Em plena Serra da Freita, Arouca combina harmoniosamente os seus legados histórico e natural. Deste perfeito “casamento” nasceu o Arouca Geopark que muito tem feito pela protecção, promoção e divulgação de todo este património.
Embora tenhamos visitado pouco mais que a vila, há muito para ver no concelho. As místicas pedras parideiras, um fenómeno geológico único no mundo, aldeias que pararam no tempo, minasde volfrâmio abandonadas , uma rede de percursos pedestres, quedas de água, os Passadiços do Paiva e muito mais.
Passadiços do Paiva
Mesmo no centro da vila, na alameda Dom Domingos de Pinho Brandão está o posto de turismo do Arouca Geopark onde, muito atenciosamente nos deram informação acerca de todos os pontos turísticos mais interessantes para visitar.
Uma visita à vila tem de ter passagem obrigatória pelo Mosteiro de Arouca ou Mosteiro de Santa Maria de Arouca. A origem deste mosteiro começa no século X como mosteiro beneditino e no século XII passa para a ordem de Cister como mosteiro exclusivamente feminino até à extinção das ordens religiosas em 1759 por D. José I.
Mosteiro de Arouca
O mosteiro sofreu alguns trabalhos de restauro e conservação após alguns anos de abandono e ocupação que resultou na danificação e perda de muito património.
Vale a pena fazer uma visita ao Museu de Arte Sacra onde podemos percorrer algumas áreas do mosteiro como a cozinha, o salão do cadeiral, os claustros, as celas entre outros espaços.
Claustros do Mosteiro de Arouca
Salão do Cadeiral
Na igreja do Mosteiro podemos ver o corpo de Santa Mafalda, conservado em cera, que aquando da exumação do seu corpo para ser trasladado para Arouca, descobriram que estava incorrupto, este facto gerou uma onda de fervor religioso.
Mesmo em frente da Igreja, do outro lado da rua, está a Igreja da Misericórdia. Partindo daqui visitamos ainda as ruas do centro histórico da vila onde existem casas brasonadas que fazem parte da história da vila.
Igreja da Misericordia de Arouca
Rua em Arouca
Se nos colocarmos na rua que nos leva à Câmara Municipal e olharmos para cima vemos o monte da Senhora da Mó, onde tem uma capela da mesma santa.
Num dos cruzamento de Santa Eulália está o memorial de Santo António. Existem vários por esta região, surgem com frequência junto às antigas estradas e conta a lenda que à passagem da urna da Rainha Santa Mafalda, que ía em cima de um burro, onde este parava exausto foi erigido um destes memoriais.
Parte do património gastronómico de Arouca, vale a pena provar a Vitela Arouquesa. Nós fizemo-lo no restaurante Parlamento (na Travessa da Ribeira) onde fomos atendidos com muita simpatia e atenção.
Comemos vitela Arouquesa no forno que estava divinal e provamos posta de vitela Arouquesa grelhada.
Vitela Arouquesa no forno e doce da casa
Os doces conventuais típicos de Arouca, eram confeccionados no Mosteiro e as suas receitas foram passando de geração em geração. Nós quisemos prová-los, e mesmo em frente ao Mosteiro, fizemo-lo na loja Doces Conventuais de Arouca. Escolher um doce para recomendar é difícil, se puder prove um de cada. 🙂
Os Passadiços do Paiva, localizados na margem esquerda do rio Paiva (afluente do Douro), entre Espiunca e Areinho no concelho de Arouca, são uma magnífica referência de turismo de natureza, não só para a região de Arouca mas também a nível nacional. Nós fomos comprovar.
Ao longo do percurso de cerca de 8 Km, entramos num território antes quase inacessível, com paisagens de cortar o fôlego.
Início dos Passadiços
Comprados os bilhetes online (as entradas são limitadas), inicíamos o percurso por volta das 9 horas, pela Espiunca. Há quem diga que é melhor começar por Areinho, mas, independentemente das opiniões, neste dia o percurso estava interdito desse lado uma vez que decorriam trabalhos de manutenção. Neste momento está a decorrer também a construção de uma nova ponte de vidro suspensa (diz-se que será uma das maiores do mundo).
