Longe da Torre, da neve e do alvoroço turístico, é no coração que a Serra da Estrela guarda o melhor. A poucos quilómetros de Manteigas, escondido num pequeno vale, aninha-se o Poço do Inferno, uma cascata com cerca de 10 metros de altura, alimentada pela ribeira de Leandres, que surge num lugar de grande beleza e interesse geológico.
Começámos o trilho junto ao pequeno estacionamento (vindos das Caldas de Manteigas), antes do Poço do Inferno, e no sentido contrário aos ponteiros do relógio.
Sinalização
O início do percurso é íngreme, com alguns degraus (algumas pedras soltas) e pequenas escaladas, mas nada que não se faça, sem grande esforço, aliás, fizemo-lo com os nossos 4 filhos (de 1, 6, 11 e 13 anos) e adoraram. O desnível é muito acentuado mas faz-se muito bem.
Assim que atingimos o topo dos blocos graníticos podemos vislumbrar as formações rochosas e escarpadas, onde se juntam o granito de Seia com o as rochas endurecidas (devido ao metamorfismo de contacto) do granito de Manteigas, e uma paisagem a perder de vista onde se pode ver a serra de São Lourenço (parte integrante da Estrela), encimada com o seu posto de vigia, e o Campo Romão (junto às Penhas Douradas).
Escarpas graníticas
O percurso atravessa a tímida ribeira de Leandres, por uma pequena ponte de madeira, que a jusante se precipita pelas escarpas graníticas até encontrar um poço, o Poço do Inferno.
Depois de subir um pouco mais, contemplar a vista e andar por entre fragas (rochas grandes, penhascos) e árvores chegamos a um bosque de carvalhos, azinheiras, castanheiros, pinheiros e alguns exemplares de teixo (espécie em vias de extinção) que passam despercebidos (e ainda bem).
Bosque na rota do Poço do Inferno
No percurso vão-se vendo algumas construções que discretamente humanizam a paisagem e que outrora serviram de abrigo a pastores e gado ou, no caso dos muros, separaram culturas, de caminhos que se faziam pelo meio da Serra.
Antigo abrigo
Aqui respira-se natureza e se não fizermos muito barulho ainda conseguimos ver um ou outro esquilo-vermelho que trepa pelos castanheiros ou pinheiros tentando comer castanhas ou os “cones” das pinhas.
A última parte do percurso (pouco menos de metade) faz-se pela estrada florestal que vai acabar na parte inferior do Poço do Inferno.
Estrada para o Poço do Inferno
Cascata do Poço do Inferno (no Inverno)
No verão é normal que a cascata esteja quase seca. A melhor época para visitar este lugar é no final do Verão e início do Outono quando as folhas das árvores ganham tonalidades alaranjadas antes de cair.
Como chegar lá
A partir de Manteigas, pelas Caldas de Manteigas em direcção à Torre, estrada N338, depois do viveiro das trutas, vira-se à esquerda e segue-se pela estrada florestal (7 km).
A partir de Manteigas pode também ir pela estrada florestal de Leandres (6 km).
A Quinta da Regaleira, situada na encosta da serra a alguns metros da vila de Sintra, pode ser considerada um dos monumentos mais surpreendentes na região.
Construída entre 1904 e 1910, sofreu alterações depois da aquisição pelo Dr. Carvalho de Monteiro, tornando-a naquilo que podemos hoje ver. Alia o misticismo e o romantismo à magnífica arquitectura de uma forma muito singular.
Logo que compramos os bilhetes de entrada é entregue um mapa, basta segui-lo. A Quinta é enorme e só assim se consegue definir o que se quer ver e qual o melhor percurso. Não tenha pressa, aproveite bem todo o encanto e esteja atento aos pormenores e símbolos, que são muitos, evocativos, sobretudo da Macçonaria e dos cavaleiros Templários.
Ao entrarmos na Quinta deparamo-nos com o palácio, também designado por Palácio do Monteiro dos Milhões, de arquitectura riquíssima e trabalhada, criado pelo arquiteto italiano Luigi Manini. Logo na entrada toda a ornamentação é relacionada com o mar e os descobrimentos portugueses.
