo (espécie em vias de extinção) que passam despercebidos (e ainda bem).

Bosque na rota do Poço do Inferno No percurso vão-se vendo algumas construções que discretamente humanizam a paisagem e que outrora serviram de abrigo a pastores e gado ou, no caso dos muros, separaram culturas, de caminhos que se faziam pelo meio da Serra.

Antigo abrigo Aqui respira-se natureza e se não fizermos muito barulho ainda conseguimos ver um ou outro esquilo-vermelho que trepa pelos castanheiros ou pinheiros tentando comer castanhas ou os “cones” das pinhas.
A última parte do percurso (pouco menos de metade) faz-se pela estrada florestal que vai acabar na parte inferior do Poço do Inferno.

Estrada para o Poço do Inferno 
Cascata do Poço do Inferno (no Inverno) No verão é normal que a cascata esteja quase seca. A melhor época para visitar este lugar é no final do Verão e início do Outono quando as folhas das árvores ganham tonalidades alaranjadas antes de cair.
Como chegar lá
A partir de Manteigas, pelas Caldas de Manteigas em direcção à Torre, estrada N338, depois do viveiro das trutas, vira-se à esquerda e segue-se pela estrada florestal (7 km).
A partir de Manteigas pode também ir pela estrada florestal de Leandres (6 km).
PR1 MTGTipo: Circular
Estensão: 2,5 Km
Dificuldade: Média
Informações: Manteigas Trilhos Verdes -

Serra de São Lourenço (Serra da Estrela)
Vista sobre a serra de São Lourenço (Serra da Estrela) e Campo Romão

Serra da Estrela -

Quinta da Regaleira, respire misticismo e romantismo
A Quinta da Regaleira, situada na encosta da serra a alguns metros da vila de Sintra, pode ser considerada um dos monumentos mais surpreendentes na região.
Construída entre 1904 e 1910, sofreu alterações depois da aquisição pelo Dr. Carvalho de Monteiro, tornando-a naquilo que podemos hoje ver. Alia o misticismo e o romantismo à magnífica arquitectura de uma forma muito singular.
Logo que compramos os bilhetes de entrada é entregue um mapa, basta segui-lo. A Quinta é enorme e só assim se consegue definir o que se quer ver e qual o melhor percurso. Não tenha pressa, aproveite bem todo o encanto e esteja atento aos pormenores e símbolos, que são muitos, evocativos, sobretudo da Macçonaria e dos cavaleiros Templários.
Ao entrarmos na Quinta deparamo-nos com o palácio, também designado por Palácio do Monteiro dos Milhões, de arquitectura riquíssima e trabalhada, criado pelo arquiteto italiano Luigi Manini. Logo na entrada toda a ornamentação é relacionada com o mar e os descobrimentos portugueses.

Arco da entrada da quinta À medida que se entra no palácio desvendam-se cada uma das salas, cada terraço, apercebendo-nos das ligações criadas com o esoterismo e com o fantástico, cheios de símbolos ocultos por trás dos estilos manuelino, renascentista e barroco. Como grande exemplo destes trabalhos exuberantes, na sala da caça, está a magnífica lareira.

Lareira do palácio da Regaleira No exterior uma vegetação bastante diversificada mas em plena sintonia com as construções em pedra, emanam magia e mistério, num mundo dantesco, cheio de símbolos, desde a alquimia à mitologia.
Destacamos a capela, com referências à ordem de Cristo e aos Templários.

Capela 
Olho na pirâmide dentro da capela, descubra-o! O poço iniciático ou torre invertida é um dos ex-libris da quinta. Com 27 metros de profundidade, o acesso faz-se através de uma escadaria em espiral, fazendo a ligação entre o céu e a terra. Há quem diga que era utilizado em rituais de iniciação maçónica. Tem 9 patamares, cada um com 15 degraus, invocando a Divina Comédia de Dante e no fundo do poço uma rosa dos ventos, com os pontos cardeais sobre a cruz dos Templários.

Poço iniciático Os percursos subterrâneos são claramente locais a percorrer, assim como as grutas. O passeio ao ar livre, no meio do bosque, é bastante agradável.
Em suma, um local místico, onde o tempo lá passado nos leva a uma outra dimensão. Fica na recordação o local, fica na imaginação o simbolismo, fica a vontade de querer lá voltar.

Fonte da Regaleira Agradecemos a colaboração da Quinta da Regaleira.