O dia estava fresco, sem muitos caminhantes, (pelo menos até às 11 horas da manhã). O percurso foi feito sem grandes dificuldades, para nós e para os miúdos.
Este trajecto acompanha o rio Paiva por vales de muita beleza.
Rio Paiva
Se por um lado deixamos de ter passadiços em algumas zonas e andamos por trilhos de terra, por outro, se não existisse a estrutura suspensa de madeira não seria possível continuar o percurso.
Estrutura suspensa dos passadiços
O extraordinário desta obra, e quanto a nós é de louvar, é a integração dos passadiços no local. Além do impacto visual ser discreto, podemos andar no meio da natureza sem afectar muito a biodiversidade.
Ao longo do percurso existem alguns miradouros e escadas que nos podem levar até ao rio.
Passamos pela Gola do Salto onde no inverno as águas estão revoltas e a prática de desportos como o canyoning são geralmente praticados.
Gola do Salto
Mais ou menos a meio do percurso encontramos a praia fluvial do Vau, onde almoçamos e aproveitamos para dar um mergulho no rio. Neste local existem casas de banho, algumas mesas e um pequeno bar de apoio. Caso não queira continuar, pode pedir um taxi que o virá buscar.
Praia fluvial do Vau
Continuando o percurso, pouco depois da praia tem uma ponte suspensa que nos leva à outra margem e por onde se pode seguir um trilho até Alvarenga. A paisagem vista da ponte é lindíssima.
Ponte suspensa
Como uma parte do trajecto estava encerrada, fizemos o retorno até Espiunca.
Compre bilhete online com antecedência, o parque tem um limite de entradas
No verão inicie logo pela manhã, quanto mais cedo melhor (confirme os horários de abertura)
Leve água, calçado e vestuário confortável
Leve um farnel e aproveite a praia do Vau para almoçar e recuperar forças para o resto do percurso
Respeite a natureza
Se fizer os passadiços com crianças aconselhamos a começar pela Espiunca, o percurso é menos exigente. Se a meio do percurso (Vau) estiverem cansados peça um táxi e regresse.
Trilho
Tipo: Linear Estensão: 8,7 Km Dificuldade: Média Informações:Passadiços do Paiva
As dicas no que toca a documentação de viagem são simples e a maior parte dos leitores decerto já as conhece, no entanto parece-nos que vale sempre a pena relembrar que, para além do Cartão de Cidadão, que é válido em toda a União Europeia (e espaço Schengen), nunca deve esquecer:
Passaporte
Sempre que for para fora do Espaço Schengen (países europeus com livre circulação de pessoas e mercadorias) seja por via terrestre, marítima ou aérea não se esqueça do passaporte, existindo ainda necessidade de Visto para a entrada em alguns países.
No Reino Unido, mesmo estando na Europa e Espaço Schengen, em muitos locais só aceitam o passaporte.
Certificado Internacional de Vacinação
Para entrar em alguns países é obrigatório apresentar o certificado Internacional de Vacinação válido. Este Certificado deverá ser obtido através de uma consulta de medicina do viajante (num hospital ou online). Nesta consulta, de acordo com o destino, o médico irá identificar quais as vacinas e medicamentos obrigatórios e mais relevantes, além de outras considerações relevantes para o local de destino.
Cartão Europeu de Seguro de Doença
O Cartão Europeu de Seguro de Doença permite a uma pessoa segurada ou abrangida pelo regime de proteção social obter junto dos prestadores de cuidados públicos a assistência médica de que o seu estado de saúde necessitar durante a sua estada temporária em qualquer um dos 28 Estados-Membros da União Europeia, Islândia, Lichtenstein, Noruega e Suíça.
O cartão pode facilmente ser pedido online, no site da Segurança Social Direta e demora pouco mais de 3 ou 4 dias para o receber em sua casa.
O Cartão Europeu de Seguro de Doença não substitui o seguro de viagem.
Seguro de viagem
Dependendo de para onde é o destino, na nossa opinião, por vezes, é importante fazer um seguro de viagem, sobretudo se sair da Europa. Existem muitos locais onde pode fazer o seguro, as companhias aéreas disponibilizam este serviço.