Arco da entrada da quinta
À medida que se entra no palácio desvendam-se cada uma das salas, cada terraço, apercebendo-nos das ligações criadas com o esoterismo e com o fantástico, cheios de símbolos ocultos por trás dos estilos manuelino, renascentista e barroco. Como grande exemplo destes trabalhos exuberantes, na sala da caça, está a magnífica lareira.
Lareira do palácio da Regaleira
No exterior uma vegetação bastante diversificada mas em plena sintonia com as construções em pedra, emanam magia e mistério, num mundo dantesco, cheio de símbolos, desde a alquimia à mitologia.
Destacamos a capela, com referências à ordem de Cristo e aos Templários.
Capela
Olho na pirâmide dentro da capela, descubra-o!
O poço iniciático ou torre invertida é um dos ex-libris da quinta. Com 27 metros de profundidade, o acesso faz-se através de uma escadaria em espiral, fazendo a ligação entre o céu e a terra. Há quem diga que era utilizado em rituais de iniciação maçónica. Tem 9 patamares, cada um com 15 degraus, invocando a Divina Comédia de Dante e no fundo do poço uma rosa dos ventos, com os pontos cardeais sobre a cruz dos Templários.
Poço iniciático
Os percursos subterrâneos são claramente locais a percorrer, assim como as grutas. O passeio ao ar livre, no meio do bosque, é bastante agradável.
Em suma, um local místico, onde o tempo lá passado nos leva a uma outra dimensão. Fica na recordação o local, fica na imaginação o simbolismo, fica a vontade de querer lá voltar.
Diz-se com algum orgulho que alguém entre o clero tenha proferido: “Façamos uma igreja tal, que os que a veêm nos tenham por loucos”.. Verdade ou não, a catedral de Sevilha, ou de Santa Maria da Sé, é tida como a maior catedral gótica do mundo.
A sua construção começou em 1401, sobre a antiga mesquita de Almohad, e prolongou-se por mais de 100 anos. Não é o tamanho que lhe faz perder a elegância.
Catedral de Sevilha
Da antiga mesquita preservou-se “La Giralda”, a torre transformada em campanário que hoje é o símbolo mais conhecido da cidade.
La Giralda (Wiki Commons)
No seu interior, para além da sua imensidão, destaca-se a decoração em ouro, diferente dos templos medievais que se caracterizam pela simplicidade. Aqui está sepultado, entre outras figuras importantes de Espanha (como o rei Fernando III de Leão e Castela), o navegador Cristóvão Colombo.
Túmulo de Colombo (Wiki Commons)
Outro pormenor que se destaca é a Puerta del Perdon, que dá acesso ao Pateo de los Naranjos, embora tenha sofrido inúmeras intervenções ao longo dos tempos, é um dos espaços que sobreviveram da mesquita. Aqui se podem ver os arcos em forma de ferradura característicos das construções árabes. Entrando nesta porta acedemos a um vasto pátio com laranjeiras.
Puerta del Perdon
Os elementos árabes misturam-se com o estilo gótico em muitas partes do templo de forma harmoniosa. Foi integrado, juntamente com o Arquivo Geral das Índias, mesmo ao lado, como património da UNESCO.
Jabal al-Tariq ou a montanha de Tárique, era a designação dada pelos árabes à península, hoje Gibraltar (hoje território britânico). O estreito de Gibraltar é a separação entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. A Norte, a Europa (Gibraltar e Espanha), a Sul, a África (Marrocos e o enclave espanhol, a cidade autónoma de Ceuta).
Embora de poucas dimensões e aparentemente sem nada significativo para ver, Gibraltar tem a sua graça, nem que seja pelas suas peculiaridades: logo na fronteira membros da polícia britânica e da Royal Navy (marinha) fazem o controlo da entrada, parece que estávamos num país fora do espaço Schengen (não é necessário passaporte); passada a fronteira, andámos algumas dezenas de metros e damos por nós no meio da pista do aeroporto, lado a lado com aviões de grande porte estacionados na placa. Sim, para entrar no “rochedo” temos de atravessar a pista do aeroporto.
Chegados à cidade surpreendemo-nos com a diferença abismal do outro lado da fronteira, estamos mesmo num território britânico, as construções, a língua, a moeda (também se pode utilizar o euro) e até uma cabine telefónica (no verdadeiro estilo inglês), tudo é diferente.
Bataria Parson’s Lodge
Depois de percorrer as ruas, o objectivo era subir o rochedo. Fomos em direcção ao Europa Point, no extremo Sul da península onde se localiza a magnífica mesquita (na capa do artigo) oferecida pelo rei da Arábia Saudita, Fahad Al-Saud, aos quase dois mil muçulmanos residentes em Gibraltar, e o farol Trinity House Lighthouse.
Trinity House Lighthouse
Daqui, subindo mais um pouco, podemos ir até à Coluna de Hércules. Segundo reza a lenda, para realizar um de seus doze trabalhos, Hércules, teria necessidade de transpor um estreito marítimo. Então, resolveu abrir o caminho com seus ombros, ligando assim o mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. De um lado, ficou Gibraltar (monte Calpe) e do outro lado o monte Hacho (Ceuta) ou o monte Musa (Abília ou Ábila), a alguns quilómetros para oeste.
Colunas Hercules
De taxi ou a pé (o trânsito de automóveis apenas é permitido a residentes) podemos subir a partir daqui para ver os únicos macacos em estado selvagem na Europa, os macaco-de-gibraltar ou macaco-berbére.
A subida ao topo do rochedo pode ser feita de teleférico, nós preferimos faze-lo de carro. Do alto dos seus 426 metros de altitude a vista sobre o mar Mediterrâneo é incrível.
Vista de Gibraltar e mar Mediterrâneo
Para descer de novo à cidade podemos percorrer alguns dos túneis do Grande Cerco, túneis militares que serviram para armazenamento bélico para a defesa contra espanhóis e franceses na tentativa de invasão de Gibraltar.
Vista aérea de Gibraltar (visitgibraltar.gi)
Mas Gibraltar é muito mais que um rochedo, temos ara visitar o Museu de Gibraltar, a catedral de Santa Maria, as grutas de St. Michaels entre outros locais históricos e naturais.
A poucos quilómetros de Lisboa, Setúbal tem o poder de harmoniosamente unir a imponência da Serra da Arrábida e o esplendor do rio Sado.
Numa das mais belas baías do mundo, onde se juntam as águas do Atlântico com as do rio (que dá nome aos habitantes da cidade, os sadinos) e nas faldas da frondosa Arrábida nasceu a cidade adoptada como filha por estas duas belezas naturais.
Inicialmente designada por Cetóbriga, ocupada por fenícios e romanos há mais de 2000 anos, chegou a ser considerada um dos maiores portos do país e o maior complexo de salga de peixe do Império Romano.
Aqui nasceram Bocage, poeta conhecido pela sua ironia e sátira à sociedade, Luísa Todi, importante cantora lírica e Sebastião da Gama, escritor e defensor da Arrábida, entre outros.
Longe vão os tempos áureos da cidade quando a sua economia representava muito no país e que infelizmente acabou há pouco mais de 30 anos com a indústria conserveira.
Doca de Pesca
Hoje cidade do peixe renasce para uma nova indústria: o turismo.
Conhecida pela cidade da sardinha assada e do choco frito, também o vinho, o moscatel e o queijo são produtos de destaque a degustar.
Começamos a visita na principal artéria da cidade, a avenida Luísa Todi. Atravessa a cidade de Este a Oeste e junto a ela podemos visitar a praça do Bocage onde se localiza o edifício da câmara municipal e a igreja de São Julião, um magnífico templo do século XVI. Daqui podemos visitar a Casa da Cultura e percorrer a baixa da cidade onde, no edifício do turismo, podemos ver salgadeiras de peixe do período romano.