Cartões de pagamento
Normalmente na Europa, e apesar das taxas variarem, não há problema em utilizar um cartão Multibanco, no entanto convém sempre levar um cartão de crédito internacional como o Visa ou Mastercard.
A 700 Km a Sul da capital do país, Benguela, parece que parou no tempo. As casas, os edifícios públicos, as ruas permanecem iguais tal como as “deixaram” há 50 anos atrás.
Benguela
Nascida numa magnífica baía, entre o Atlântico e a savana, é conhecida pelas suas magníficas praias, que vão desde a praia Morena até à Baía Azul, e pelas “pescarias” (empresas de pesca instaladas junto ao mar) que fornecem peixe e seus derivados (óleo, farinha, etc.) para o resto do país.
Praia Morena
A presença portuguesa está viva em todos os lados. Nas áreas residenciais veêm-se moradias da época colonial que mantêm a traça. Os hábitos também são mantidos e na parte de trás das casas, existe um quintal onde se fazem os almoços familiares aos sábados, conhecidos como “sentadas” familiares, que se prolongam até à noite.
União dos Sindicatos
Embora existam alguns palácios na cidade, estes não podem ser visitados pois albergam serviços públicos. São exemplo disso o Palácio do Governador e a sede provincial do MPLA, outrora sede da associação dos comerciantes da cidade. Visite a Sé catedral e a igreja da Senhora do Pópulo, dois exemplos de edifícios religiosos coloniais.
Sé Catedral
Igreja de Nossa Senhora do Populo
É interessante andar pelo centro da cidade e assistir ao decorrer da vida benguelense: o comércio, as vendedoras de rua, os “cupapatas” (uma espécie de taxis de mota), os pedicures (sim, homens que fazem as unhas) entre outros transeuntes.
Kupapata
O forte desta cidade (e província) são mesmo as praias e monumentos naturais.
Praia Morena
Indo para Sul passámos pela praia de Santo António, Caotinha, Caota, Baía Azul e Baía Farta e pela mais recente indústria de extracção de sal.
O que comer?
A comida típica desta região é o calulu, um guisado de peixe, fresco ou seco, com ervas, acompanhado de pirão (no Norte é chamado de funge). Nós tivemos o privilégio de comer calulu caseiro na companhia de amigos.
Nota: Benguela é conhecida pela cidade das acácias rubras pois nas ruas existem várias destas árvores que no verão ficam cheias de flor alaranjadas e daí o nome. Infelizmente não pudemos ver as acácias floridas porque visitamos a cidade no inverno.
Como ir
A partir de Luanda, pode ir de carro, a viagem é longa (cerca de 600 Km) e as estradas não estão muito boas. Se estiver com tempo e sem crianças vale a pena ir, nas calmas.
De avião, há voos diários com a TAAG (recomendamos) e a Sonair para o aeroporto da Catumbela.
A primeira coisa que deve vir ao pensamento de quem lê este texto é: o quê? viajar em lazer para Angola?
Pois é isso mesmo, depois de alguma burocracia saíram os vistos e lá fomos nós.
A par de outros países da África Central, Angola ainda conserva muito da essência e das raízes africanas (nada exploradas pelo turismo): clima, fauna, flora, paisagem, cultura e gente genuína. Por exemplo, assim que saímos de Luanda, para Sul, na barra do rio Kwanza, passamos numa pequena floresta tropical onde pudemos ver macacos que vêm ter connosco à espera que lhe demos de comer.
Macacos na barra do rio Kwanza
O que torna o país único é também o seu clima que, embora localizado na zona tropical, tem características muito particulares, existindo apenas duas estações no ano, o verão (das chuvas) que vai de Outubro a Abril e a seca, conhecida por cacimbo, de Maio a Agosto.
As línguas bantas (um ramo linguístico do grupo benue-congolês da família nigero-congolesa), como o kimbundu (Norte e Luanda), o mbundu (no Sul) e o chokwe (Nordeste e parte central do país) ainda são faladas em diversas zonas do país, sobretudo pelos mais velhos.