Praça do Bocage (e estátua de Bocage) com o edifício da Câmara Minucipal ao fundo
Na baixa da cidade podemos ainda ver a Sé Catedral, uma igreja do século XVI, e mesmo ao lado a casa do Corpo Santo. Subindo da baixa em direcção à porta de São Sebastião chegamos ao miradouro do mesmo nome, e muito perto, numa espécie de labirinto de ruas, onde nasceu Bocage, chegamos à igreja de São Sebastião.
Sé Catedral de Setúbal
Muito perto daqui e colocando-nos de volta à avenida Luísa Todi temos o edifício da Biblioteca Municipal e percorrendo esta artéria podemos visitar a Casa da Baía, a Galeria Municipal (no antigo edifício do Banco de Portugal) e o Mercado do Livramento considerado um dos melhores mercados de peixe do mundo.
Um dos símbolos de Setúbal é sem sombra de dúvida o Convento de Jesus. Essa importância deve-se a vários aspectos: ao facto de ter marcado a expansão de Setúbal (na altura vila) para fora das primeiras muralhas; ter sido a primeira construção do país no Estilo Manuelino (ainda nem reinava D.Manuel I); e de aqui se ter assinado a ratificação ao Tratado de Tordesilhas, tendo ficado desta forma o nome de Setúbal ligado a um dos momentos mais importantes da história universal de Portugal.
Convento de Jesus, Setúbal
Continuando pela história subimos uma das colinas junto à cidade e chegamos ao Forte de São Filipe. Inspirado no Castelo de Sant’Elmo, em Nápoles – Itália, esta fortaleza é um belíssimo exemplar de arquitetura militar maneirista.
Forte de São Filipe
Na frente ribeirinha podemos contemplar o rio no ponto em que se junta ao mar, Tróia mesmo em frente (pode atravessar de barco para lá – ferry ou catamaran), a doca dos pescadores, os jardins à beira mar, entre outras atracções.
Mas Setúbal não é só a cidade, é também a Serra da Arrábida onde “nasceu”, em harmonia com a montanha, o Convento da Arrábida, onde podemos aproveitar as magníficas praias, visitar a gruta da Lapa de Santa Margarida no Portinho da Arrábida ou fazer uns trilhos pedestres. Setúbal é também o Estuário do Sado onde se podem observar os golfinhos em estado selvagem.
O quê e onde comer
Setúbal é a terra do peixe e por isso mesmo recomenda-se a caldeirada de peixe, a sardinha e carapaus assados, o salmonete à setubalense e obviamente o choco frito.
Para comer todas estas especialidades recomendamos o Forno da Lotta, um restaurante típico, no bairro da Fonte Nova.
Para o choco frito o melhor é mesmo o “Leo do petisco“, no final da avenida Luísa Todi, na direcção das praias.
Se pretende um espaço diferente com música ambiente e com óptimo atendimento onde poderá petiscar a qualquer hora, o Sem horas é uma boa opção.
Em plena Serra da Freita, Arouca combina harmoniosamente os seus legados histórico e natural. Deste perfeito “casamento” nasceu o Arouca Geopark que muito tem feito pela protecção, promoção e divulgação de todo este património.
Embora tenhamos visitado pouco mais que a vila, há muito para ver no concelho. As místicas pedras parideiras, um fenómeno geológico único no mundo, aldeias que pararam no tempo, minasde volfrâmio abandonadas , uma rede de percursos pedestres, quedas de água, os Passadiços do Paiva e muito mais.
Passadiços do Paiva
Mesmo no centro da vila, na alameda Dom Domingos de Pinho Brandão está o posto de turismo do Arouca Geopark onde, muito atenciosamente nos deram informação acerca de todos os pontos turísticos mais interessantes para visitar.
Uma visita à vila tem de ter passagem obrigatória pelo Mosteiro de Arouca ou Mosteiro de Santa Maria de Arouca. A origem deste mosteiro começa no século X como mosteiro beneditino e no século XII passa para a ordem de Cister como mosteiro exclusivamente feminino até à extinção das ordens religiosas em 1759 por D. José I.
Mosteiro de Arouca
O mosteiro sofreu alguns trabalhos de restauro e conservação após alguns anos de abandono e ocupação que resultou na danificação e perda de muito património.