O povo Chokwe por exemplo tem uma das culturas mais ricas do país e a sua arte, ligada ao culto dos antepassados e à celebração da vida, tem inspirado muitos artistas contemporâneos. A UNESCO atribuiu mesmo o título de património imaterial da humanidade às máscaras Mukishi deste povo.
Estátuas tribais
Os Chokwe faziam parte do império Lunda ou de Mwata Yanvo Muatianvuas, cuja ascensão e queda na região central africana aconteceu entre os séculos XVII e XIX.
Os angolanos são pessoas afáveis, humildes e amigos de ajudar. Na sua cultura e vivência continua ainda muito enraizada (pela positiva) a presença colonial portuguesa assim como os costumes – exemplo disso é o Museu de História Militar de Angola no Forte de São Miguel (em Luanda). Existe alguma simpatia, e até afecto, pelos “tugas” ou “pulas” chegando a haver a diferenciação entre estrangeiros e portugueses.
Baía de Luanda
Logo quando saímos do avião sentimos uma baforada de sensações que nos activam quase todos os sentidos, o calor, o cheiro da terra, o sotaque das pessoas, a envolvência ambiental.
Uma coisa muito importante a ter em mente, e nunca esquecer, é que estamos em Angola, tudo tem tempo para acontecer, por isso habitue-se, tudo é feito com calma (muita calma), sem stress e sem hora marcada.
Luanda é o centro da vida política e económica de Angola. A capital tem mais de oito milhões de habitantes, distribuída entre as modernas construções, os bairros mais modestos e os “musseques”.
Ilha de Luanda
Na linha de costa, muito mais calmo, é interessante visitar Benguela, Lobito, Sumbe e o Namibe, sem esquecer Cabinda. Mais no interior Malange, Huambo, Lubango e Dundo. Claro que o que há para visitar não se cinge apenas a estes locais, para além das cidades existe muito mais: as florestas tropicais, as quedas de Kalandula em Malange, o parque o Parque Nacional de Quiçama, o deserto do Namibe (o mais antigo do mundo), a serra da Leba, a nascente do Okavango, e muito, muito mais.
Rua em Benguela
Into the Okavango – Documentário National Geographic (projecto Okavango Wilderness Project’s 2018)
Angola não é só o país onde se vai trabalhar, há muito para ver, descobrir e redescobrir neste país que renasceu há pouco mais de 40 anos.
O visto turístico para Angola está mais facilitado desde maio de 2018, embora o processo e as formalidades não sejam assim tão simples.
Para pedir o visto dirija-se ao Consulado Geral de Angola em Lisboa, na rua Fradesso da Silveira Alcântara Rio, Bloco E em Lisboa (Alcântara). Deve levar consigo:
Formulário e ficha do consulado;
Passaporte;
2 fotografias tipo passe;
Print da reserva da viagem;
Certificado Internacional de Vacinação (vacina da febre amarela é obrigatória);
Comprovativo de reserva de hotel (ou termo de responsabilidade de pessoa nacional de Angola);
Comprovativo de Meios de Subsistência (extracto bancário com o equivalente a USD 200,00 por cada dia de permanência em território angolano);
Uma das vertentes que muito nos leva a escolher os locais que visitamos é a história e a arte, conhecer a história e seguir o rasto da arte é um bom motivo para conhecer os locais. Roma, é sem dúvida, um dos destinos com mais para dar nestas duas vertentes.
Uma das figuras que admiramos é Gian Lorenzo Bernini (ou simplesmente Bernini), um artista do barroco italiano que se revelou um génio da escultura. Na nossa opinião, nenhum outro artista deixou uma marca tão forte em Roma.
Para conhecermos a sua obra e simultaneamente fazermos uma visita por Roma sugerimos o percurso que se segue.
Roma de Bernini
Baldaquino (basílica de São Pedro)
Começamos no Vaticano (ponto mais à esquerda no mapa), mais precisamente na basílica de São Pedro, onde Bernini criou o magnífico Baldaquino que tão harmoniosamente preenche o vazio por baixo da grandiosa cúpula de Michelangelo.