Vale a pena fazer uma visita ao Museu de Arte Sacra onde podemos percorrer algumas áreas do mosteiro como a cozinha, o salão do cadeiral, os claustros, as celas entre outros espaços.
Claustros do Mosteiro de Arouca
Salão do Cadeiral
Na igreja do Mosteiro podemos ver o corpo de Santa Mafalda, conservado em cera, que aquando da exumação do seu corpo para ser trasladado para Arouca, descobriram que estava incorrupto, este facto gerou uma onda de fervor religioso.
Mesmo em frente da Igreja, do outro lado da rua, está a Igreja da Misericórdia. Partindo daqui visitamos ainda as ruas do centro histórico da vila onde existem casas brasonadas que fazem parte da história da vila.
Igreja da Misericordia de Arouca
Rua em Arouca
Se nos colocarmos na rua que nos leva à Câmara Municipal e olharmos para cima vemos o monte da Senhora da Mó, onde tem uma capela da mesma santa.
Num dos cruzamento de Santa Eulália está o memorial de Santo António. Existem vários por esta região, surgem com frequência junto às antigas estradas e conta a lenda que à passagem da urna da Rainha Santa Mafalda, que ía em cima de um burro, onde este parava exausto foi erigido um destes memoriais.
Parte do património gastronómico de Arouca, vale a pena provar a Vitela Arouquesa. Nós fizemo-lo no restaurante Parlamento (na Travessa da Ribeira) onde fomos atendidos com muita simpatia e atenção.
Comemos vitela Arouquesa no forno que estava divinal e provamos posta de vitela Arouquesa grelhada.
Vitela Arouquesa no forno e doce da casa
Os doces conventuais típicos de Arouca, eram confeccionados no Mosteiro e as suas receitas foram passando de geração em geração. Nós quisemos prová-los, e mesmo em frente ao Mosteiro, fizemo-lo na loja Doces Conventuais de Arouca. Escolher um doce para recomendar é difícil, se puder prove um de cada. 🙂
Uma das vertentes que muito nos leva a escolher os locais que visitamos é a história e a arte, conhecer a história e seguir o rasto da arte é um bom motivo para conhecer os locais. Roma, é sem dúvida, um dos destinos com mais para dar nestas duas vertentes.
Uma das figuras que admiramos é Gian Lorenzo Bernini (ou simplesmente Bernini), um artista do barroco italiano que se revelou um génio da escultura. Na nossa opinião, nenhum outro artista deixou uma marca tão forte em Roma.
Para conhecermos a sua obra e simultaneamente fazermos uma visita por Roma sugerimos o percurso que se segue.
Roma de Bernini
Baldaquino (basílica de São Pedro)
Começamos no Vaticano (ponto mais à esquerda no mapa), mais precisamente na basílica de São Pedro, onde Bernini criou o magnífico Baldaquino que tão harmoniosamente preenche o vazio por baixo da grandiosa cúpula de Michelangelo.
Baldaquino de Bernini
A primeira obra de Bernini na basílica de São Pedro é impressionante quer pelo tamanho quer pela beleza. Sobre o túmulo de São Pedro, com cerca de 30 metros de altura, em bronze, quatro colunas torcidas suportam o baldaquino encomendado pelo papa Urbano VIII (Barberini).
Colunata (praça de São Pedro)
Ainda no Vaticano, a colunata é o conjunto de 284 colunas que “abraça” a praça de São Pedro e que suportam uma grande estrutura ao estilo clássico na qual foram colocadas 140 estátuas de santos.
Colunata de Bernini
A colunata, com quatro filas de colunas, foi projectada de modo que, vista a partir do centro da elipse (indicado no pavimento por uma pedra circular rodeada por um anel de mármore), pareça ter apenas uma única fila de colunas.
No fundo, ao projectar a colunata, Bernini fez também a praça de São Pedro onde colocou no centro uma fonte.
Anjos (ponte e castelo de Sant’Angelo)
Começamos pelo castelo onde a estátua em bronze que o encima, embora tenha sido esculpida por Pierre van Verschaffelt (escultor flamengo), foi projectada por Bernini.
Na ponte de Sant’Angelo, logo em frente ao castelo, a obra do artista tem muito mais expressão. Catorze estátuas de anjos, encomendadas pelo papa Clemente IX em 1669, que representam a Paixão de Cristo, ornamentam a ponte.
Ponte de Sant’Angelo
Posteriormente os originais de alguns destes anjos foram levados para a igreja de Sant’Andrea della Fratte (em Roma) tendo ficado na ponte cópias, como é o caso do anjo da coroa de espinhos.
No centro da piazza Navona está a monumental fontana dei Quattro Fiumi, esculpida entre 1648 e 1651 e encomendada pelo papa Inocêncio X. A escultura representa quatro grandes rios, personificados em gigantes, de quatro continentes: o Nilo na África, o Ganges na Ásia, o rio da Prata na América, e o Danúbio na Europa.
Fontana dei Quattro Fiumi
Apesar do tamanho, Bernini consegue juntar harmoniosamente o conjunto sólido de pedra e mármore com a leveza das águas que caem.
No topo da fonte/escultura foi colocado o obelisco egípcio Agonal.
Também no lado Sul da praça está a fontana del Moro, ou fonte do Mouro, criada por Giacomo della Porta e posteriormente aperfeiçoada por Bernini que lhe acrescentou o mouro no centro da fonte.
Elefante do obelisco (piazza della Minerva)
Numa das ruas laterais do Panteão, atrás, na piazza della Minerva, encontramos uma escultura de um elefante suportando um obelisco egípcio.
Elefante do obelisco
Esta obra, embora esculpida por Ercole Ferrata, foi projectada por Bernini e é um exemplo da habilidade criativa do artista. A representação do elefante não foi escolha do acaso. É um antigo símbolo da inteligência e piedade, e nesta obra representa a personificação das virtudes com que os cristãos podem alcançar a verdadeira sabedoria.
Fonte do Tritão (piazza Barberini)
Na piazza Barberini está a fonte do Tritão (fontana del Tritone), mandada erguer pelo papa Urbano VIII (Barberini) para que ornamentasse o espaço defronte do palácio da sua família (palácio Barberini).
Fonte do Tritão
Esta fonte representa o mítico deus Tritão, um dos filhos de Neptuno, ajoelhado, suspenso por quatro golfinhos, enquanto bebe água que jorra de um búzio/concha.
Um pouco mais escondida e menos expressiva, numa das esquinas da praça, está a Fontana delle Api (fonte das Abelhas) também de Bernini.
Escadaria (palácio Barberini)
Como dissemos atrás, próximo da fonte do Tritão fica o palácio Barberini, hoje uma galeria ou museu de arte.
Embora o palácio apenas tenha sido terminado por Bernini tem uma magnífica escadaria criada pelo artista que dá acesso ao andar nobre, a mesma função de outra escadaria criada pelo seu rival Borromini como que numa disputa de talento.
Extase de Santa Teresa (igreja de Santa Maria della Vittoria)
Na igreja de Santa Maria della Vittoria está uma das esculturas que melhor mostra a eloquência do artista: a escultura do extase de Santa Teresa.
Santa Teresa, então freira Teresa D’Avila, teve a visão de um anjo que lhe crava uma seta de ouro no coração, simbolizando este facto o amor e devoção que Santa Teresa tinha por Deus. Este amor é expresso numa convulsão mista de dor e ao mesmo tempo prazer.
Bernini representa este extase na escultura carregando-a, de uma forma única, de drama, emoção e movimento.
Rapto de Proserpina (galleria Borghese)
Do mito romano (ver abaixo), que também é grego, nasceu esta bela escultura. Esta obra está na galleria Borghese, nos jardins da vila Borghese (ponto a norte do mapa). Como na maior parte das suas esculturas também esta mostra o pormenor com que projectava e criava as suas obras-primas.
São notáveis os detalhes, Proserpina a empurrar a cabeça de Plutão enquanto este aperta a pele de Proserpina para tentar imobilizá-la.
Rapto de Proserpina (Wikimedia Commons)
Nesta galeria/museu estão também outras obras de Bernini como é o caso da escultura de Apolo e Dafne.