Baldaquino de Bernini
A primeira obra de Bernini na basílica de São Pedro é impressionante quer pelo tamanho quer pela beleza. Sobre o túmulo de São Pedro, com cerca de 30 metros de altura, em bronze, quatro colunas torcidas suportam o baldaquino encomendado pelo papa Urbano VIII (Barberini).
Colunata (praça de São Pedro)
Ainda no Vaticano, a colunata é o conjunto de 284 colunas que “abraça” a praça de São Pedro e que suportam uma grande estrutura ao estilo clássico na qual foram colocadas 140 estátuas de santos.
Colunata de Bernini
A colunata, com quatro filas de colunas, foi projectada de modo que, vista a partir do centro da elipse (indicado no pavimento por uma pedra circular rodeada por um anel de mármore), pareça ter apenas uma única fila de colunas.
No fundo, ao projectar a colunata, Bernini fez também a praça de São Pedro onde colocou no centro uma fonte.
Anjos (ponte e castelo de Sant’Angelo)
Começamos pelo castelo onde a estátua em bronze que o encima, embora tenha sido esculpida por Pierre van Verschaffelt (escultor flamengo), foi projectada por Bernini.
Na ponte de Sant’Angelo, logo em frente ao castelo, a obra do artista tem muito mais expressão. Catorze estátuas de anjos, encomendadas pelo papa Clemente IX em 1669, que representam a Paixão de Cristo, ornamentam a ponte.
Ponte de Sant’Angelo
Posteriormente os originais de alguns destes anjos foram levados para a igreja de Sant’Andrea della Fratte (em Roma) tendo ficado na ponte cópias, como é o caso do anjo da coroa de espinhos.
No centro da piazza Navona está a monumental fontana dei Quattro Fiumi, esculpida entre 1648 e 1651 e encomendada pelo papa Inocêncio X. A escultura representa quatro grandes rios, personificados em gigantes, de quatro continentes: o Nilo na África, o Ganges na Ásia, o rio da Prata na América, e o Danúbio na Europa.
Fontana dei Quattro Fiumi
Apesar do tamanho, Bernini consegue juntar harmoniosamente o conjunto sólido de pedra e mármore com a leveza das águas que caem.
No topo da fonte/escultura foi colocado o obelisco egípcio Agonal.
Também no lado Sul da praça está a fontana del Moro, ou fonte do Mouro, criada por Giacomo della Porta e posteriormente aperfeiçoada por Bernini que lhe acrescentou o mouro no centro da fonte.
Elefante do obelisco (piazza della Minerva)
Numa das ruas laterais do Panteão, atrás, na piazza della Minerva, encontramos uma escultura de um elefante suportando um obelisco egípcio.
Elefante do obelisco
Esta obra, embora esculpida por Ercole Ferrata, foi projectada por Bernini e é um exemplo da habilidade criativa do artista. A representação do elefante não foi escolha do acaso. É um antigo símbolo da inteligência e piedade, e nesta obra representa a personificação das virtudes com que os cristãos podem alcançar a verdadeira sabedoria.
Fonte do Tritão (piazza Barberini)
Na piazza Barberini está a fonte do Tritão (fontana del Tritone), mandada erguer pelo papa Urbano VIII (Barberini) para que ornamentasse o espaço defronte do palácio da sua família (palácio Barberini).
Fonte do Tritão
Esta fonte representa o mítico deus Tritão, um dos filhos de Neptuno, ajoelhado, suspenso por quatro golfinhos, enquanto bebe água que jorra de um búzio/concha.
Um pouco mais escondida e menos expressiva, numa das esquinas da praça, está a Fontana delle Api (fonte das Abelhas) também de Bernini.
Escadaria (palácio Barberini)
Como dissemos atrás, próximo da fonte do Tritão fica o palácio Barberini, hoje uma galeria ou museu de arte.
Embora o palácio apenas tenha sido terminado por Bernini tem uma magnífica escadaria criada pelo artista que dá acesso ao andar nobre, a mesma função de outra escadaria criada pelo seu rival Borromini como que numa disputa de talento.
Extase de Santa Teresa (igreja de Santa Maria della Vittoria)
Na igreja de Santa Maria della Vittoria está uma das esculturas que melhor mostra a eloquência do artista: a escultura do extase de Santa Teresa.
Santa Teresa, então freira Teresa D’Avila, teve a visão de um anjo que lhe crava uma seta de ouro no coração, simbolizando este facto o amor e devoção que Santa Teresa tinha por Deus. Este amor é expresso numa convulsão mista de dor e ao mesmo tempo prazer.
Bernini representa este extase na escultura carregando-a, de uma forma única, de drama, emoção e movimento.
Rapto de Proserpina (galleria Borghese)
Do mito romano (ver abaixo), que também é grego, nasceu esta bela escultura. Esta obra está na galleria Borghese, nos jardins da vila Borghese (ponto a norte do mapa). Como na maior parte das suas esculturas também esta mostra o pormenor com que projectava e criava as suas obras-primas.
São notáveis os detalhes, Proserpina a empurrar a cabeça de Plutão enquanto este aperta a pele de Proserpina para tentar imobilizá-la.
Rapto de Proserpina (Wikimedia Commons)
Nesta galeria/museu estão também outras obras de Bernini como é o caso da escultura de Apolo e Dafne.
Escadaria helicoidal (basílica de Santa Maria Maior)
Esta escadaria, assim como a Sala dos Papas a partir da qual acedemos às escadas, só estão abertas alguns dias por ano. Tivemos a sorte de poder visitar.
Escadaria em Santa Maria Maior
Esta escadaria foi projectada e construída por Bernini quando tinha apenas 23 anos, o que a torna ainda mais especial. Embora à primeira vista, nada salta a atenção, na verdade esta tem características muito especiais do ponto de vista técnico.
No centro da escada não existe eixo onde os degraus se possam apoiar. Para compensar o peso dos degraus Bernini usou duas técnicas: encastrou os degraus nas paredes do edifício e inclinou-os de forma quase imperceptível para a frente fazendo com que o peso do corpo humano fique na ponta do degrau e não no meio.
É isto que a torna tão especial, um artista tão jovem consegue projectar uma obra com pormenores tão peculiares.
Nesta basílica terminamos a nossa visita a Roma e, mais particularmente, à obra de Bernini. Curiosamente é nesta igreja que o seu corpo se encontra sepultado. Foi também numa das ruas laterais da basílica onde Bernini viveu com o seu pai, também escultor, Pietro Bernini.
Nota: Neste texto apenas são descritas as obras que consideramos mais expressivas e que a nós mais nos impressionam, quer pela sua beleza quer, simplesmente, pela sua técnica. Existem muitas outras que podem ser vistas e visitadas em Roma.
A catedral de Santa Maria del Fiore ou o Duomo de Florença é uma das maiores obras-primas góticas e do início do renascimento.
A sua cúpula, com mais de 100 metros de altura, é uma obra colossal e ainda há bem pouco tempo a sua construção era um mistério.
Para fazer a visita ao interior da basílica tivemos de seguir uma fila, não muito demorada. Logo à partida ficamos desiludidos com o interior. O exterior da igreja contrasta com o aspecto despido e escuro do interior mas logo se muda de ideias quando se está por baixo da cúpula e nos começamos a aperceber dos pormenores.
Cúpula
Nós não o fizemos, mas poderá subir à cúpula e contemplar a vista sobre Florença.
Altar-mor da basílica
Um pouco de história
O início da sua construção data de 1296, com a supervisão de Giotto, sobre as antigas fundações da catedral de Santa Reparada. Para que a basílica chegasse ao que conhecemos hoje passaram cerca de seis séculos, tendo começado no século XII e finalizada apenas no século XIX com a conclusão da sua fachada.
Basílica de Santa Maria del Fiore
Uma das fazes mais complexas na sua construção foi a da enorme cúpula. Foi projectada pelo relojoeiro Filippo Brunelleschi que num golpe de génio conseguiu encaixar o duomo na enorme base octogonal irregular (pois as dimensões não estavam uniformes).