Escadaria helicoidal (basílica de Santa Maria Maior)
Esta escadaria, assim como a Sala dos Papas a partir da qual acedemos às escadas, só estão abertas alguns dias por ano. Tivemos a sorte de poder visitar.
Escadaria em Santa Maria Maior
Esta escadaria foi projectada e construída por Bernini quando tinha apenas 23 anos, o que a torna ainda mais especial. Embora à primeira vista, nada salta a atenção, na verdade esta tem características muito especiais do ponto de vista técnico.
No centro da escada não existe eixo onde os degraus se possam apoiar. Para compensar o peso dos degraus Bernini usou duas técnicas: encastrou os degraus nas paredes do edifício e inclinou-os de forma quase imperceptível para a frente fazendo com que o peso do corpo humano fique na ponta do degrau e não no meio.
É isto que a torna tão especial, um artista tão jovem consegue projectar uma obra com pormenores tão peculiares.
Nesta basílica terminamos a nossa visita a Roma e, mais particularmente, à obra de Bernini. Curiosamente é nesta igreja que o seu corpo se encontra sepultado. Foi também numa das ruas laterais da basílica onde Bernini viveu com o seu pai, também escultor, Pietro Bernini.
Nota: Neste texto apenas são descritas as obras que consideramos mais expressivas e que a nós mais nos impressionam, quer pela sua beleza quer, simplesmente, pela sua técnica. Existem muitas outras que podem ser vistas e visitadas em Roma.
A catedral de Santa Maria del Fiore ou o Duomo de Florença é uma das maiores obras-primas góticas e do início do renascimento.
A sua cúpula, com mais de 100 metros de altura, é uma obra colossal e ainda há bem pouco tempo a sua construção era um mistério.
Para fazer a visita ao interior da basílica tivemos de seguir uma fila, não muito demorada. Logo à partida ficamos desiludidos com o interior. O exterior da igreja contrasta com o aspecto despido e escuro do interior mas logo se muda de ideias quando se está por baixo da cúpula e nos começamos a aperceber dos pormenores.
Cúpula
Nós não o fizemos, mas poderá subir à cúpula e contemplar a vista sobre Florença.
Altar-mor da basílica
Um pouco de história
O início da sua construção data de 1296, com a supervisão de Giotto, sobre as antigas fundações da catedral de Santa Reparada. Para que a basílica chegasse ao que conhecemos hoje passaram cerca de seis séculos, tendo começado no século XII e finalizada apenas no século XIX com a conclusão da sua fachada.
Basílica de Santa Maria del Fiore
Uma das fazes mais complexas na sua construção foi a da enorme cúpula. Foi projectada pelo relojoeiro Filippo Brunelleschi que num golpe de génio conseguiu encaixar o duomo na enorme base octogonal irregular (pois as dimensões não estavam uniformes).
Fora da basílica pode ainda visitar-se o campanário de Giotto e o batistério de São João.
Por mais que se queira contornar o facto, Florença é o berço do renascimento e isso sente-se em toda a cidade. Assim como se sente Da Vinci, Michelangelo, Dante, Giotto, Boticelli, Américo Vespúcio (explorador), Donatello, e a indissociável família Medici.
O melhor meio para se deslocar para Florença é de comboio (ou avião), conselho: nunca o faça de carro!! experimentamos e a experiência não foi muito boa.
Pormenores à parte, a cidade é magnífica.
Na margem Sul do rio Arno pode visitar o Palácio Pitti, um palácio originalmente construído no ano de 1458 que entretanto sofreu algumas alterações ao longo dos anos. Hoje apresenta uma traça renascentista. Atrás deste palácio é possível ver também os jardins de Boboli. As visitas, tanto ao palácio como aos jardins são pagas.
Palácio Pitti
Continuando na mesma margem do rio visitamos a basílica do Espírito Santo. Mesmo à sua frente realiza-se um mercado de rua com produtos agrícolas que alguns produtores vendem (directamente).
Embora por fora seja uma igreja simples, vale a pena entrar. Desenhada por Filippo Brunelleschi, tem no seu interior muitas obras de arte de vários artistas da Toscana.