Fora da basílica pode ainda visitar-se o campanário de Giotto e o batistério de São João.
Quando viajamos gostamos de conhecer, para conhecer temos de viver o sítio, para viver o sítio temos de nos embrenhar. Se quer fazer o mesmo aceite os nossos concelhos:
Escolha bem o destino – Escolha o que lhe desperte mesmo a atenção/curiosidade, quer pela paisagem, clima, cultura ou património (seja lá o que for). Não escolha destinos só porque ouviu falar ou viu publicitado.
Estude o mapa do local antes de partir – Veja a localização dos locais a visitar (outros surgirão) num mapa, pesquise no Guia de bairros do Airbnb, conheça a história dos sítios. Outro sitio para tirar dúvidas é o forum do Tripadvisor.
Desloque-se de transportes públicos (sempre que possível) – Alugar carro nem sempre é a melhor opção para conhecer.
Coma na rua – A comida local, típica (regional) é na rua que se come. Vá a bancas de rua, mercados ou pequenas “tascas”. Nas ruas menos movimentadas e sem turistas geralmente é onde há os melhores sítios para comer.
Fale com as pessoas – Não tenha receio em falar com os locais. Um simples pedido de informação pode trazer uma boa conversa.
Ande a pé – Nas cidades o melhor é andar a pé, excursões e circuitos turísticos não são o melhor. A pé certamente passará por sítios onde autocarros não passam nem estão contemplados nos circuitos.
Alugue casa (sempre que possível) – Hoteis e resorts não são a melhor opção para quem quer sentir o local e a cultura. O Airbnb é uma boa opção para alugar casa ou quarto (com ou sem senhorio). Quando se aluga uma casa com cozinha, nos dias mais cansativos, sabe bem jantar e a seguir ir directo para o descanso. Se estiver numa casa onde partilhe o espaço com o dono acaba por saber mais dos costumes, hábitos e cultura do lugar. Outra opção para reservar quarto é o Booking.
Viaje em época baixa – Não só pelos preços, mas como há pouca gente, há menos confusão logo aproveita-se muito mais nas visitas, na rua, nos restaurantes.
Faça backup das fotografias – No final, assim que chegar a casa faça backup das fotografias e vídeos que fez… (já tivemos alguns dissabores). Assegure-se que o cartão de memoria tem espaço disponível e que tem o carregador.
O melhor site para pesquisa de voos é o momondo. Existe o Google Viagens, mas pela nossa experiência não se conseguem preços tão baixos na maioria dos voos.
Quando dizemos “pesquisa” é porque não quer dizer que seja o melhor sítio para comprar bilhete, no entanto é um bom meio de comparação. Por vezes conseguem-se preços um pouco mais acessíveis nos sites das companhias. É uma questão de após a pesquisa fazer o mesmo na companhia indicada num destes sites.
Compre com maior antecedência possível (de preferência 60 a 120 dias antes – dependendo se viajar em época baixa ou alta) e, sempre que possível, não escolha a partida à sexta-feira ou sábado.
Se tem tempo e não quer pagar muito por uma passagem aérea escolha viagens (dependendo do destino) com escala. Aproveite as escalas mais demoradas para visitar o local de passagem.
Se quiser preços excepcionais poderá ter a sorte de encontrar o seu destino no site Secret Flying onde encontra voos muito baratos. Este site rastreia promoções e enganos que as companhias aéreas possam ter nos preços (que muitas vezes apenas estão disponíveis por momentos muito breves), assim como lugares de última hora.
Existem ainda as chamadas OTAs (Online Travel Agencies) como a eDreams, Logitravel ou Destinia que permitem reservar avião, hotel, pacotes de férias e bilhetes de autocarro, tudo online.
Porém, deve ter alguma atenção porque o preço mostrado inicialmente pode não ser o que é mostrado no final quando vamos efectuar o pagamento, ou seja, pode ser mais caro. Tenha atenção pois há valores extra (serviços extra e seguros) que já estão marcados e vão fazer subir o preço total. Outra situação é que o preço apresentado muitas vezes é para pagamentos com determinado tipo de cartão de pagamento (podendo o preço subir 50 euros).