Basílica do Espírito Santo, Florença
Caminhando para a margem Norte vamos passando pelas bonitas ruas medievais/renascentistas. Atravessamos pela Ponte Vecchio, a ponte medieval (na foto de capa), símbolo de Florença, repleta de lojas de joalharia, artistas de rua e muita gente.
Seguindo sempre em frente vamos dar ao mercado do Porcellino. Um mercado de rua, debaixo de um conjunto de arcadas onde se encontra uma estátua de bronze (o Porcellino) de um javali que, segundo reza a lenda se lhe esfregar-mos o focinho darnos-à sorte.
Porcellino
Um pouco antes de chegar ao mercado do Porcellino, virando na rua anterior à direita vamos dar ao Palácio Vecchio (Palazzo Vecchio) na praça de La Signoria.
Palacio Vecchio
Neste palácio funcionou durante quase toda a renascença a Sinhoria, nome dado ao governo da República de Florença. É possível visitar o esplendoroso palácio, destacando-se o salão dos Quinhentos , a sala dos Mapas ou a Sala dos Lírios entre outros espaços.
Em frente à porta principal do palácio estão as esculturas de Hércules e Caco (de Baccio Bandinelli) e a de David (de Michelangelo).
Estátua de David
Andar nas ruas de Florença é como andar na mesma cidade nos séculos XV e XVI. Tudo é antigo. Em cada rua, esquina ou beco há motivos para parar e vislumbrar.
Um pouco mais a Norte fica a basílica de Santa Maria del Fiore com o seu impressionante Duomo (cúpula).
Basílica de Santa Maria del Fiore
Continuando na mesma direcção não deixe de visitar a basílica de S.Lourenço onde se situa a capela dos Medici. Aproveite e saboreie as muitas especialidades gastronómicas no mercado de S.Lourenço.
Cada região de Espanha tem características próprias e Madrid não foge à regra, principalmente as pessoas, muito simpáticas e sempre disponíveis (ao contrário dos espanhóis no geral) para ajudar nas indicações.
A rede de transportes da cidade é muito boa, tanto de autocarro como de metro as deslocações fazem-se de forma muito rápida e cómoda. A partir do aeroporto, para o centro da cidade, o melhor é ir de Metro.
Estação de Metro de Madrid
O centro histórico concentra-se numa área que vai desde o Palácio Real (a Oeste) e os jardins do Parque del Retiro (a Este), por isso o melhor início de visita é numa destas extremidades.
Começando pelo Palácio Real (o maior da Europa), e depois de uma pequena fila, podemos visitar o seu interior seguindo-se a catedral de La Almudena mesmo em frente. Iniciada a sua construção em 1883 com a finalidade do Papa Leão XIII criar a diocese de Madrid-Alcalá.
Catedral de La Almudena
O seu interior é muito bonito, inspirado no gótico francês do século XIII.
Caminhando para Oriente chegamos à Ópera/Teatro Real, e um pouco mais a Sul deste, a magnífica Plaza Mayor (imagem de capa), uma praça rectangular ladeada por todos os lados por edifícios do século XVI, da mesma altura.
Do lado de fora da praça fica o mercado de San Miguel onde se pode provar gastronomia local e regional.
Mercado S.Miguel
Muito próximo da Plaza Mayor, caminhando para Este, fica a Porta del Sol, uma praça onde se cruzam várias ruas e convergem gentes de todo o lado (e várias nacionalidades).
Urso e o medronho (símbolo do Madrid), Porta Sol
Ainda a Noroeste, e indo pela Gran Via (artéria “ícone” da cidade), chega-se à Praça de Espanha onde se encontra o monumento à obra de Cervantes – D.Quixote.
Continuando para Este chegamos à Fuente de Cibeles, praça onde se situa também o palácio de Cibéles (antigo palácio das comunicações e correio central) e o Banco de Espanha, um magnífico edifício de 1884.
Mais a Este está a Porta de Alcalá e o Parque del Retiro. Caminhando para Sul deste parque fica o Museu do Prado.